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  • Artigos

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Série : Exercícios Filosóficos para Vida Cotidiana Silêncio Ensaios e Artigos Kenose e Ágape Eudaimonia Alma e Graça Divina em Agostinho de Hipona Jogue fora suas batatas Solipsismo A Navalha de Ockham A Fuga de Nós Mesmos O Arrependimento no Budismo O Silêncio Interior Sentimento Oceânico

  • Exercícios Filosóficos - Silêncio

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Exercícios Filosóficos para a Vida Cotidiana O silêncio Marcelo Martins Moreira Pesquisador independente Introdução — Filosofia como prática de transformação É possível estudar filosofia durante anos sem que ela produza qualquer mudança perceptível em nossa maneira de viver. Podemos conhecer conceitos, escolas, autores e sistemas; discutir argumentos sofisticados e reconstruir a história das ideias. Ainda assim, quando a vida nos coloca diante da ansiedade, da perda, da raiva, da incerteza ou da necessidade de escolher, talvez continuemos reagindo exatamente como antes. A tradição filosófica antiga permite pensar uma relação diferente com o pensamento. Para muitas escolas da Antiguidade, filosofar não significava apenas construir teorias sobre a realidade, mas assumir uma determinada maneira de viver. A filosofia podia envolver exercícios de atenção, meditação, exame de si, preparação para as dificuldades, leitura, diálogo e transformação dos hábitos. O conhecimento filosófico pretendia, assim, tornar-se experiência — uma forma de presença no mundo. É nesse horizonte que se situa o trabalho de Pierre Hadot. Ao estudar a filosofia antiga, Hadot recuperou a noção de filosofia como modo de vida e chamou atenção para aquilo que denominou “exercícios espirituais”. A expressão pode causar estranhamento porque, no uso contemporâneo, “espiritual” costuma remeter imediatamente à religião. Em Hadot, porém, ela possui um alcance mais amplo: trata-se de práticas capazes de envolver não apenas o intelecto, mas a pessoa em sua totalidade, modificando sua maneira de perceber, julgar e agir . A escolha do termo “exercícios filosóficos”, nesta série, é deliberada. Procura tornar a proposta mais acessível sem abandonar a inspiração de Hadot. O objetivo não é oferecer uma coleção de técnicas de autoajuda, nem transformar a filosofia em uma receita para uma vida perfeita. Trata-se de experimentar, no cotidiano, determinadas atitudes filosóficas e observar o que elas fazem conosco. O exercício filosófico começa, portanto, quando uma ideia deixa de ser apenas algo que compreendemos e passa a ser algo que praticamos. Epicteto oferece uma imagem particularmente adequada para essa proposta: “Doravante, a matéria sobre a qual devo trabalhar é o pensamento, tal como a do carpinteiro é a madeira e a do sapateiro, o couro; meu trabalho consiste em fazer bom uso das minhas representações” . A passagem expressa uma ideia fundamental: o pensamento não é apenas aquilo que temos; ele também pode ser matéria de trabalho. Primeiro exercício: o silêncio O primeiro exercício desta série é o silêncio. A escolha não é casual. Vivemos em uma época na qual o silêncio se tornou progressivamente difícil. Há sempre alguma coisa acontecendo: mensagens, notificações, vídeos, música, conversas, notícias, publicidade, podcasts e redes sociais. Mesmo quando o ambiente externo está silencioso, continuamos frequentemente acompanhados por uma sucessão incessante de pensamentos, lembranças, preocupações e antecipações. Por isso, antes de perguntar o que devemos pensar, talvez seja necessário perguntar se ainda sabemos ficar em silêncio. O silêncio pode ser desconfortável. Em situações sociais, muitas pessoas sentem necessidade de preenchê-lo imediatamente. Um elevador silencioso parece pedir uma intervenção. Uma refeição sem conversa pode parecer estranha. Um momento sem celular pode produzir uma inquietação que rapidamente procuramos eliminar. Mas existe também outro silêncio: aquele que não produz vazio, e sim espaço. O silêncio de uma criança dormindo, de uma paisagem, de uma caminhada solitária, de uma sala de oração ou simplesmente de alguns minutos em que ninguém nos exige uma resposta. Esse silêncio pode ser uma experiência de repouso e atenção. É importante, porém, distinguir silêncio de ausência absoluta de som. O objetivo do exercício não é criar uma câmara anecoica, nem fugir de todos os estímulos. O que se busca é interromper voluntariamente, por um período determinado, a cadeia habitual de estímulos e respostas. O silêncio exterior será utilizado como condição para observar aquilo que normalmente permanece encoberto pelo ruído. Do silêncio exterior ao silêncio interior O primeiro obstáculo aparece quando finalmente nos calamos: percebemos que o barulho não estava apenas fora. Quando diminuímos as distrações, surgem as chamadas “vozes na cabeça”: pensamentos que se sucedem sem que tenhamos decidido conscientemente iniciá-los. Uma preocupação chama outra; uma lembrança conduz a uma fantasia; uma tarefa futura interrompe a percepção do presente. Tentamos permanecer quietos e descobrimos que, por dentro, continuamos falando. Não é necessário combater esses pensamentos. Aliás, tentar esvaziar completamente a mente pode transformar o exercício em mais uma tarefa de controle. O objetivo inicial é mais simples — e, talvez por isso mesmo, mais difícil: perceber. Perceber o pensamento sem imediatamente segui-lo. Perceber a vontade de pegar o celular sem pegá-lo. Perceber o impulso de preencher o silêncio com música, leitura ou conversa. Perceber o desconforto que aparece quando nada parece exigir nossa atenção. O silêncio, nesse sentido, torna-se uma espécie de laboratório da atenção. Podemos pensar esse espaço interior como um castelo, desde que não o imaginemos como uma fortaleza destinada a nos separar do mundo. Ele seria antes um lugar de recolhimento provisório, no qual a pessoa pode observar os movimentos que a atravessam antes de obedecer a cada um deles. Também podemos pensá-lo como um jardim. Quando paramos de revolver continuamente a terra, percebemos as ervas que já estavam ali. Hoje, uma dessas ervas é o hábito de recorrer ao celular a cada intervalo de silêncio. Não porque o aparelho seja, em si, um problema, mas porque a disponibilidade permanente de estímulos pode dificultar a experiência de permanecer consigo mesmo. Silêncio e escuta O silêncio filosófico não é simplesmente calar-se. É também aprender a escutar. A tradição monástica oferece exemplos históricos de práticas sistemáticas de silêncio e contenção da fala. A Regra de São Bento, especialmente em seu capítulo 6, associa a moderação da palavra à possibilidade de ouvir: “ao discípulo convém calar-se e ouvir” . Nesta série, essa tradição não será tomada como prescrição religiosa, mas como testemunho histórico de uma intuição que também pode ser investigada filosoficamente: reduzir a fala pode ampliar a capacidade de escuta. Escutar o outro sem preparar imediatamente uma resposta. Escutar uma ideia antes de julgá-la. Escutar o próprio pensamento antes de transformá-lo em discurso. Escutar aquilo que sentimos sem precisar nomeá-lo imediatamente. Há, portanto, uma dimensão ética no silêncio. Quem não suporta permanecer em silêncio pode ter dificuldade também em suportar a presença do outro sem tentar dominá-la com a própria palavra. O silêncio não é necessariamente submissão, indiferença ou ausência. Pode ser uma forma de atenção — e, em certas circunstâncias, uma forma de respeito. O exercício Não é necessário começar com longos períodos de retiro. O exercício filosófico deve ser suficientemente simples para entrar na vida cotidiana. Durante sete dias, escolha um período fixo de aproximadamente quinze minutos. Pode ser pela manhã, à noite ou em outro horário no qual você consiga permanecer sem interrupções. Durante esses quinze minutos: - desligue as notificações e coloque o celular fora do alcance imediato; - permaneça em um lugar relativamente silencioso; - não utilize música, vídeo, podcast ou leitura para preencher o período; - sente-se confortavelmente e permita que a respiração encontre seu ritmo natural; - não tente eliminar os pensamentos; observe-os quando surgirem; - quando perceber que foi levado por uma preocupação, lembrança ou fantasia, reconheça isso e retorne à experiência presente; - ao final, permaneça mais um minuto em silêncio antes de retomar suas atividades. Depois do exercício, faça uma breve anotação. Não escreva uma análise sofisticada. Registre apenas o que percebeu: o que foi difícil, quais pensamentos apareceram, qual foi sua primeira vontade, se houve inquietação, tédio, tranquilidade ou alguma outra experiência. O objetivo não é produzir um estado especial de consciência. Se você passou quinze minutos inquieto, esse também é um resultado. Se percebeu uma quantidade surpreendente de pensamentos, isso também é um resultado. Se experimentou tranquilidade, registre-a sem transformá-la em obrigação para o dia seguinte. Uma pequena disciplina A força do exercício está na repetição. Um único momento de silêncio dificilmente modifica um hábito. A prática começa a ganhar significado quando o silêncio deixa de ser um acontecimento excepcional e passa a ocupar um lugar reconhecível na rotina. Depois de algum tempo, talvez seja possível ampliar o período. Quinze minutos podem transformar-se em vinte. Uma caminhada pode ser realizada sem fones de ouvido. Uma refeição pode ser feita sem a necessidade de consultar uma tela. Uma conversa pode conter pausas sem que elas sejam imediatamente preenchidas. A finalidade não é tornar-se uma pessoa silenciosa. É adquirir maior liberdade diante da necessidade compulsiva de falar, ouvir, consumir e responder. É nesse ponto que o silêncio se torna um exercício filosófico: ele não vale por si mesmo, mas pelo tipo de relação consigo, com os outros e com o mundo que pode tornar possível. Para além do silêncio O exercício proposto aqui não pretende conduzir a uma experiência religiosa nem pressupõe uma determinada crença. A palavra “espiritual”, no horizonte de Hadot, procura justamente indicar que o exercício filosófico pode envolver mais do que a compreensão intelectual de uma proposição. Ele pode modificar nossa maneira de perceber e habitar o mundo. Por isso, nesta série, preferimos falar em Exercícios Filosóficos para a Vida Cotidiana. A expressão preserva a ideia central de que filosofar é também exercitar-se. O silêncio é apenas o primeiro exercício. Talvez, ao praticá-lo, descubramos algo bastante simples: não precisamos preencher imediatamente todo espaço vazio. Algumas vezes, é justamente quando deixamos de falar que começamos a perceber o que estava tentando ser ouvido. Referências bibliográficas HADOT, Pierre. *Exercícios espirituais e filosofia antiga*. Tradução de Flávio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. São Paulo: É Realizações, 2014. HADOT, Pierre. Philosophy as a Way of Life: Spiritual Exercises from Socrates to Foucault. Edited with an introduction by Arnold I. Davidson. Oxford: Blackwell, 1995. EPICTETUS. Discourses. Book III, chapter 22. In: OLD FATHER, W. A. (ed. and trans.). Epictetus: The Discourses as Reported by Arrian, the Manual, and Fragments. Cambridge, MA: Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1925 BENEDICT OF NURSIA. RB 1980: The Rule of St. Benedict in Latin and English with Notes. Edited by Timothy Fry, O.S.B. Collegeville, MN: The Liturgical Press, 1981. Cap. 6. ARCE, Karen F. “On Silence in the Rule of St. Benedict: A Study of Chapter 6: 1–6”. Obsculta, v. 14, n. 1, p. 116–132, 2021. MOTTE, André. “Pierre Hadot, Exercices spirituels et philosophie antique”. Kernos, n. 1, 1988. DOI: 10.4000/kernos.138.

  • HT - O que é hipnotismo?

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Hipnotismo? Hipnotismo é a ciência que ensina a influenciar a percepção e o comportamento dos outros por intermédio de dois fatores: as leis da sugestão e o estado conhecido como "transe hipnótico". Três palavras têm significados distintos entre si: hipnotismo, hipnose e hipnologia. "Hipnotismo" refere-se aos métodos conhecidos como 'técnicas de indução', para obtenção de fenômenos hipnóticos. "Hipnose" é o estado mental-físico produzido por uma modificação temporária do sistema nervoso como resultado da técnica de indução. "Hipnologia" é o termo que inclui tudo o que se refere à ciência da compreensão da natureza e da utilidade de todos os estados e fenômenos hipnóticos, bem como dos métodos de indução. O estado de hipnose provocado pelo hipnotismo é caracterizado pelo abandono das faculdades críticas e também pelo pensamento seletivo ou pela sugestão. É tanto uma percepção restrita ( que ignora as distrações ) como aumento de concentração nas idéias para as quais a atenção é atraída pelo hipnotizador. Em resumo, o hipnotizador produz um aumento da capacidade de concentração sem esforço como da capacidade de concentração dirigida. O que é um transe hipnótico? Um 'transe' é uma condição mental-física de uma modificação neurológica temporária, provocada pela estimulação do sistema nervoso simpático ou parassimpático. Um transe não é um estado de 'coma', de sono ou de 'inconsciência'. Não se trata de um estado totalmente consciente nem totalmente inconsciente, mas pode ser melhor descrito como um estado de 'diminuição de consciência'. Esses estados de diminuição de consciência resultam num aumento de sugestionabilidade. Esses estados podem ser produzidos de vários modos, tais como por doenças, por drogas ou por sugestão. Por ser uma situação resultante de uma estimulação de certas áreas do sistema nervoso maior que a usual, um transe pode ser entendido como uma situação também física. No hipnotismo, ele é produzido pela intensificação de emoções, seja do tipo reconfortante ou perturbador, por intermédio de sugestões verbais e visuais. Por conseguinte, há dois tipos de transes que dependendo tipo de emoção estimulada. Um 'transe hipnótico' é um transe provocado por um dos diversos métodos interpessoais conhecidos como induções hipnóticas. Em resumo, um transe produzido por sugestão é chamado de "transe hipnótico". O tipo mais comum de transe hipnótico ou de estado de percepção fora da consciência é induzido pelo hipnotizador que faz sugestões para intensificar as emoções reconfortantes. Como resultado disso, algumas mudanças fisiológicas ocorrem quando uma pessoa experimenta um transe hipnótico. Essas mudanças variam, de acordo com as sugestões feitas pelo hipnotizador, para intensificar as emoções perturbadoras ou reconfortantes. Se o 'transe' for resultado da estimulação do sistema nervoso simpático por meio da intensificação de emoções perturbadoras, é chamado de transe negativo ou ergotrófico. Se resulta da estimulação do sistema nervoso parassimpático pela estimulação de emoções reconfortantes, é chamado de transe positivo ou trofotrópico. Uma pessoa pode ficar aterrorizada ou excitada num transe negativo, do tipo provocado por tambores ou sons repetitivos e por experiências traumáticas. Esses transes negativos são caracterizados por movimentos frenéticos do corpo e uma desorganização mental de forma extrema. Por outro lado, o transe positivo constitui um estado confortável e relaxado. A pessoa é levada a ele de modo suave e calmo. Este é transe positivo utilizado pelos hipnoterapeutas modernos com propósitos benéficos. O transe positivo, por si só, já possui valor terapêutico, não importando quais sugestões sejam dadas.

  • Sentimento Oceânico

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Sentimento Oceânico O conceito de “sentimento oceânico” foi cunhado pelo escritor francês Romain Rolland em uma carta de 1927 ao psicanalista Sigmund Freud. Rolland descreveu esse sentimento como uma “sensação de eternidade”, um “sentimento de ser um com o mundo externo como um todo”. Freud ficou intrigado com a descrição de Rolland e dedicou um capítulo de seu livro “O Mal-Estar na Civilização” (1930) para explorar o conceito. Freud argumentou que o sentimento oceânico, se existe, é um resquício do “sentimento primitivo do ego” que existe na infância. No início da vida, o bebê não tem um senso de si mesmo separado do mundo externo. O bebê sente-se parte de um todo indiferenciado, que Freud chamou de “ego primitivo”. Esse sentimento de unidade é gradualmente perdido à medida que o bebê desenvolve um senso de si mesmo separado. O sentimento oceânico pode ser revivido em adultos em certas situações, como quando se está em contato com a natureza, quando se está apaixonado ou quando se experimenta uma experiência religiosa. Freud acreditava que o sentimento oceânico é a fonte da experiência religiosa. Freud também acreditava que o sentimento oceânico é uma ilusão. Ele argumentou que o mundo externo é um lugar de separação e conflito, e que o sentimento de unidade é apenas uma fantasia. O conceito de sentimento oceânico foi influente na psicologia e na religião. Foi usado para explicar a experiência religiosa, a criatividade e o senso de significado na vida. Aqui estão alguns exemplos de como o sentimento oceânico pode ser experimentado: -Um indivíduo pode sentir-se conectado com a natureza ao contemplar um pôr do sol ou ao ouvir o som das ondas do oceano. -Um indivíduo pode sentir-se conectado com outra pessoa ao fazer amor ou ao compartilhar um momento de intimidade. -Um indivíduo pode sentir-se conectado com algo maior do que si mesmo ao participar de um ritual religioso ou ao meditar. O sentimento oceânico é uma experiência subjetiva que pode ser difícil de definir ou explicar. No entanto, é uma experiência que é significativa para muitas pessoas. Filosoficamente, o sentimento oceânico pode ser visto como uma expressão do conceito de cosmos do estoicismo. O sentimento oceânico é uma experiência de unidade com o universo, que é um conceito central do estoicismo. O estoicismo pode fornecer um contexto para entender o sentimento oceânico e para lhe dar um significado mais profundo. Os estoicos acreditavam que a experiência do sentimento oceânico é uma oportunidade para o indivíduo se conectar com a ordem natural do universo. O sentimento oceânico pode ser encaixado dentro das teorias de exercícios filosóficos para o bem viver como uma experiência que pode ser cultivada através da prática. Esse e outros exercícios espirituais podem nos ajudar a desenvolver uma consciência mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. Eles podem nos ajudar a ver o mundo como uma unidade holística, e a nos sentirmos conectados com algo maior do que nós mesmos. A importância prática do sentimento oceânico como exercício é que ele pode nos proporcionar uma sensação de paz, alegria e sentido de propósito. Ele pode nos ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade, e a nos sentirmos mais conectados com os outros. Aqui estão algumas maneiras de cultivar o sentimento oceânico através da prática de exercícios espirituais: - Contemplação da natureza: Passar tempo na natureza pode nos ajudar a nos conectar com a beleza e a harmonia do mundo ao nosso redor. - Meditação: A meditação pode nos ajudar a desenvolver uma consciência mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. - Reflexão filosófica: A reflexão filosófica pode nos ajudar a desenvolver uma compreensão mais profunda do universo e de nosso lugar nele. É importante notar que o sentimento oceânico não é uma experiência que pode ser forçada. Ele é uma experiência que surge naturalmente quando estamos abertos a ela. Os exercícios espirituais/filosóficos podem nos ajudar a nos preparar para essa experiência, mas eles não podem garantir que ela aconteça. Esses e outros exercícios fazem parte de meu novo curso de desenvolvimento pessoal: 🔮 Hipnose Transcendental (2024) “Hipnose Transcendental: Exercícios Filosóficos para o Bem Viver.” Este curso é para todos que buscam transcender os limites da consciência e desvendar os mistérios do ser. 🌟 Maiores informações e reservas: via direct ou email. Marcelo Martins Moreira Email: marcelomartinsmoreira@gmail.com

  • Biblioteca Jung

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Biblioteca Carl G. Jung e afins Go to link Go to link Go to link Parte 1 somente Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Marie Louise Von Franz Biblioteca Edward Edinger Biblioteca Sigmund Freud Biblioteca James Hillman Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Joseph Campbell Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Connie Zweig Biblioteca Jolande Jacobi Biblioteca Robert A. Johnson Biblioteca Barbara Hanah Biblioteca James Hollis Biblioteca Erich Neumann

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Momento Criativo e Auto-Hipnose Um dos efeitos psicológicos mais importantes da Fixação da Atenção na HIPNOTERAPIA TRANSCENDENTAL é que ele tende a despotencializar as posturas mentais habituais e as estruturas mentais comuns e cotidianas. Os sistemas de crenças podem ser mais ou menos interrompidos por alguns momentos. A consciência se distrai. Durante essa suspensão momentânea, padrões latentes de associação e experiência sensório-perceptiva têm oportunidade de se manifestarem de maneira que podem iniciar um estado de consciência alterado descrito como transe ou hipnose. Há muitos meios de despotencializar as estruturas mentais habituais. Qualquer experiência de choque ou surpresa fixa momentaneamente a atenção e interrompe o padrão de associação anterior. Da mesma forma como o fenômeno de ‘sonho acordado’ quando passamos por causas aflitivas... Qualquer experiência do não-real, do incomum, ou do fantástico, possibilita modalidades alteradas de percepção. A interrupção e a suspensão do nosso sistema de crenças comum e cotidiano foi chamada de Momento Criativo por Ernest Rossi. Mas o que é um Momento Criativo? Tais momentos têm sido exaltados pelos cientistas como uma emocionante ‘premonição’ e pelas pessoas do meio artístico como uma ‘inspiração’. O Momento Criativo ocorre quando um padrão habitual de associação é interrompido; pode haver uma suspensão ou relaxamento ‘espontâneo’ do processo associativo habitual da pessoa; pode haver um choque psíquico, uma fortíssima experiência sensorial ou emocional; um alucinógeno, uma condição tóxica ou uma privação sensorial pode servir como catalisador. Ioga, zen, exercícios espirituais, meditação, hipnose podem, da mesma maneira interromper nossas associações habituais e introduzir um vazio momentâneo na consciência. Nessa fração de segundo em que o conteúdo habitual da consciência é apagado, há a possibilidade para uma iluminação de percepção pura, ‘ a luz pura do vazio’ como descreve Evans-Wentz. Essa fração de segundo pode ser experimentada como um “estado místico”, um “satori”, uma experiência cósmica ou um estado alterado de consciência. Pode ser experienciada como um momento de ‘fascinação’ ou de ‘paixão’ quando o vazio na consciência é preeenchido com o novo que subitamente se impõe. O Momento Criativo é, então, uma brecha no padrão habitual de percepção da pessoa. Bartlett descreveu a maneira como a gênese do pensamento original pode ser entendida como o preenchimento das brechas (gaps) mentais. O novo que aparece nos momentos criativos é, então, a unidade básica do pensamento original e do ‘insight’ assim como da transformação da personalidade. Experienciar um momento criativo pode ser o correlato fenomenológico de uma mudança crítica na estrutura molecular das proteínas dentro do cérebro associada à aprendizagem, ou até mesmo da criação de novos conjuntos celulares. A relação entre o choque psicológico e os momentos criativos é aparente: um choque psíquico interrompe as associações habituais de uma pessoa para que algo novo possa aparecer. idealmente o choque psicológico cria as condições para um momento criativo no qual um novo ‘insight’, atitude, ou transformação comportamental possa ocorrer no sujeito. Na vida cotidiana, tem-se que enfrentar situações difíceis e de perplexidade que chocam um pouco e interrompem o modo normal de pensar. Idealmente, estas situações problemáticas iniciarão um momento criativo de reflexão que pode dar oportunidade para algo novo emergir. Os problemas psicológicos desenvolvem-se quando as pessoas não permitem que as circunstâncias naturalmente mutáveis da vida interrompam seus padrões de associações antigos e defasados e também a experiência para que novas soluções e atitudes possam emergir. Marcelo Martins Moreira

  • biblioteca k-o

    Biblioteca & Pesquisa Digital K - M N - O KARL MARX - Teses sobre Feuerbach - O Capital - Vol. 1 - O Capital - Vol. 2 - A Ideologia Alemã KATHLEEN JAMIESON - Cyberwar KEITH THOMAS - Religião e Declínio da Magia KEN WILBER - Física e Misticismo - Psicologia Integral - Ausência Ego - O Espectro da Consciência LAWRENCE KRAUSS - O Universo que veio do Nada. LEANDRO KARNAL - Crer ou Não Crer - Memória Evanescente - Perdoar e Pecar - Oriente Médio LEONARDO MIDILOW - Subliminar : Como o Inconsciente Influencia nossas vidas LUC FERRY - Aprender a Viver I - Aprender a Viver II - Depois da religião LUDWIG FEUERBACH - A Essência do Cristianismo LIBERTUS FROMONDUS -Sobre : " escape from the Labyrinth of the continuum" (1631) LUCIEN GOLDMANN El hombre y lo absoluto - El Dios Oculto LUIS FELIPE PONDÉ - Crítica e Profecia - A Era do Ressentimento - A Filosofia da Adúltera - Do Humanismo Ridículo - Filosofia para Corajosos - O Homem Insuficiente - Guia Politicamente Incorreto da Filosofia LEIBNIZ, W. G. - MARTIN HEIDEGGER - O que é Metafísica? - Martin Heidegger por Rudiger Safranski MARCEL MAUSS - Sobre a Dádiva - Sociologia e Antropologia - Sobre o Sacrifício - Noção de Pessoa MARCELO GLEISER - A Ilha do Conhecimento - A dança do universo MARILENA CHAUÍ - O que é Ideologia? - Para quê Filosofia? - O Engajamento do Intelectual - Maquiavel - Introdução à História da Filosofia - Filosofia Moderna - Cultura e Democracia - Convite à Filosofia - Iniciação à Filosofia MARK MANSON - A Sutil Arte de ligar o foda-se MIRCEA ELIADE - O Xamanismo e as Técnicas Arcaicas do Êxtase MICHAEL INWOOD - Dicionário Hegel MICHAEL SANDEL - Justiça: o que é fazer a coisa certa. - Justiça - 24 Aulas em Video MICHEL ONFRAY - Antimanual de Filosofia - Cinismos MICHEL MAFFESOLI - A Parte do Diabo MIGUEL SPINELLI - Epicuro e as Bases do Epicurismo MIKHAIL BAKUNIN - A Ilusão do Sufrágio Universal - Deus e o Estado - Notas sobre Rousseau Mortimer Adler - Como Ler livros NORBERT ELIAS - Sobre o Tempo - O Processo Civilizador - vol. 1 - O Processo Civilizador - vol. 2

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Cinemateca O fair use (uso honesto ou uso justo, na tradução literal para o português, melhor entendido como uso razoável, uso aceitável) é um conceito da legislação dos Estados Unidos que permite o uso de material protegido por direitos autoriais sob certas circunstâncias, como o uso educacional (incluindo múltiplas cópias para uso em sala de aula), para crítica, comentário, divulgação de notícia e pesquisa.

  • biblioteca A-E

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A - C ADAM SCHAFF - História e Verdade AGNES HELLER - O Cotidiano e a História - Aristoteles y el mundo antiguo D - E DAN BROWN - O Símbolo Perdido - A Origem DANTE ALIGHIERI - A Divina Comédia AGOSTINHO DE HIPONA - Agostinho - Filme Completo - Soberba - Comentário ao Gênesis ALAIN DE BOTTON - Religião para Ateus - Como Proust pode salvar sua vida ALBERT CAMUS - A Peste - A Queda - Núpcias, o verão - O Mito de Sísifo - O Estrangeiro - O Homem Revoltado DAVID GROSSMAN - Fora do Tempo DANIEL DENNETT - Tipos de Mentes DAVID HUME - Tratado da Natureza Humana - História Natural da Religião DIOGENES LAERCIO - Vida de Epicuro - Vida dos Filósofos Mais Ilustres ALEXANDRE KOJEVE - Introdução à Leitura de Hegel ALFRED NORTH WHITEHEAD - O Conceito de Natureza DOMENICO DE MASI -O Ócio Criativo AMAURI FERREIRA - Introdução à Filosofia de Bergson - Mente e Corpo em Espinosa - Introdução à Filosofia de Spinoza ANDRE COMTE-SPONVILLE - Apresentação da Filosofia - A Felicidade Desesperadamente - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes - Bom Dia Angústia ANDREW SOLOMON - O Demônio do Meio-Dia EDWARD SAID -Orientalismo ELIAS CANETTI A língua absolvida ELIZABETH GILBERT - Comer, Rezar e Amar (Livro) - Comer, Rezar e Amar ( filme ) EMIL CIORAN - Silogismo da Amargura ANSELMO DE CANTUÁRIA - Proslógio EMILE DURHEIM - As Formas Elementares da Vida Religiosa ANTONIO DAMASIO - O Erro de Descartes ARISTÓFANES - A Paz - A Revolução das Mulheres - Os Cavaleiros - As Vespas, as aves, as rãs ARISTÓTELES - Metafísica - Moral a Eudemo - Organon - Poética - Fragmentos dos Dialogos e Obras Exortativas - As Partes dos Animais I (Partibus Animalium I) ÉTIENNE GILSON - Introdução às Artes do Belo - A Filosofia na Idade Média - O Espírito da Filosofia Medieval - Evolução da Cidade de Deus Erich Neumann - História da Origem da Consciência Epicuro - Carta a Meneceu (sobre a felicidade) Ernest Cassirer - Substance and Function & Einstein's Theory of Relativity ARTHUR SCHOPPENHAUER - Aforismos para a Sabedoria da Vida ANTONIO MEDINA RODRIGUES - Agir contra o Destino - Café Filosófico BART D. EHRMAN - Cristianismos Perdidos - História da Bíblia - Jesus Existiu ou Não? - O Problema com Deus - O que Jesus disse, O que Jesus não disse? - Quem escreveu a Bíblia? BARUCH SPINOZA - Tratado Teológico Político - Ética à Maneira dos Geômetras - Tratado da Correção do Intelecto BILL BRYSON - Breve história de quase tudo. BRIAN GREENE - O Tecido do Cosmo - Até o Fim do Tempo BLAISE PASCAL - Filme Completo: - Pensamentos ( Coleção Os Pensadores ) - O Homem perante a Natureza - As Provinciais BOÉCIO - A Consolação da Filosofia BYUNG CHUK HAN - A SOCIEDADE DO CANSAÇO CARL SAGAN - Bilhões e Bilhões - O Universo - Roswell - Pálido Ponto Azul - Cérebro de Broca - O Mundo Assombrado pelos Demônios - O Inverno Nuclear - O Ônus do Ceticismo - Contato (Livro) e Filme: CARLO ROVELLI - Sete Breves Lições de Física - A realidade não é o que parece CÍCERO - Da Natureza dos Deuses CHRISTIAN DUNKER - Mal-Estar, Sofrimento e Sintoma - As Transformações no Sofrimento Psíquico CLAUDIO ULPIANO - Cinema do Pensamento - audio1 - C inema do Pensamento - audio2 - Nietzsche - Forças ativas e reativas - audio - Lucrécio: a suprema felicidade - A Vontade Espiritual na Vida Humana - Hábito e Renovação - Lucrécio CLÓVIS DE BARROS FILHO - A Filosofia Explica as Grandes Questões - A Vida que Vale a Pena ser Vivida - Devaneios sobre a atualidade d'O Capital - Tese de Livre Docência - Utilitarismo - Somos Todos Canalhas - Transcrições de Aulas COLEÇÃO 90 MINUTOS - FILOSOFIA - 31 Títulos Completos COLEÇÃO OS PENSADORES - FILOSOFIA - Edição 1984 - 56 livros

  • Hipnose Transcendental - biblioteca

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Biblioteca Carl G. Jung & Freud Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/2 Biblioteca Marie-Louise von Franz Biblioteca Edward Edinger Biblioteca Sigmund Freud Biblioteca James Hillman Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Joseph Campbell Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Jolande Jacobi Biblioteca Gerhard Adler Biblioteca Connie Zweig Biblioteca Robert A. Johnson Biblioteca Barbara Hanah Biblioteca James Hollis Biblioteca Erich Neumann Biblioteca Alexander Roob Go to link Go to link 1/1

  • Como ajudar alguém com depressão

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa 5 maneiras de ajudar um amigo que sofre com depressão. A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 10% dos adultos lutam contra a depressão. Mas como é uma doença mental, pode ser muito mais difícil de entender do que, digamos, o colesterol alto. Uma das principais fontes de confusão é a diferença entre ter depressão e sentir-se deprimido. Quase todos se sentem de tempos em tempos, mas a depressão clínica é diferente. É um distúrbio médico e não desaparece só porque você quer. Permanece por pelo menos duas semanas consecutivas e interfere significativamente na capacidade de trabalhar, brincar ou amar. É provável que você conheça alguém que sofre de depressão. Aqui estão algumas maneiras que você pode ajudar. 1. Ajude a encontrar ajuda: Se você conhece alguém que está sofrendo de depressão, incentive-os - gentilmente - a procurar ajuda. Você pode até se oferecer para ajudar em tarefas específicas, como procurar por terapeutas na área ou fazer uma lista de perguntas para consultar um médico. Para alguém com depressão, esses primeiros passos podem parecer intransponíveis. 2. Ser informado: Se eles se sentem culpados ou envergonhados, ressalte que a depressão é uma condição médica como a asma ou o diabetes. Não é uma fraqueza ou um traço de personalidade, e eles não devem esperar que “simplesmente superem isso” mais do que poderiam superar um braço quebrado. Quanto mais você souber sobre doença mental, melhor será capaz de entender o que eles estão passando e apoiá-los. 3. Não subestime: se você não sofreu depressão por si mesmo, evite compará-lo a momentos em que se sentiu deprimido - comparando o que ele está vivenciando ao normal, sentimentos temporários de tristeza podem fazê-los sentirem-se culpados por lutarem. 4. Elimine o estigma: mesmo falar abertamente sobre depressão pode ajudar. Por exemplo, pesquisas mostram que perguntar a alguém sobre pensamentos suicidas realmente reduz seu risco de suicídio. Conversas abertas sobre doenças mentais ajudam a corroer o estigma e facilitam as pessoas a pedir ajuda. E quanto mais os pacientes procurarem tratamento, mais os cientistas aprenderão sobre depressão e melhor os tratamentos. 5. Continue a conversa: Como os sintomas da depressão são intangíveis, é difícil saber quem pode parecer bem, mas na verdade está com dificuldades. Só porque seu amigo pode parecer bem um dia, não assuma que "melhorou". Permaneça de suporte. Traduzido do Original: https://blog.ed.ted.com

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A hipnose funciona? Sim. Mas como ela funciona? E até que ponto pode ser usada para controlar melhor a sua própria mente? A hipnose começou a ser praticada no século 18, quando o médico alemão Franz Anton Mesmer defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Viena. Mesmer propunha uma ideia estapafúrdia: a atração gravitacional entre a Terra e outros corpos celestes afetava a saúde das pessoas, sendo responsável por vários tipos de doença mental. Por incrível que pareça, a tese foi aceita e Mesmer recebeu o diploma em 1766. Logo ele começou a desenvolver outra ideia – o corpo humano estava cheio de fluidos magnéticos, cujo desequilíbrio era nocivo e deveria ser corrigido. No tratamento, o paciente ficava sentado numa cadeira enquanto Mesmer olhava em seus olhos, pedia que se concentrasse ou tocava em seus braços e mãos – técnicas similares às da hipnose moderna. Em 1778, depois que não conseguiu curar uma pianista acometida de cegueira nervosa, Mesmer foi expulso de Viena e se instalou em Paris. Mais ousado, ele passou a andar vestido de violeta e a usar uma varinha de condão (objeto que ele inventou). Sua clínica foi o maior sucesso, e em 1784 o rei Luis 16 formou uma comissão de cientistas notáveis, que incluía Antoine Lavoisier e Benjamin Franklin, para estudar os poderes de Mesmer. Eles concluíram que se tratava de um charlatão (a teoria dos fluidos magnéticos, claro, era pura bobagem), mas que tinha alguns poderes: ele representava um perigo para a sociedade, porque supostamente era capaz de “mesmerizar” – palavra que se tornou um sinônimo de enfeitiçar – as pessoas contra a vontade delas. As técnicas de Mesmer foram proibidas, e a hipnose começou a se transformar em show circense. Mas alguns discípulos continuaram a acreditar na sua eficácia como tratamento. Um deles era o médico escocês James Braid. Em 1843, ele resolveu trocar o nome da mesmerização para torná-la mais aceitável. E cunhou o termo “hipnose” – que vem de Hypnos, a deusa grega do sono. Braid adotou uma abordagem mais científica, e a partir daí a hipnose passou a ser estudada por gente mais séria – como o francês Jean-Martin Charcot (1825-1893), considerado o pai da neurologia, o psicólogo russo Ivan Pavlov (1849-1936) e o próprio Freud, que chegou a hipnotizar seus pacientes no começo da carreira. Mesmo assim, a hipnose só começou a ser aceita pela ciência em 1997, quando o psiquiatra americano Henry Szechtman fez uma experiência com 8 voluntários. Eles foram vendados e ouviram uma gravação que repetia a seguinte frase: “O homem não fala muito. Mas, quando ele fala, vale a pena ouvir o que diz”. Szechtman desligou o som e pediu aos voluntários que tentassem imaginar a frase. Em seguida, hipnotizou todo mundo e disse que iria tocar a fita novamente. Era mentira; não havia som nenhum. Mesmo assim, os voluntários disseram ter ouvido a gravação – eles sofreram uma alucinação auditiva por causa da hipnose. Monitorando o cérebro dos voluntários, o cientista descobriu o seguinte. Durante a alucinação e quando a gravação estava tocando de verdade, a atividade do cérebro era idêntica. Já quando as pessoas apenas imaginavam o som, a atividade era diferente. Outros estudos comprovaram esse efeito, e permitiram chegar a uma conclusão definitiva: a hipnose existe, não é fingimento e tem um efeito característico sobre o cérebro – é uma simulação perfeita da realidade, muito mais forte que a imaginação ou a autossugestão. Uma pessoa hipnotizada pode literalmente ver, ouvir e sentir o que é sugerido pelo hipnotizador. Mas como isso acontece? A resposta começou a aparecer num teste feito pelo neurocientista Pierre Rainville, da Universidade de Montreal. Ele pediu que voluntários mergulhassem a mão em tigelas com água muito quente (a 47 oC). Como estavam hipnotizadas, as cobaias não sentiam dor. Rainville observou o cérebro daquelas pessoas e descobriu algo estranho. O sistema límbico, que é um pedaço primitivo do cérebro que nós herdamos dos répteis e processa os sinais que vêm do corpo, como a dor, estava operando normalmente. Mas o neocórtex, uma região cerebral que só existe nos mamíferos avançados e é responsável pela nossa consciência, ignorava os sinais do sistema límbico. É como se, durante a hipnose, o “cérebro humano” parasse de se comunicar com o “cérebro reptiliano”. É por isso que a hipnose tem efeitos tão profundos. A pessoa não fica dormindo. Fica acordada, consciente e sabendo que está sendo hipnotizada. A diferença é que, como o neocórtex é privado das informações fornecidas pelo sistema límbico (que além de processar a dor também controla a memória e reações como desconfiança, vergonha, medo, fome, iniciativa, prazer e desejo sexual), a consciência fica sem reservas nem referências – e, por isso, totalmente vulnerável às sugestões do hipnotizador. Esse poder pode servir para obrigar uma pessoa a imitar uma galinha, mas também tem uso terapêutico. O Conselho Federal de Odontologia regulamentou o uso da hipnose – os dentistas devidamente qualificados podem utilizá-la como complemento da anestesia. E o Conselho Federal de Medicina já reconhece a hipnose como ferramenta no tratamento de dores crônicas (o Hospital das Clínicas, em São Paulo, oferece a hipnoterapia como opção para tratar as dores de pacientes de câncer) e em várias formas de psicoterapia – há estudos comprovando que ela é eficaz contra o tabagismo, a ansiedade, a depressão e outros transtornos psíquicos. Pesquisas recentes também constataram, de maneira surpreendente, efeitos fisiológicos da hipnose: há indícios de que possa ajudar no tratamento de hipertensão e de problemas gastrointestinais e no sistema imunológico. Tudo isso depende, claro, do seu grau de sensibilidade. Por que algumas pessoas podem ser completamente tomadas pela hipnose, enquanto outras são imunes a ela? E como técnicas tão banais, como balançar um reloginho na frente de uma pessoa, podem ter tanta força sobre a mente? A hipnose é muito mais comum do que se imagina. Você já deve ter se auto-hipnotizado milhares de vezes e nem percebeu. Um exemplo: sabe quando você está indo para algum lugar, mas acaba se distraindo com os próprios pensamentos e ao chegar nem se lembra do caminho que fez? É uma forma fraquinha de hipnose. O estado hipnótico é parecido com o que acontece quando você fica absorto, lendo um livro ou vendo um filme. É um estado de grande atenção, em que o cérebro foca em uma coisa e se desliga do resto. Mas não tem nada de extraordinário; é um mecanismo que faz parte do funcionamento normal do cérebro. Existem vários métodos de hipnotizar, mas todos seguem a mesma lógica. Tanto faz se o hipnólogo balança um objeto ou diz palavras suaves – o que conta é prender a atenção da pessoa e reduzir seu grau de inibição. Se essas duas condições forem atendidas, pronto: você conseguiu calar o sistema límbico e cativar o neocórtex, e a pessoa está hipnotizada. Para o psicólogo americano Michael Nash, autor de dezenas de estudos sobre hipnose e organizador do maior livro sobre o assunto, o Oxford Handbook of Hypnosis, nossa suscetibilidade à hipnose pode ser obra da seleção natural. Ao longo da evolução da humanidade, em que as situações de dor eram muito mais comuns do que hoje (a anestesia como a conhecemos só foi inventada no século 19), quem tinha mais capacidade de ignorar o próprio sistema límbico e suportar o sofrimento físico levou vantagem na vida. Viveu mais e gerou mais descendentes, que foram espalhando essa característica pela humanidade. É por isso que, hoje, 80% da população mundial é hipnotizável em algum grau. Mas como medir o grau de sensibilidade à hipnose? Os métodos mais famosos são a Escala Grupal de Harvard, criada em 1962, e a Escala Stanford, de 1959. Este último, individual, é o mais usado pelos pesquisadores. Consiste num teste de mais ou menos 50 minutos, com 3 sessões de 12 exercícios que testam habilidades hipnóticas cada vez mais difíceis – como regressar mentalmente à infância, ficar sem poder abrir os olhos, obedecer a uma sugestão pós-hipnótica (pular da cadeira sempre que ouvir determinado som, por exemplo), tornar-se incapaz de sentir odores fortes e desagradáveis, e o exercício mais difícil de todos, esquecer tudo o que aconteceu durante a sessão. Esses testes foram aplicados em milhares de pessoas, ao longo de várias décadas, e descobriram várias coisas. A sensibilidade à hipnose se mantém estável durante a vida (é a mesma na infância, na idade adulta e na velhice), não tem relação com o sexo, a escolaridade ou a inteligência das pessoas. E é hereditária. Existe um teste rápido que você mesmo pode fazer. Leia a frase a seguir: “Quando o carro vermelho buzinou, o cachorro preto latiu e chegou ao portão da casa amarela”. Agora feche os olhos e responda: quais são as cores das palavras desta frase? Não estou perguntando os nomes escritos; quero saber as cores da tinta que usamos para imprimir as palavras em destaque. Se o seu cérebro é um pouco hipnotizável, como o de 80% das pessoas, você terá alguma dificuldade para responder – porque sua mente aprendeu e sabe, instintivamente, que o significado das palavras é mais importante que a cor delas. Já se você for extremamente hipnotizável, como 15% da população, respondeu no ato e sem problemas. Isso se deve a uma diferença estrutural no cérebro. Pesquisas feitas na Universidade de Virgínia, nos EUA, revelaram que o cérebro das pessoas altamente hipnotizáveis possui duas características marcantes. É mais assimétrico – a divisão de tarefas entre os dois hemisférios do cérebro é mais intensa do que em pessoas comuns. E seu corpo caloso, estrutura que conecta o hemisfério esquerdo ao direito, é em média 31,8% maior. Os cientistas especulam que a superconexão faça as informações fluir mais facilmente dentro do neocórtex (que se divide entre os dois hemisférios do cérebro). E por isso o cérebro tenha maior facilidade em suprimir, ou ignorar, a atuação do sistema límbico. A hipnose é uma ferramenta poderosa, que já vem embutida no cérebro e pode ser usada de maneira positiva. Por esse motivo, em meus 20 anos de estudos pessoais na área a denominei de Hipnose Transcendental. Ela é um mecanismo anterior ( ‘a priori’ ) à sua própria escolha consciente e faz parte do seu dia a dia inconsciente. Nesse sentido também é naturalista. O pior que pode acontecer é ela não funcionar com você. Mas calma… você é pelo menos um pouquinho hipnotizável, não é? Eu sei que sim...

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