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  • Artigos

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Série : Exercícios Filosóficos para Vida Cotidiana Silêncio Ensaios e Artigos Kenose e Ágape Eudaimonia Alma e Graça Divina em Agostinho de Hipona Jogue fora suas batatas Solipsismo A Navalha de Ockham A Fuga de Nós Mesmos O Arrependimento no Budismo O Silêncio Interior Sentimento Oceânico

  • Exercícios Filosóficos - Silêncio

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Exercícios Filosóficos para a Vida Cotidiana O silêncio Marcelo Martins Moreira Pesquisador independente Introdução — Filosofia como prática de transformação É possível estudar filosofia durante anos sem que ela produza qualquer mudança perceptível em nossa maneira de viver. Podemos conhecer conceitos, escolas, autores e sistemas; discutir argumentos sofisticados e reconstruir a história das ideias. Ainda assim, quando a vida nos coloca diante da ansiedade, da perda, da raiva, da incerteza ou da necessidade de escolher, talvez continuemos reagindo exatamente como antes. A tradição filosófica antiga permite pensar uma relação diferente com o pensamento. Para muitas escolas da Antiguidade, filosofar não significava apenas construir teorias sobre a realidade, mas assumir uma determinada maneira de viver. A filosofia podia envolver exercícios de atenção, meditação, exame de si, preparação para as dificuldades, leitura, diálogo e transformação dos hábitos. O conhecimento filosófico pretendia, assim, tornar-se experiência — uma forma de presença no mundo. É nesse horizonte que se situa o trabalho de Pierre Hadot. Ao estudar a filosofia antiga, Hadot recuperou a noção de filosofia como modo de vida e chamou atenção para aquilo que denominou “exercícios espirituais”. A expressão pode causar estranhamento porque, no uso contemporâneo, “espiritual” costuma remeter imediatamente à religião. Em Hadot, porém, ela possui um alcance mais amplo: trata-se de práticas capazes de envolver não apenas o intelecto, mas a pessoa em sua totalidade, modificando sua maneira de perceber, julgar e agir . A escolha do termo “exercícios filosóficos”, nesta série, é deliberada. Procura tornar a proposta mais acessível sem abandonar a inspiração de Hadot. O objetivo não é oferecer uma coleção de técnicas de autoajuda, nem transformar a filosofia em uma receita para uma vida perfeita. Trata-se de experimentar, no cotidiano, determinadas atitudes filosóficas e observar o que elas fazem conosco. O exercício filosófico começa, portanto, quando uma ideia deixa de ser apenas algo que compreendemos e passa a ser algo que praticamos. Epicteto oferece uma imagem particularmente adequada para essa proposta: “Doravante, a matéria sobre a qual devo trabalhar é o pensamento, tal como a do carpinteiro é a madeira e a do sapateiro, o couro; meu trabalho consiste em fazer bom uso das minhas representações” . A passagem expressa uma ideia fundamental: o pensamento não é apenas aquilo que temos; ele também pode ser matéria de trabalho. Primeiro exercício: o silêncio O primeiro exercício desta série é o silêncio. A escolha não é casual. Vivemos em uma época na qual o silêncio se tornou progressivamente difícil. Há sempre alguma coisa acontecendo: mensagens, notificações, vídeos, música, conversas, notícias, publicidade, podcasts e redes sociais. Mesmo quando o ambiente externo está silencioso, continuamos frequentemente acompanhados por uma sucessão incessante de pensamentos, lembranças, preocupações e antecipações. Por isso, antes de perguntar o que devemos pensar, talvez seja necessário perguntar se ainda sabemos ficar em silêncio. O silêncio pode ser desconfortável. Em situações sociais, muitas pessoas sentem necessidade de preenchê-lo imediatamente. Um elevador silencioso parece pedir uma intervenção. Uma refeição sem conversa pode parecer estranha. Um momento sem celular pode produzir uma inquietação que rapidamente procuramos eliminar. Mas existe também outro silêncio: aquele que não produz vazio, e sim espaço. O silêncio de uma criança dormindo, de uma paisagem, de uma caminhada solitária, de uma sala de oração ou simplesmente de alguns minutos em que ninguém nos exige uma resposta. Esse silêncio pode ser uma experiência de repouso e atenção. É importante, porém, distinguir silêncio de ausência absoluta de som. O objetivo do exercício não é criar uma câmara anecoica, nem fugir de todos os estímulos. O que se busca é interromper voluntariamente, por um período determinado, a cadeia habitual de estímulos e respostas. O silêncio exterior será utilizado como condição para observar aquilo que normalmente permanece encoberto pelo ruído. Do silêncio exterior ao silêncio interior O primeiro obstáculo aparece quando finalmente nos calamos: percebemos que o barulho não estava apenas fora. Quando diminuímos as distrações, surgem as chamadas “vozes na cabeça”: pensamentos que se sucedem sem que tenhamos decidido conscientemente iniciá-los. Uma preocupação chama outra; uma lembrança conduz a uma fantasia; uma tarefa futura interrompe a percepção do presente. Tentamos permanecer quietos e descobrimos que, por dentro, continuamos falando. Não é necessário combater esses pensamentos. Aliás, tentar esvaziar completamente a mente pode transformar o exercício em mais uma tarefa de controle. O objetivo inicial é mais simples — e, talvez por isso mesmo, mais difícil: perceber. Perceber o pensamento sem imediatamente segui-lo. Perceber a vontade de pegar o celular sem pegá-lo. Perceber o impulso de preencher o silêncio com música, leitura ou conversa. Perceber o desconforto que aparece quando nada parece exigir nossa atenção. O silêncio, nesse sentido, torna-se uma espécie de laboratório da atenção. Podemos pensar esse espaço interior como um castelo, desde que não o imaginemos como uma fortaleza destinada a nos separar do mundo. Ele seria antes um lugar de recolhimento provisório, no qual a pessoa pode observar os movimentos que a atravessam antes de obedecer a cada um deles. Também podemos pensá-lo como um jardim. Quando paramos de revolver continuamente a terra, percebemos as ervas que já estavam ali. Hoje, uma dessas ervas é o hábito de recorrer ao celular a cada intervalo de silêncio. Não porque o aparelho seja, em si, um problema, mas porque a disponibilidade permanente de estímulos pode dificultar a experiência de permanecer consigo mesmo. Silêncio e escuta O silêncio filosófico não é simplesmente calar-se. É também aprender a escutar. A tradição monástica oferece exemplos históricos de práticas sistemáticas de silêncio e contenção da fala. A Regra de São Bento, especialmente em seu capítulo 6, associa a moderação da palavra à possibilidade de ouvir: “ao discípulo convém calar-se e ouvir” . Nesta série, essa tradição não será tomada como prescrição religiosa, mas como testemunho histórico de uma intuição que também pode ser investigada filosoficamente: reduzir a fala pode ampliar a capacidade de escuta. Escutar o outro sem preparar imediatamente uma resposta. Escutar uma ideia antes de julgá-la. Escutar o próprio pensamento antes de transformá-lo em discurso. Escutar aquilo que sentimos sem precisar nomeá-lo imediatamente. Há, portanto, uma dimensão ética no silêncio. Quem não suporta permanecer em silêncio pode ter dificuldade também em suportar a presença do outro sem tentar dominá-la com a própria palavra. O silêncio não é necessariamente submissão, indiferença ou ausência. Pode ser uma forma de atenção — e, em certas circunstâncias, uma forma de respeito. O exercício Não é necessário começar com longos períodos de retiro. O exercício filosófico deve ser suficientemente simples para entrar na vida cotidiana. Durante sete dias, escolha um período fixo de aproximadamente quinze minutos. Pode ser pela manhã, à noite ou em outro horário no qual você consiga permanecer sem interrupções. Durante esses quinze minutos: - desligue as notificações e coloque o celular fora do alcance imediato; - permaneça em um lugar relativamente silencioso; - não utilize música, vídeo, podcast ou leitura para preencher o período; - sente-se confortavelmente e permita que a respiração encontre seu ritmo natural; - não tente eliminar os pensamentos; observe-os quando surgirem; - quando perceber que foi levado por uma preocupação, lembrança ou fantasia, reconheça isso e retorne à experiência presente; - ao final, permaneça mais um minuto em silêncio antes de retomar suas atividades. Depois do exercício, faça uma breve anotação. Não escreva uma análise sofisticada. Registre apenas o que percebeu: o que foi difícil, quais pensamentos apareceram, qual foi sua primeira vontade, se houve inquietação, tédio, tranquilidade ou alguma outra experiência. O objetivo não é produzir um estado especial de consciência. Se você passou quinze minutos inquieto, esse também é um resultado. Se percebeu uma quantidade surpreendente de pensamentos, isso também é um resultado. Se experimentou tranquilidade, registre-a sem transformá-la em obrigação para o dia seguinte. Uma pequena disciplina A força do exercício está na repetição. Um único momento de silêncio dificilmente modifica um hábito. A prática começa a ganhar significado quando o silêncio deixa de ser um acontecimento excepcional e passa a ocupar um lugar reconhecível na rotina. Depois de algum tempo, talvez seja possível ampliar o período. Quinze minutos podem transformar-se em vinte. Uma caminhada pode ser realizada sem fones de ouvido. Uma refeição pode ser feita sem a necessidade de consultar uma tela. Uma conversa pode conter pausas sem que elas sejam imediatamente preenchidas. A finalidade não é tornar-se uma pessoa silenciosa. É adquirir maior liberdade diante da necessidade compulsiva de falar, ouvir, consumir e responder. É nesse ponto que o silêncio se torna um exercício filosófico: ele não vale por si mesmo, mas pelo tipo de relação consigo, com os outros e com o mundo que pode tornar possível. Para além do silêncio O exercício proposto aqui não pretende conduzir a uma experiência religiosa nem pressupõe uma determinada crença. A palavra “espiritual”, no horizonte de Hadot, procura justamente indicar que o exercício filosófico pode envolver mais do que a compreensão intelectual de uma proposição. Ele pode modificar nossa maneira de perceber e habitar o mundo. Por isso, nesta série, preferimos falar em Exercícios Filosóficos para a Vida Cotidiana. A expressão preserva a ideia central de que filosofar é também exercitar-se. O silêncio é apenas o primeiro exercício. Talvez, ao praticá-lo, descubramos algo bastante simples: não precisamos preencher imediatamente todo espaço vazio. Algumas vezes, é justamente quando deixamos de falar que começamos a perceber o que estava tentando ser ouvido. Referências bibliográficas HADOT, Pierre. *Exercícios espirituais e filosofia antiga*. Tradução de Flávio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. São Paulo: É Realizações, 2014. HADOT, Pierre. Philosophy as a Way of Life: Spiritual Exercises from Socrates to Foucault. Edited with an introduction by Arnold I. Davidson. Oxford: Blackwell, 1995. EPICTETUS. Discourses. Book III, chapter 22. In: OLD FATHER, W. A. (ed. and trans.). Epictetus: The Discourses as Reported by Arrian, the Manual, and Fragments. Cambridge, MA: Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1925 BENEDICT OF NURSIA. RB 1980: The Rule of St. Benedict in Latin and English with Notes. Edited by Timothy Fry, O.S.B. Collegeville, MN: The Liturgical Press, 1981. Cap. 6. ARCE, Karen F. “On Silence in the Rule of St. Benedict: A Study of Chapter 6: 1–6”. Obsculta, v. 14, n. 1, p. 116–132, 2021. MOTTE, André. “Pierre Hadot, Exercices spirituels et philosophie antique”. Kernos, n. 1, 1988. DOI: 10.4000/kernos.138.

  • Hipnose Transcendental?

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Hipnose Transcendental? É um modelo terapêutico criado e desenvolvido por mim e baseado em mais de 25 anos de experiência clínica em hipnoterapia clássica somado ao estudo de terapias diversas de acesso ao inconsciente. Trata-se de um conjunto de novas técnicas de uso dos estados alterados de consciência sempre utilizadas com finalidade terapêutica, onde mesclam-se os conceitos da Psicologia Profunda de Carl G. Jung, a Utilização Terapêutica de Conceitos e Escolas Filosóficas Clássicas e a Hipnoterapia de Milton Erickson. Como funciona na prática? Através de sessões individuais e personalizadas, inicialmente centradas nas demandas psicológicas relatadas pelo paciente na avaliação inicial, traçamos um plano de sessões que podem variar de 5 a 10 incialmente, onde o paciente é exposto a um mix de terapias alternativas, incluindo Técnicas Cognitivo- Comportamentais, Técnicas de Imaginação Ativa, Meditação, Respiração, Psicanálise Junguiana e Regressão Ericksoniana, possibilitando assim, um mergulho profundo no Inconsciente e suas necessidades. Com o decorrer das sessões que podem ter duração de 60 a 90 minutos, vai-se avaliando o progresso do paciente frente à sua problemática inicial, possibilitando a qualquer tempo, um ajuste de abordagem conforme o avanço positivo ou negativo dos tratamentos aplicados. A quem se destina ? Todos aqueles que buscam um maior conhecimento da causa de seus problemas no mundo da vida, àqueles que se sentem impotentes frentes às vicissitudes, e a todos que queiram um maior aprendizado das causas ocultas das aflições diárias, incluindo Ansiedade, Estresse Crônico, Estados Depressivos, Mudança de Hábitos, Problemas de Relacionamento Interpessoal, Perda de Foco Profissional e Medos de qualquer instância, dentre outros.

  • Psicoterapia

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Psicoterapia Analítica Profunda? Dentro das diferentes escolas psicanalíticas e psicoterapêuticas que emergiram das abordagens de Sigmund Freud e que às vezes estão incluídas sob o termo de psicologia profunda ( psicologia analítica junguiana), existe a premissa da existência de um substrato psíquico contendo fatores inconscientes que condicionam e determinam as formas de pensar, sentir e agir de indivíduos. Para a psicanálise freudiana, o inconsciente é um conglomerado de fantasias e desejos reprimidos pelo indivíduo em seu processo de adaptação à esfera social . Portanto, refere-se a conteúdos relacionados à história pessoal do indivíduo, dando especial importância à memória para se relacionar com as figuras parentais. O psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, está em parte de acordo com esta ideia, mas argumenta que, além do conteúdo biográfico, no inconsciente também é possível identificar elementos que fazem parte da história filogenética da humanidade. Propor, então, que, além do inconsciente pessoal, existe um inconsciente coletivo composto de protótipos de experiências e comportamentos compartilhados por todos os seres humanos como uma espécie. O psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, está em parte de acordo com este orçamento, mas argumenta que, além do conteúdo biográfico, no inconsciente também é possível identificar elementos que fazem parte da história filogenética da humanidade . Propor, então, que, além do inconsciente pessoal, existe um inconsciente coletivo composto de protótipos de experiências e comportamentos compartilhados por todos os seres humanos como uma espécie. Esses padrões de comportamento que Jung chamou de arquétipos , estão intimamente relacionados aos instintos, na medida em que eles operam como estímulos que nos obrigam a realizar certos comportamentos e promover reações típicas a várias circunstâncias de nossas vidas (emancipar-se dos pais , formar uma família, ter prole, buscar sustento, apropriar-se de um território, participar do coletivo, transformar a ordem social, a morte). Ao contrário dos instintos, que são unidades com um circuito de realização relativamente fechado e concreto, os arquétipos se comportam de forma aberta e simbólica ; No entanto, a não realização também é uma fonte de desconforto e frustração. Jung argumenta que é possível inferir a existência de arquétipos de suas manifestações, uma das quais são as imagens e estruturas dramáticas típicas que podem ser encontradas, com diferentes roupas culturais, nas narrativas mitológicas e fantásticas de diferentes lugares e tempos. . Os mitos nos mostram como a humanidade enfrentou diferentes situações críticas e, embora algumas delas tenham milhares de anos, continuam a ressoar e ter um impacto na nossa psique como os desafios que eles aludem para continuar a acompanhar-nos. Jung enfatiza que não é possível em muitas ocasiões induzir contato direto ou indireto entre os povos para explicar as semelhanças estruturais dos mitos. Também é relevante que esses dramas e personagens típicos também surjam espontaneamente em delírios e alucinações psicóticas, bem como em estados alterados de consciência como efeito de práticas meditativas ou pela ingestão de substâncias psicodélicas. Alguns sonhos cujo conteúdo não pode ser relacionado a aspectos biográficos também podem ser uma expressão de imagens arquetípicas. Freud e Jung não só distanciaram-se por suas diferentes concepções quanto ao inconsciente, mas também por suas abordagens à natureza da energia fundamental que move os seres humanos : a libido . Como é sabido, a libido é, segundo Freud, de natureza sexual, enquanto que para Jung, a sexualidade é apenas uma das manifestações de uma energia vital muito mais abrangente e abrangente. Jung descreve a libido então como uma energia criativa, que é a origem e o motor do universo . Essa energia se manifesta nos seres humanos como um desejo de transcendência, de realização, de ampliação da consciência. Jung descobriu que esse processo de manifestação e desdobramento da energia vital manifesta-se míticamente através do arquétipo do herói solar. Este arquétipo que é o protótipo de muitas histórias antigas e contemporâneas em que a transformação do herói é narrada ( The Odyssey , Star Wars , The Lord of the Rings ) Através de uma série de jornadas e aventuras (para empreender uma jornada, lutar com o dragão, descida ao submundo, morte, renascimento) e encontro e confronto com outros arquétipos (sombra, animus-anima, velho sábio, a grande mãe ) o herói entra em relação com as forças do submundo (o inconsciente), encontra o tesouro procurado e retorna ao seu local de origem para compartilhar a "luz", a sabedoria, com seu povo. Jung propõe entender esta estrutura mítica, como uma projeção de um processo psíquico de transformação e evolução ao qual somos todos chamados. Cada alma humana é forçada a enfrentar uma série de circunstâncias que o levam a manifestar sua vocação, seu chamado particular, seu contributo singular para o coletivo, para o mundo. Ele se manifesta como um desejo de conhecimento, de superação, de totalidade. Este caminho evolutivo, chamou de processo de individuação e também é considerado como um símbolo da transformação gradual do ego em seu confronto e adaptação às forças do inconsciente e do mundo externo. Os arquétipos são humanizados em indivíduos no que Jung chamou de complexos afetivos pessoais . Os complexos, além de serem imbuídos pelos arquétipos, são alimentados por nossas experiências pessoais . Eles podem ser considerados como um conjunto de imagens e representações, carregadas emocionalmente, em torno de um tema comum (relacionamento com o pai ou mãe, poder, erotismo, etc.) Diferentes circunstâncias da nossa vida constelam, isto é, tornam-se complexos e mais importantes. Um complexo constelado altera nossa percepção e vontade consciente, matizando-a com os traços dos arquétipos correspondentes adicionados às experiências anteriores em relação ao mesmo tema. Antigas possessões demoníacas e distúrbios de personalidade múltipla são expressões de complexos altamente constelados. Nestes casos, eles se comportam como invasões maciças do inconsciente que oprimem e anulam as funções do ego e da consciência. Os complexos são expressos em nossa psique como restrições, necessidades, pontos de vista, reações emocionais, sentimentos de admiração ou desprezo desproporcional, idéias obsessivas. Eles têm a faculdade de se personificar em nossos sonhos e de gerar eventos e circunstâncias no mundo físico com significados análogos (somatizações, acidentes, encontros com pessoas, repetição do tipo de relacionamento final). A capacidade de externalização dos arquétipos e complexos é a base do fenômeno descrito por Jung como sincronia . Os complexos afetivos são considerados as partículas constituintes da psique inconsciente, portanto, não só eles fazem parte do escopo da psicopatologia . Eles funcionam como se em nossa casa vivessem animais de estimação, que, se os ignorarmos ou ignorássemos, mais cedo ou mais tarde acabarão contra nós, causando vários estragos. A alternativa é entrar em contato com eles, prestar atenção às suas necessidades, de modo que, com o tempo e o esforço, conseguimos domesticá-los, podendo mesmo fazer uso de seus recursos potenciais. O inconsciente, quer queira ou não, vai agir em nós, então o mais apropriado é entrar em seus mistérios Este diálogo com nossos complexos, com nossos personagens interiores, que, como vimos, é a expressão do drama para a realização do nosso eu mais profundo, requer a implantação de uma atitude simbólica através da imaginação e da criatividade. A imaginação é reconhecida como a propriedade simbólica de unir e reconciliar polaridades; para expressar, sugerir e evocar o incontrolável; para abordar de forma abrangente os fenômenos não classificáveis através do conceito e da racionalidade. O analista James Hillman propõe a imaginação como a língua da alma . O imaginário manifesta-se espontaneamente nos sonhos e é por isso que sua interpretação é uma parte fundamental da psicoterapia junguiana. Também é possível induzir artificialmente o imaginário no espaço terapêutico através da técnica da imaginação ativa . Isso consiste em dar a oportunidade de se expressar ao conteúdo do inconsciente, fazendo uso de sua capacidade de personificação. Em seguida, propõe-se entrar em contato com nossos personagens interiores, ouvi-los com atenção e rigor, interagindo e conversando com eles como se fossem entidades reais. Nossos personagens internos podem ser evocados através da imagem de um sonho, uma emoção intensa, um sintoma. Cada um de nós tem uma modalidade que facilita essa comunicação. Há pessoas que podem ouvir vozes, ou percebem imagens interiores, algumas são expressas através dos movimentos do corpo em uma espécie de dança. Para outros, o contato com o inconsciente é possível através da escrita automática, uma técnica usada pelos surrealistas. Jung diferencia as fantasias ociosas com a imaginação ativa, enfatizando que, no último, o ego assume uma atitude ativa, isto é, não aceita passivamente e submissivamente as vozes e imagens do inconsciente , mas sim as interpela . A atitude ativa implica apoiar e manter a tensão com o inconsciente, permitindo o que ele chama de função transcendente, ou seja, um novo nascimento, o surgimento de uma nova atitude, produto desse confronto. A função transcendente da psique é o que torna possível a conciliação de opostos aparentemente irreconciliáveis. É o surgimento de um terceiro elemento ou perspectiva, que inclui e integra os elementos em disputa. É um processo de conflito, negociação e acordos transitórios. A técnica da imaginação ativa é freqüentemente usada em estágios avançados de análise, uma vez que requer um ego estruturado que suporte a tensão dos opostos e não sucumbir a uma dissociação ou identificação com alguns dos conteúdos do inconsciente. Jung enfatiza que levar o inconsciente a sério não significa levá-lo literalmente, mas dar crédito, dando-lhe a oportunidade de cooperar com a consciência, em vez de perturbá-lo automaticamente. Essa cooperação do inconsciente está relacionada ao princípio auto-regulador da psique , um conceito fundamental na perspectiva junguiana. A psique é como um sistema dinâmico de forças opostas (consciente-inconsciente, progressão-progressão da libido, matéria-logos), com uma tendência intrínseca de manter um equilíbrio. Este mecanismo de auto-regulação implica uma interação permanente de compensação e complementaridade entre os componentes psíquicos. O estado de equilíbrio psíquico é alterado de forma regular por estímulos provenientes da labilidade do mundo interno e externo. Esta alteração requer modificações que tendem a se adaptar aos novos requisitos, promovendo na psique uma transformação para etapas cada vez mais complexas e integrais. Os sintomas neuróticos (obsessões, depressão, ansiedade, acidentes, somatizações, repetição de padrões de relacionamento, auto-sabotagem) são expressões de uma tentativa da psique inconsciente na busca desse estado de equilíbrio mais elevado. Uma tentativa de criar consciência dos tropeços. O diálogo com a psique inconsciente através da imaginação permite que o mecanismo de auto-regulação da psique atue sem ter que recorrer a fenômenos sintomáticos. De alguma forma, antecipa os acontecimentos e evita essa sentença junguiana pela qual, "tudo o que não é feito consciente será vivido no exterior como um destino". O mecanismo de auto-regulação da psique é chamado pelo analista James Hillman como nosso 'daimon' interno . Com este conceito helênico, ele tenta aludir a essa força que nos leva ao bem e ao mal para expressar nossa vocação, nossa chamada particular . A imaginação e a criatividade são então um meio para interpretar as piscadelas do destino, os sinais do nosso daimon. O desenvolvimento da atitude simbólica destinada a promover a psicoterapia junguiana através da imaginação, nos permite escapar da estreita literalidade dos fatos. Isso nos dá acesso a lógicas subalternas paradoxais. Ele nos liga à polissemia profunda dos eventos através de símbolos, analogias e correspondências. A atitude simbólica também amplia nossa sensibilidade e vontade de responder de forma construtiva a toda a diversidade de vida que reúne e integra e coexiste com nossos aspectos sombrios. O diálogo com o inconsciente nos permite tornar-nos co-criadores de nossa realidade e não simplesmente escravos ou vítimas de circunstâncias. Referências Bibliográficas Hillman, J. (1998). O código da alma. Barcelona, Martínez Roca. Jung, CG (1981). Arquetipos e inconsciente coletivo. Barcelona, Paidos. Jung, CG (1993) Estrutura e dinâmica da psique. Editorial Paidós Jung, CG (2008). Os complexos e o inconsciente. Madrid, Alliance.

  • Navalha de Ockham

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Marcelo M. Moreira Pesquisador Independente | Curador Editorial | Palestrante | Psicoterapeuta Analítico Graduado em Filosofia • Psicologia Analítica • Hipnose Clínica • Medicina Comportamental 🧠 Quem Sou Sou graduado em Filosofia, especialista em Medicina Comportamental pela Unifesp, pesquisador independente, palestrante e psicoterapeuta analítico. Minha atuação concentra-se na interseção entre filosofia, psicologia analítica, hipnose clínica e medicina comportamental, articulando essas áreas na pesquisa e na prática clínica. Minha trajetória reúne formação acadêmica, pesquisa contínua e prática clínica, sempre orientadas pela investigação da consciência, dos processos simbólicos e da transformação psicológica. Busco integrar a tradição filosófica, a psicologia profunda e os conhecimentos contemporâneos sobre mente, comportamento e desenvolvimento humano. Ao longo de mais de uma década de estudos e prática clínica, desenvolvi a Hipnose Transcendental, uma proposta interdisciplinar que articula filosofia da mente, metafísica, psicologia analítica, hipnose clínica e estratégias de mudança comportamental. Mais do que uma metodologia terapêutica, a Hipnose Transcendental constitui um campo permanente de pesquisa sobre a natureza da consciência, do simbolismo e das possibilidades de transformação da experiência humana. "Tenho especial interesse em compreender como imagens, símbolos, narrativas e estados ampliados de consciência atuam como mediadores da transformação psicológica, tanto na clínica quanto na experiência existencial." 🎓 Formação e Áreas de Atuação Formação • Graduação em Filosofia - UCB • Formação em Psicoterapia Analítica Junguiana - Facis • Formação em Hipnose Clínica - Psicobiologia - Unifesp • Formação em Medicina Comportamental - Unifesp Educação, Formação e Difusão do Conhecimento • Filosofia da Consciência • Psicologia Analítica • Estados Alterados de Consciência • Arquétipos e Simbolismo • História da Hipnose • Desenvolvimento Humano • Relações entre Mente, Corpo e Comportamento Hipnose Transcendental Uma proposta interdisciplinar para compreender a mente humana. A Hipnose Transcendental nasceu da integração entre diferentes campos do conhecimento que convergem para uma compreensão mais ampla da experiência humana. Sua estrutura fundamenta-se em quatro eixos complementares: Filosofia — especialmente a filosofia da mente e a metafísica, como base para compreender a consciência e a experiência subjetiva. Psicologia Analítica — os conceitos desenvolvidos por Carl Gustav Jung, como arquétipos, inconsciente coletivo, complexos e individuação. Hipnose Clínica — utilizada de forma ética e baseada em evidências para favorecer processos de mudança emocional e comportamental. Medicina Comportamental — estratégias voltadas à autorregulação, à promoção da saúde e ao desenvolvimento humano. 📚 Pesquisa e Curadoria Editorial Grande parte do meu trabalho é dedicada à pesquisa independente e à curadoria editorial de obras relacionadas à filosofia, psicologia profunda, consciência, hipnose, religião comparada, simbolismo e história das ideias. Mantenho um dos mais expressivos perfis brasileiros no Academia.edu, reunindo milhares de leitores interessados em filosofia, psicologia analítica, hipnose clínica e estudos da consciência. Essa curadoria constitui uma extensão natural da minha atividade intelectual e serve de base para artigos, palestras, cursos e projetos de formação continuada. Temas de pesquisa • Filosofia da Consciência • Filosofia da Mente • Psicologia Analítica • Arquétipos e Simbolismo • História da Hipnose • Medicina Comportamental • Estados Alterados de Consciência • Individuação • Espiritualidade e Experiência Simbólica 🎤 Palestras e Formação Realizo palestras, cursos, workshops e programas de formação destinados ao público em geral, profissionais da saúde, educadores e instituições. Meu objetivo é tornar acessíveis conceitos complexos da filosofia, da psicologia analítica e da hipnose clínica, promovendo uma compreensão integrada da mente humana e da experiência simbólica. Também estou disponível para palestras presenciais e on-line, programas de treinamento e projetos acadêmicos e institucionais. 📬 Contato Se você deseja agendar uma consulta, participar de cursos, organizar uma palestra ou estabelecer uma parceria acadêmica ou institucional, será um prazer conversar. E-mail ✉ marcelomartinsmoreira@gmail.com Localização 📍 São Paulo - SP - Brasil

  • HT - Quer felicidade? Compre experiências.

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Quer felicidade? Compre experiências, não coisas. Felicidade pode significar coisas muito diferentes para pessoas diferentes. Como conseguir isso é uma questão vital para a maioria de nós. Nossas religiões e políticas oferecem suas próprias receitas. Mas o que a ciência tem a dizer sobre isso? O professor de psicologia Thomas Gilovich, da Cornell University, fez quatro estudos sobre o assunto ao longo de décadas e chegou à conclusão de que a felicidade é derivada de experiências, não de coisas . Em particular, Gilovich se concentrou nas compras que as pessoas fazem, comparando como elas se sentiam gastando dinheiro em posições materiais versus compras experienciais. Ele descobriu que as pessoas eram muito mais felizes como resultado das experiências. "As pessoas geralmente pensam que gastar dinheiro em uma experiência não é um investimento tão sábio quanto gastar em uma posse material. Eles acham que a experiência virá e passará num piscar de olhos, e eles ficarão com pouco em comparação a possuir um item. Mas, na realidade, nos lembramos de experiências muito tempo depois, enquanto nos acostumamos às nossas posses. Ao mesmo tempo, também aproveitamos a antecipação de ter uma experiência mais do que a antecipação de possuir uma posse ”. De fato, a antecipação de uma experiência pode ser muito mais prazerosa do que esperar por uma posse material. Você pode ficar empolgado em comprar um carro novo, mas, a menos que você seja um verdadeiro engenheiro de mecânico, é provável que esteja mais empolgado com os lugares que pode entrar naquele carro e com a maneira como as pessoas olham para você naquele carro. O estudo de Gilovich de 2014 descobriu que as experiências são a cola de nossas vidas sociais , importando muito mais do que o último gadget porque: - As compras experienciais melhoram as relações sociais mais prontamente e efetivamente do que bens materiais. - As compras experienciais formam uma parte maior da identidade de uma pessoa. - As compras experienciais são avaliadas mais em seus próprios termos e evocam menos comparações sociais do que as compras de materiais. Mas por que as posses materiais não nos dão muita alegria? Gilovich explica : "Um dos inimigos da felicidade é a adaptação. Nós compramos coisas para nos fazer felizes, e conseguimos. Mas só por um tempo. Novas coisas são excitantes para nós no começo, mas depois nos adaptamos a elas." Um estudo de 2012 de Gilovich descreveu como as pessoas tendem a ter mais arrependimentos pela inação por experiências do que por cargos. Você se arrepende mais de não ir a um concerto com amigos do que não comprar uma nova mesa. Uma grande razão pela qual as experiências são mais importantes para nós do que objetos materiais é que elas são inerentemente sociais. Você geralmente tem uma experiência com amigos ou familiares. Isso os torna muito mais valiosos. As experiências também geralmente resultam em narrativas e conversas e, certamente, inúmeras postagens no facebook de suas fotos de férias. As experiências também refletem mais de quem realmente somos. Eles estão mais próximos de nosso eu interior, como somos, segundo Gilovich, "a soma total de todas as nossas experiências". E como tal, quando são compartilhadas, as experiências nos permitem nos aproximar dos outros de uma maneira impossível com objetos inanimados que podemos comprar. À medida que avançamos como sociedade, buscando coletivamente a felicidade, faria sentido considerarmos o que essa felicidade pode ser. Uma sociedade que trabalhe mais e mais horas e tenha menos tempo para lazer e experiências, provavelmente não será feliz. Fontes: http://psych.colorado.edu/~vanboven/research/publications/vb_gilo_2003.pdf https://static1.squarespace.com/static/5394dfa6e4b0d7fc44700a04/t/547d589ee4b04b0980670fee/1417500830665/Gilovich+Kumar+Jampol+(in+press)+A

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Bem-vindo(a) à Hipnose Transcendental. Filosofia, Psicologia Analítica, Hipnose Clínica e Curadoria Editorial a serviço do desenvolvimento humano. A Hipnose Transcendental é um projeto de pesquisa, prática clínica e formação intelectual criado por Marcelo M. Moreira, dedicado ao estudo da consciência, da mente humana e dos processos de transformação psicológica. Este espaço nasceu da convergência entre a filosofia, a psicologia analítica de Carl Gustav Jung, a hipnose clínica e a investigação contínua sobre comportamento, simbolismo e desenvolvimento humano. Mais do que oferecer técnicas terapêuticas, nosso propósito é promover uma compreensão mais profunda da experiência humana, integrando conhecimento científico, reflexão filosófica e prática clínica. Aqui você encontrará conteúdos destinados tanto àqueles que buscam autoconhecimento quanto a estudantes, pesquisadores e profissionais interessados nas relações entre consciência, imaginação, comportamento e transformação interior. Além dos atendimentos clínicos, compartilhamos estudos, pesquisas, curadorias editoriais, cursos, palestras e materiais que convidam à reflexão crítica e ao aprofundamento intelectual. Acreditamos que toda transformação duradoura começa pela ampliação da consciência. Por isso, este não é apenas um espaço dedicado à hipnose, mas um ambiente de estudo, investigação e desenvolvimento humano. Seja bem-vindo. Esperamos que este seja um lugar onde conhecimento e experiência caminhem juntos, contribuindo para uma compreensão mais ampla de si mesmo e da riqueza da condição humana. Toda jornada de conhecimento começa por conhecer quem a propõe: Sobre o Autor

  • Alma e Graça Divina

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Alma e Graça Divina em Agostinho de Hipona Agostinho de Hipona (354-430) não acreditava na preexistência da alma, ao contrário de algumas correntes do platonismo e do gnosticismo da época. Ele rejeitou a ideia de que a alma existia antes do corpo e fosse unida a ele como uma punição, como propunha Platão. Agostinho foi influenciado pelo pensamento platônico, mas adaptou essas influências ao cristianismo. Em vez disso, Agostinho acreditava que a alma era criada por Deus no momento da concepção, uma posição conhecida como criacionismo. Essa crença está em contraste com o traducionismo, uma doutrina defendida por outros teólogos, como Tertuliano, que afirmavam que a alma era transmitida biologicamente junto com o corpo. Agostinho desenvolveu sua doutrina sobre a alma em várias obras, incluindo "Confissões", "De Civitate Dei" (A Cidade de Deus) e "De Anima et eius Origine" (Sobre a Alma e sua Origem). Nessas obras, ele debate questões sobre a criação da alma, o pecado original, e a relação entre corpo e alma, mas ele sempre sustenta a ideia de que a alma é criada por Deus especificamente para cada indivíduo. Um ponto importante da teologia de Agostinho é a crença na imortalidade da alma e sua destinação após a morte, dependendo de sua relação com Deus durante a vida. Para referências específicas: "Confissões", especialmente os livros X e XI. "De Civitate Dei" (A Cidade de Deus), onde ele discute a criação do ser humano. "De Anima et eius Origine" (Sobre a Alma e sua Origem), onde ele debate o criacionismo da alma em detalhe. A crença de Santo Agostinho na imortalidade da alma está profundamente enraizada em sua visão cristã da natureza humana, do pecado original e da graça divina. Para Agostinho, a alma humana é imortal porque foi criada por Deus à Sua imagem e semelhança, e, portanto, participa da eternidade divina. Essa imortalidade significa que a alma continua a existir após a morte física do corpo e será julgada com base em suas ações e sua relação com Deus durante a vida terrena. A Imortalidade da Alma Agostinho defendia que a alma, por ser uma criação divina, não poderia ser destruída pela morte do corpo, e continuaria a existir para sempre. Essa visão está de acordo com a doutrina cristã da ressurreição e do julgamento final, onde a alma será recompensada ou punida com base no seu relacionamento com Deus e sua conduta moral. Segundo Agostinho: A alma é criada por Deus e, portanto, é imortal, pois aquilo que vem de Deus participa da Sua eternidade. A morte física é resultado do pecado original (o pecado de Adão e Eva), mas a alma continua sua existência após a morte. A vida eterna (com Deus) ou a condenação eterna (sem Deus) são os dois destinos possíveis da alma. O Retorno a Deus: Graça e Livre-Arbítrio Para Agostinho, o retorno da alma a Deus não acontece automaticamente, mas é mediado pela graça divina. Ele desenvolveu uma visão profunda da relação entre a graça de Deus e o livre-arbítrio humano: A condição da alma após a queda: Segundo Agostinho, a humanidade caiu em pecado com Adão e Eva, e isso afetou toda a raça humana. Todos os seres humanos nascem com o pecado original, que inclina a alma para o mal e afasta-a de Deus. A necessidade da graça divina: Devido ao pecado original, a alma humana está enfraquecida e incapaz de retornar a Deus por seus próprios méritos ou forças. Agostinho acreditava que a graça de Deus é absolutamente necessária para que a alma possa ser salva. Sem essa graça, o ser humano não poderia, por suas próprias forças, superar o pecado e voltar para Deus. A graça irresistível: Na teologia agostiniana, a graça de Deus é um dom gratuito e imerecido. Para aqueles que são eleitos por Deus, a graça é irresistível, ou seja, ela transforma o coração humano, inclinando-o ao bem e à fé em Deus. Isso significa que, embora o livre-arbítrio exista, ele é subordinado à graça divina, que é o fator determinante na salvação. A fé em Cristo: O retorno a Deus, segundo Agostinho, só é possível pela fé em Jesus Cristo, que veio ao mundo para redimir a humanidade. Através da fé, o ser humano recebe a graça santificante, que purifica a alma e a prepara para a vida eterna com Deus. O Destino Final: Céu ou Inferno No fim dos tempos, Agostinho acreditava que haveria o julgamento final, onde as almas seriam separadas: Aqueles que aceitaram a graça de Deus durante suas vidas e viveram em comunhão com Ele, por meio de Cristo, seriam recompensados com a vida eterna no Céu, onde contemplariam a Deus face a face. Aqueles que rejeitaram a graça e permaneceram no pecado seriam condenados ao inferno, um estado de separação eterna de Deus. Resumo: O Retorno a Deus é Somente pela Graça? Para Agostinho, o retorno da alma a Deus depende primordialmente da graça divina. Sem a intervenção de Deus, a alma humana, corrompida pelo pecado original, não tem forças para se salvar por si mesma. A graça de Deus é o que ilumina a alma, transforma o coração e permite que a pessoa se volte para Ele. Portanto, o caminho para a salvação e para o retorno a Deus passa pela aceitação da graça, que é mediada pela fé em Cristo e manifesta-se na vida moral e espiritual do indivíduo.

  • Biblioteca

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Biblioteca Geral Biblioteca A-E Biblioteca F-J Biblioteca K-O Biblioteca P - T Biblioteca U - Z

  • biblioteca U-Z

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa U - V - X UMBERTO ECO - O que creem os que não creem VOLTAIRE ( François-Marie Arouet ) - Cândido - Breves Contos - Zadig VICTOR FRANKL - A Presença Ignorada de Deus - Em busca de Sentido VICTOR HUGO - OS MISERÁVEIS VEDUCA - Acervo de cursos antigos Prof. Clóvis de Barros Filho Curso Filosofia e Literatura Francesa Aulas: Os Miseráveis 1 e 2 W - Y - Z WILHEIM REICH - Psicologia de Massas do Fascismo WERNER JAEGER - Paidea - A Formação do Homem Grego YUVAL NOAH HARARI - 21 Lições para o Século XXI - Sapiens - Homo Deus

  • HT - O que é hipnotismo?

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Hipnotismo? Hipnotismo é a ciência que ensina a influenciar a percepção e o comportamento dos outros por intermédio de dois fatores: as leis da sugestão e o estado conhecido como "transe hipnótico". Três palavras têm significados distintos entre si: hipnotismo, hipnose e hipnologia. "Hipnotismo" refere-se aos métodos conhecidos como 'técnicas de indução', para obtenção de fenômenos hipnóticos. "Hipnose" é o estado mental-físico produzido por uma modificação temporária do sistema nervoso como resultado da técnica de indução. "Hipnologia" é o termo que inclui tudo o que se refere à ciência da compreensão da natureza e da utilidade de todos os estados e fenômenos hipnóticos, bem como dos métodos de indução. O estado de hipnose provocado pelo hipnotismo é caracterizado pelo abandono das faculdades críticas e também pelo pensamento seletivo ou pela sugestão. É tanto uma percepção restrita ( que ignora as distrações ) como aumento de concentração nas idéias para as quais a atenção é atraída pelo hipnotizador. Em resumo, o hipnotizador produz um aumento da capacidade de concentração sem esforço como da capacidade de concentração dirigida. O que é um transe hipnótico? Um 'transe' é uma condição mental-física de uma modificação neurológica temporária, provocada pela estimulação do sistema nervoso simpático ou parassimpático. Um transe não é um estado de 'coma', de sono ou de 'inconsciência'. Não se trata de um estado totalmente consciente nem totalmente inconsciente, mas pode ser melhor descrito como um estado de 'diminuição de consciência'. Esses estados de diminuição de consciência resultam num aumento de sugestionabilidade. Esses estados podem ser produzidos de vários modos, tais como por doenças, por drogas ou por sugestão. Por ser uma situação resultante de uma estimulação de certas áreas do sistema nervoso maior que a usual, um transe pode ser entendido como uma situação também física. No hipnotismo, ele é produzido pela intensificação de emoções, seja do tipo reconfortante ou perturbador, por intermédio de sugestões verbais e visuais. Por conseguinte, há dois tipos de transes que dependendo tipo de emoção estimulada. Um 'transe hipnótico' é um transe provocado por um dos diversos métodos interpessoais conhecidos como induções hipnóticas. Em resumo, um transe produzido por sugestão é chamado de "transe hipnótico". O tipo mais comum de transe hipnótico ou de estado de percepção fora da consciência é induzido pelo hipnotizador que faz sugestões para intensificar as emoções reconfortantes. Como resultado disso, algumas mudanças fisiológicas ocorrem quando uma pessoa experimenta um transe hipnótico. Essas mudanças variam, de acordo com as sugestões feitas pelo hipnotizador, para intensificar as emoções perturbadoras ou reconfortantes. Se o 'transe' for resultado da estimulação do sistema nervoso simpático por meio da intensificação de emoções perturbadoras, é chamado de transe negativo ou ergotrófico. Se resulta da estimulação do sistema nervoso parassimpático pela estimulação de emoções reconfortantes, é chamado de transe positivo ou trofotrópico. Uma pessoa pode ficar aterrorizada ou excitada num transe negativo, do tipo provocado por tambores ou sons repetitivos e por experiências traumáticas. Esses transes negativos são caracterizados por movimentos frenéticos do corpo e uma desorganização mental de forma extrema. Por outro lado, o transe positivo constitui um estado confortável e relaxado. A pessoa é levada a ele de modo suave e calmo. Este é transe positivo utilizado pelos hipnoterapeutas modernos com propósitos benéficos. O transe positivo, por si só, já possui valor terapêutico, não importando quais sugestões sejam dadas.

  • Sentimento Oceânico

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Sentimento Oceânico O conceito de “sentimento oceânico” foi cunhado pelo escritor francês Romain Rolland em uma carta de 1927 ao psicanalista Sigmund Freud. Rolland descreveu esse sentimento como uma “sensação de eternidade”, um “sentimento de ser um com o mundo externo como um todo”. Freud ficou intrigado com a descrição de Rolland e dedicou um capítulo de seu livro “O Mal-Estar na Civilização” (1930) para explorar o conceito. Freud argumentou que o sentimento oceânico, se existe, é um resquício do “sentimento primitivo do ego” que existe na infância. No início da vida, o bebê não tem um senso de si mesmo separado do mundo externo. O bebê sente-se parte de um todo indiferenciado, que Freud chamou de “ego primitivo”. Esse sentimento de unidade é gradualmente perdido à medida que o bebê desenvolve um senso de si mesmo separado. O sentimento oceânico pode ser revivido em adultos em certas situações, como quando se está em contato com a natureza, quando se está apaixonado ou quando se experimenta uma experiência religiosa. Freud acreditava que o sentimento oceânico é a fonte da experiência religiosa. Freud também acreditava que o sentimento oceânico é uma ilusão. Ele argumentou que o mundo externo é um lugar de separação e conflito, e que o sentimento de unidade é apenas uma fantasia. O conceito de sentimento oceânico foi influente na psicologia e na religião. Foi usado para explicar a experiência religiosa, a criatividade e o senso de significado na vida. Aqui estão alguns exemplos de como o sentimento oceânico pode ser experimentado: -Um indivíduo pode sentir-se conectado com a natureza ao contemplar um pôr do sol ou ao ouvir o som das ondas do oceano. -Um indivíduo pode sentir-se conectado com outra pessoa ao fazer amor ou ao compartilhar um momento de intimidade. -Um indivíduo pode sentir-se conectado com algo maior do que si mesmo ao participar de um ritual religioso ou ao meditar. O sentimento oceânico é uma experiência subjetiva que pode ser difícil de definir ou explicar. No entanto, é uma experiência que é significativa para muitas pessoas. Filosoficamente, o sentimento oceânico pode ser visto como uma expressão do conceito de cosmos do estoicismo. O sentimento oceânico é uma experiência de unidade com o universo, que é um conceito central do estoicismo. O estoicismo pode fornecer um contexto para entender o sentimento oceânico e para lhe dar um significado mais profundo. Os estoicos acreditavam que a experiência do sentimento oceânico é uma oportunidade para o indivíduo se conectar com a ordem natural do universo. O sentimento oceânico pode ser encaixado dentro das teorias de exercícios filosóficos para o bem viver como uma experiência que pode ser cultivada através da prática. Esse e outros exercícios espirituais podem nos ajudar a desenvolver uma consciência mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. Eles podem nos ajudar a ver o mundo como uma unidade holística, e a nos sentirmos conectados com algo maior do que nós mesmos. A importância prática do sentimento oceânico como exercício é que ele pode nos proporcionar uma sensação de paz, alegria e sentido de propósito. Ele pode nos ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade, e a nos sentirmos mais conectados com os outros. Aqui estão algumas maneiras de cultivar o sentimento oceânico através da prática de exercícios espirituais: - Contemplação da natureza: Passar tempo na natureza pode nos ajudar a nos conectar com a beleza e a harmonia do mundo ao nosso redor. - Meditação: A meditação pode nos ajudar a desenvolver uma consciência mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. - Reflexão filosófica: A reflexão filosófica pode nos ajudar a desenvolver uma compreensão mais profunda do universo e de nosso lugar nele. É importante notar que o sentimento oceânico não é uma experiência que pode ser forçada. Ele é uma experiência que surge naturalmente quando estamos abertos a ela. Os exercícios espirituais/filosóficos podem nos ajudar a nos preparar para essa experiência, mas eles não podem garantir que ela aconteça. Esses e outros exercícios fazem parte de meu novo curso de desenvolvimento pessoal: 🔮 Hipnose Transcendental (2024) “Hipnose Transcendental: Exercícios Filosóficos para o Bem Viver.” Este curso é para todos que buscam transcender os limites da consciência e desvendar os mistérios do ser. 🌟 Maiores informações e reservas: via direct ou email. Marcelo Martins Moreira Email: marcelomartinsmoreira@gmail.com

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