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  • Espírito

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Espírito Na tentativa de compreender os escritos de Jung sobre o espírito, enfrentamos o mesmo problema que Jung em sua tentativa de captar aquilo que a palavra espírito designa. Quando se alcança uma explicação promissora, percebe-se que o apreendido escapa rapidamente por entre os dedos de nossa rede intelectual, sendo levado pelo mar bravio de importantes, mas de difícil entendimento, aspectos da experiência humana. Por isso, Jung aborda o espírito da mesma maneira com que trata os muitos habitantes desconcertantes de seu mar experimental,isto é, a partir de uma posição como psicólogo. Ele não está a fim, conforme confessa, ou não é capaz de discussões filosóficas ou teológicas sobre a natureza do espírito. Ele volta-se, antes, para a fenomenologia da vida psíquica: o que o espírito mostra que é, e em que aspectos ele é igual ou diferente de nossa psique/alma. Evidentemente, é quase impossível para Jung não se enveredar até certo ponto nas polêmicas filosóficas precedentes e nas teias teológicas que foram tecidas em torno do espírito. A esse respeito, é instrutiva a nota do tradutor prefaciando "Os fundamentos psicológicos da crena nos espíritos" (OC 8, § 307) , ao apontar - linguisticamente por assim dizer - a natureza flexível e multimatizada do conceito de espírito, Geist em alemão. Contudo, Jung traz certa ordem cognitiva para o que ameaça se tornar uma confusão vaga de terminologia, observando que, psicologicamente, espírito tem dois significados e usos. Um fala de um espírito, no sentido de uma coisa individual - um fantasma , disposição de ânimo, uma aparição, uma qualidade - e outro fala do espírito, no sentido de alguma coisa coletiva - espiritualidade, princípios espirituais, totalidade espiritual. Esse último sentido de espírito, como fundamento da espiritualidade ou de certos princípios espirituais, Jung deixa de preferência aos metafísicos para debate e discussão. Como psicólogo, Jung está muito mais interessado em considerar os espíritos no plural, como manifestações dos complexos, espíritos como entidades inconscientes, arquetipicamente embasadas. Por terem suas raízes no inconsciente, esses espíritos, no plural, têm obviamente uma relação com o espírito, no sentido religioso comum, que Jung considera como parte da psique enquanto alma. Mas, como de costume, Jung está mais interessado em estudar os símbolos e o imagístico do espírito na vida psíquica do que em propor dogmas teóricos. Portanto, os escritos de Jung sobre o espírito não são para os de mentalidade filosófica ou teológica, para os interessados no idealismo hegeliano ou na espiritualidade cristã. A concepção de espírito de Jung é melhor entendida em suas discussões do imagístico arquetípico do mito, da alquimia e dos contos de fada ( histórias do "espírito" por excelência ) ou também em seu tratamento do que chamou de fenômenos ocultos, aquelas ocorrências misteriosas, fantasmáticas ou paranormais que ele considerava manifestações de complexos psicológicos. Nessas discussões práticas sobre o espírito, Jung lembra o significado mais elevado e mais amplo do espírito nesse sentido mais amplo do termo. Mas sempre fala do espírito primeiramente e sobretudo como psicólogo interessado em olhar para o lugar do espírito no funcionamento da alma humana. As obras de junguianos sobre o espírito são poucas e muito esporádicas, se limitarmos o campo e excluirmos livros sobre religião ou espiritualidade, dos quais há grande número. A melhor obra no sentido em que Jung empregava o termo, encontra-se em Spirit and Nature, organizado por Joseph Campbell, que reúne estudos apresentados nos encontros anuais de Eranos, às margens do Lago Maggiore, em Ascona, Suíça. Dois ensaios de Jung - " A Fenomenologia nos Contos de Fadas " e " O Espírito da Psicologia ", esse depois reintitulado como " Considerações teóricas sobre a natureza do Psíquico " ( OC 8 ) - que estão incluídos na coletânea, assim como ensaios sobre o espírito de Kerényi, Wili, Rahner, Portmann e outros. O deus Apolo atua de muitas maneiras como um símbolo do espírito dentro da psique, e assim o livro de ensaios de Kerényi sobre o deus pode ajudar a esclarecer este conceito, segundo o que James Hillman ( inspirado por Henry Corbin ) chamou de Psicologia Imaginal : a compreensão psicológica suscitada por imagens e imaginação. Para começar: - "A fenomenologia do espírito no conto de fadas", OC 9/1 , § 384-455. - "Os Fundamentos Psicológicos da crença nos espíritos", OC 8/2 , , § 570-600 Para aprofundar: - " O problema psíquico do homem moderno", OC 10/3 , § 148-196 - " O Espírito Mercarius", OC 13 , § 239-303. Obras Relacionadas: - " Sobre a psicologia e patologia dos fenômenos chamados ocultos" , OC 1, § 1-150 Fontes Secundárias: - CAMPBELL, J. " Spirit and Nature ", Princeton University Press, 1964 -- KERÉNYI,K. " Apollo ". Dallas: Spring, 1983. Texto adaptado de "Guia para Obra Completa de C.G.Jung" - Robert H. Hopcke "O arquétipo do espírito na forma de um homem, hobgoblin ou animal sempre aparece em uma situação em que insight, compreensão, bons conselhos, determinação, planejamento, etc., são necessários, mas não podem ser reunidos em recursos próprios." O arquétipo compensa esse estado de deficiência espiritual por conteúdos destinados a preencher a lacuna. “A fenomenologia do espírito nos contos de fadas” - Obras Completas 9/1- Parágrafo 398

  • Atendimentos

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Local de Atendimento Atendimento Clínico com Hora Marcada: HT - MOEMA Endereço : R. Ubaíra, 70 - Moema São Paulo - SP - 04517-140 Telefone para Agendamento e Informações: Tel. 11- 9-93591776 ( whatsapp inclusive) ou tel. 11- 55435236 ( com Srta. Cris ) 1/1 SOBRE MIM: Graduado em em Odontologia pela Unicamp em 2001 e tendo escolhido a área de Cirurgia Buco Maxilo Facial , concluí minha Residência Médica Hospitalar em 2005. Em paralelo ao estudo e prática odontológica sempre me interessei pelos fenômenos da mente e do psiquismo e seus mistérios. Em busca desse aperfeiçoamento pessoal, concluí minha especialização em MEDICINA COMPORTAMENTAL E HIPNOSE CLÍNICA pela UNIFESP em paralelo com a especialização em HIPNOSE ERICKSONIANA . Alguns anos mais tarde, dei início à inha formação em PSICOLOGIA JUNGUIANA através de uma nova especialização, sempre em busca ao Conhecimento. Atualmente me dedico à pós graduação na área de FILOSOFIA . Meu intuito principal sempre foi o de auto-conhecimento. Desde então venho atuando clinicamente como Hipnoterapeuta Clínico em consultório particular e também ministrando cursos na área de Hipnose Clínica voltados para Profissionais de Saúde e Palestras na área de Reengenharia Humana com ênfase em Filosofia para a vida prática. Em acréscimo procuro desenvolver um projeto pessoal de divulgação de técnicas próprias de relaxamento e auto-hipnose que pude desenvolver nesses anos, numa nova abordagem desta maravilhosa ciência que denomino HIPNOSE TRANSCENDENTAL . Trata-se de uma nova roupagem na qual associo metodologias diversas como Visualização Criativa, Estados Alterados de Consciência, Filosofia Clínica, Hipnose Ericksoniana, Reengenharia Humana e Psicanálise Junguiana. Meu único objetivo é promover e levar um maior bem estar às pessoas e uma maior qualidade de vida. Assim como foi comigo, espero que a sua riqueza pessoal advenha também da compreensão de quem você realmente é. Conte comigo nessa busca interior. Espero seu contato. Abraços Fraternais - Paz Profunda Marcelo Martins Moreira

  • Navalha de Ockham

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A Navalha de Ockham. A navalha de Ockham é um princípio filosófico que afirma que, entre duas explicações igualmente válidas para um fenômeno, a mais simples é a mais provável. Em outras palavras, se duas hipóteses podem explicar os mesmos fatos, devemos escolher a hipótese com o menor número de suposições ou entidades. A navalha de Ockham foi formulada pelo filósofo escolástico inglês Guilherme de Ockham, no século XIV. Ela foi inspirada na ideia de que Deus é um ser simples e perfeito, e que, portanto, o mundo criado por ele também deve ser simples e perfeito. A navalha de Ockham tem sido aplicada em diversos campos do conhecimento, incluindo a filosofia, a ciência, a teologia e a política. Na filosofia, ela é usada para avaliar a validade de teorias e argumentos. Na ciência, ela é usada para simplificar modelos e explicar fenômenos naturais. Na teologia, ela é usada para interpretar textos sagrados. Na política, ela é usada para avaliar políticas públicas. A navalha de Ockham também pode ser usada como um exercício da vida diária moderna. Por exemplo, se você está tentando decidir entre duas opções, você pode aplicar a navalha de Ockham para escolher a opção mais simples. Aqui estão alguns exemplos práticos de como a navalha de Ockham pode ser usada na vida diária: - Se você está procurando um presente para um amigo, você pode escolher o presente mais simples que ainda seja significativo. - Se você está tentando resolver um problema, você pode começar com a solução mais simples e ver se ela funciona. - Se você está tentando tomar uma decisão, você pode pesar os prós e os contras de cada opção e escolher a opção com o menor número de desvantagens. O nome “navalha de Ockham” é uma tradução do termo latino lex parsimoniae, que significa “lei da parcimônia”. Ockham acreditava que Deus é um ser simples e perfeito, e que, portanto, o mundo criado por ele também deve ser simples e perfeito. Essa ideia inspirou o princípio da parcimônia, que afirma que, entre duas explicações igualmente válidas para um fenômeno, a mais simples é a mais provável. A tradução “navalha de Ockham” é uma analogia à ideia de que a simplicidade é preferível à complexidade. A navalha é uma ferramenta que é usada para cortar coisas, e a ideia é que a simplicidade “corta” a complexidade desnecessária. A navalha de Ockham é uma ferramenta útil para simplificar a vida e tomar decisões mais acertadas.

  • HT - Sabedoria do Silêncio Interior

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Sabedoria do Silêncio Interno Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia. Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi. Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas. Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos. Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída. Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO. Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação. Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe. Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas. O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles. Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo. Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio. Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente. Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO. (Texto Taoísta)

  • Hipnose Transcendental?

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Hipnose Transcendental? É um modelo terapêutico criado e desenvolvido por mim e baseado em mais de 25 anos de experiência clínica em hipnoterapia clássica somado ao estudo de terapias diversas de acesso ao inconsciente. Trata-se de um conjunto de novas técnicas de uso dos estados alterados de consciência sempre utilizadas com finalidade terapêutica, onde mesclam-se os conceitos da Psicologia Profunda de Carl G. Jung, a Utilização Terapêutica de Conceitos e Escolas Filosóficas Clássicas e a Hipnoterapia de Milton Erickson. Como funciona na prática? Através de sessões individuais e personalizadas, inicialmente centradas nas demandas psicológicas relatadas pelo paciente na avaliação inicial, traçamos um plano de sessões que podem variar de 5 a 10 incialmente, onde o paciente é exposto a um mix de terapias alternativas, incluindo Técnicas Cognitivo- Comportamentais, Técnicas de Imaginação Ativa, Meditação, Respiração, Psicanálise Junguiana e Regressão Ericksoniana, possibilitando assim, um mergulho profundo no Inconsciente e suas necessidades. Com o decorrer das sessões que podem ter duração de 60 a 90 minutos, vai-se avaliando o progresso do paciente frente à sua problemática inicial, possibilitando a qualquer tempo, um ajuste de abordagem conforme o avanço positivo ou negativo dos tratamentos aplicados. A quem se destina ? Todos aqueles que buscam um maior conhecimento da causa de seus problemas no mundo da vida, àqueles que se sentem impotentes frentes às vicissitudes, e a todos que queiram um maior aprendizado das causas ocultas das aflições diárias, incluindo Ansiedade, Estresse Crônico, Estados Depressivos, Mudança de Hábitos, Problemas de Relacionamento Interpessoal, Perda de Foco Profissional e Medos de qualquer instância, dentre outros.

  • Psicoterapia

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Psicoterapia Analítica Profunda? Dentro das diferentes escolas psicanalíticas e psicoterapêuticas que emergiram das abordagens de Sigmund Freud e que às vezes estão incluídas sob o termo de psicologia profunda ( psicologia analítica junguiana), existe a premissa da existência de um substrato psíquico contendo fatores inconscientes que condicionam e determinam as formas de pensar, sentir e agir de indivíduos. Para a psicanálise freudiana, o inconsciente é um conglomerado de fantasias e desejos reprimidos pelo indivíduo em seu processo de adaptação à esfera social . Portanto, refere-se a conteúdos relacionados à história pessoal do indivíduo, dando especial importância à memória para se relacionar com as figuras parentais. O psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, está em parte de acordo com esta ideia, mas argumenta que, além do conteúdo biográfico, no inconsciente também é possível identificar elementos que fazem parte da história filogenética da humanidade. Propor, então, que, além do inconsciente pessoal, existe um inconsciente coletivo composto de protótipos de experiências e comportamentos compartilhados por todos os seres humanos como uma espécie. O psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, está em parte de acordo com este orçamento, mas argumenta que, além do conteúdo biográfico, no inconsciente também é possível identificar elementos que fazem parte da história filogenética da humanidade . Propor, então, que, além do inconsciente pessoal, existe um inconsciente coletivo composto de protótipos de experiências e comportamentos compartilhados por todos os seres humanos como uma espécie. Esses padrões de comportamento que Jung chamou de arquétipos , estão intimamente relacionados aos instintos, na medida em que eles operam como estímulos que nos obrigam a realizar certos comportamentos e promover reações típicas a várias circunstâncias de nossas vidas (emancipar-se dos pais , formar uma família, ter prole, buscar sustento, apropriar-se de um território, participar do coletivo, transformar a ordem social, a morte). Ao contrário dos instintos, que são unidades com um circuito de realização relativamente fechado e concreto, os arquétipos se comportam de forma aberta e simbólica ; No entanto, a não realização também é uma fonte de desconforto e frustração. Jung argumenta que é possível inferir a existência de arquétipos de suas manifestações, uma das quais são as imagens e estruturas dramáticas típicas que podem ser encontradas, com diferentes roupas culturais, nas narrativas mitológicas e fantásticas de diferentes lugares e tempos. . Os mitos nos mostram como a humanidade enfrentou diferentes situações críticas e, embora algumas delas tenham milhares de anos, continuam a ressoar e ter um impacto na nossa psique como os desafios que eles aludem para continuar a acompanhar-nos. Jung enfatiza que não é possível em muitas ocasiões induzir contato direto ou indireto entre os povos para explicar as semelhanças estruturais dos mitos. Também é relevante que esses dramas e personagens típicos também surjam espontaneamente em delírios e alucinações psicóticas, bem como em estados alterados de consciência como efeito de práticas meditativas ou pela ingestão de substâncias psicodélicas. Alguns sonhos cujo conteúdo não pode ser relacionado a aspectos biográficos também podem ser uma expressão de imagens arquetípicas. Freud e Jung não só distanciaram-se por suas diferentes concepções quanto ao inconsciente, mas também por suas abordagens à natureza da energia fundamental que move os seres humanos : a libido . Como é sabido, a libido é, segundo Freud, de natureza sexual, enquanto que para Jung, a sexualidade é apenas uma das manifestações de uma energia vital muito mais abrangente e abrangente. Jung descreve a libido então como uma energia criativa, que é a origem e o motor do universo . Essa energia se manifesta nos seres humanos como um desejo de transcendência, de realização, de ampliação da consciência. Jung descobriu que esse processo de manifestação e desdobramento da energia vital manifesta-se míticamente através do arquétipo do herói solar. Este arquétipo que é o protótipo de muitas histórias antigas e contemporâneas em que a transformação do herói é narrada ( The Odyssey , Star Wars , The Lord of the Rings ) Através de uma série de jornadas e aventuras (para empreender uma jornada, lutar com o dragão, descida ao submundo, morte, renascimento) e encontro e confronto com outros arquétipos (sombra, animus-anima, velho sábio, a grande mãe ) o herói entra em relação com as forças do submundo (o inconsciente), encontra o tesouro procurado e retorna ao seu local de origem para compartilhar a "luz", a sabedoria, com seu povo. Jung propõe entender esta estrutura mítica, como uma projeção de um processo psíquico de transformação e evolução ao qual somos todos chamados. Cada alma humana é forçada a enfrentar uma série de circunstâncias que o levam a manifestar sua vocação, seu chamado particular, seu contributo singular para o coletivo, para o mundo. Ele se manifesta como um desejo de conhecimento, de superação, de totalidade. Este caminho evolutivo, chamou de processo de individuação e também é considerado como um símbolo da transformação gradual do ego em seu confronto e adaptação às forças do inconsciente e do mundo externo. Os arquétipos são humanizados em indivíduos no que Jung chamou de complexos afetivos pessoais . Os complexos, além de serem imbuídos pelos arquétipos, são alimentados por nossas experiências pessoais . Eles podem ser considerados como um conjunto de imagens e representações, carregadas emocionalmente, em torno de um tema comum (relacionamento com o pai ou mãe, poder, erotismo, etc.) Diferentes circunstâncias da nossa vida constelam, isto é, tornam-se complexos e mais importantes. Um complexo constelado altera nossa percepção e vontade consciente, matizando-a com os traços dos arquétipos correspondentes adicionados às experiências anteriores em relação ao mesmo tema. Antigas possessões demoníacas e distúrbios de personalidade múltipla são expressões de complexos altamente constelados. Nestes casos, eles se comportam como invasões maciças do inconsciente que oprimem e anulam as funções do ego e da consciência. Os complexos são expressos em nossa psique como restrições, necessidades, pontos de vista, reações emocionais, sentimentos de admiração ou desprezo desproporcional, idéias obsessivas. Eles têm a faculdade de se personificar em nossos sonhos e de gerar eventos e circunstâncias no mundo físico com significados análogos (somatizações, acidentes, encontros com pessoas, repetição do tipo de relacionamento final). A capacidade de externalização dos arquétipos e complexos é a base do fenômeno descrito por Jung como sincronia . Os complexos afetivos são considerados as partículas constituintes da psique inconsciente, portanto, não só eles fazem parte do escopo da psicopatologia . Eles funcionam como se em nossa casa vivessem animais de estimação, que, se os ignorarmos ou ignorássemos, mais cedo ou mais tarde acabarão contra nós, causando vários estragos. A alternativa é entrar em contato com eles, prestar atenção às suas necessidades, de modo que, com o tempo e o esforço, conseguimos domesticá-los, podendo mesmo fazer uso de seus recursos potenciais. O inconsciente, quer queira ou não, vai agir em nós, então o mais apropriado é entrar em seus mistérios Este diálogo com nossos complexos, com nossos personagens interiores, que, como vimos, é a expressão do drama para a realização do nosso eu mais profundo, requer a implantação de uma atitude simbólica através da imaginação e da criatividade. A imaginação é reconhecida como a propriedade simbólica de unir e reconciliar polaridades; para expressar, sugerir e evocar o incontrolável; para abordar de forma abrangente os fenômenos não classificáveis através do conceito e da racionalidade. O analista James Hillman propõe a imaginação como a língua da alma . O imaginário manifesta-se espontaneamente nos sonhos e é por isso que sua interpretação é uma parte fundamental da psicoterapia junguiana. Também é possível induzir artificialmente o imaginário no espaço terapêutico através da técnica da imaginação ativa . Isso consiste em dar a oportunidade de se expressar ao conteúdo do inconsciente, fazendo uso de sua capacidade de personificação. Em seguida, propõe-se entrar em contato com nossos personagens interiores, ouvi-los com atenção e rigor, interagindo e conversando com eles como se fossem entidades reais. Nossos personagens internos podem ser evocados através da imagem de um sonho, uma emoção intensa, um sintoma. Cada um de nós tem uma modalidade que facilita essa comunicação. Há pessoas que podem ouvir vozes, ou percebem imagens interiores, algumas são expressas através dos movimentos do corpo em uma espécie de dança. Para outros, o contato com o inconsciente é possível através da escrita automática, uma técnica usada pelos surrealistas. Jung diferencia as fantasias ociosas com a imaginação ativa, enfatizando que, no último, o ego assume uma atitude ativa, isto é, não aceita passivamente e submissivamente as vozes e imagens do inconsciente , mas sim as interpela . A atitude ativa implica apoiar e manter a tensão com o inconsciente, permitindo o que ele chama de função transcendente, ou seja, um novo nascimento, o surgimento de uma nova atitude, produto desse confronto. A função transcendente da psique é o que torna possível a conciliação de opostos aparentemente irreconciliáveis. É o surgimento de um terceiro elemento ou perspectiva, que inclui e integra os elementos em disputa. É um processo de conflito, negociação e acordos transitórios. A técnica da imaginação ativa é freqüentemente usada em estágios avançados de análise, uma vez que requer um ego estruturado que suporte a tensão dos opostos e não sucumbir a uma dissociação ou identificação com alguns dos conteúdos do inconsciente. Jung enfatiza que levar o inconsciente a sério não significa levá-lo literalmente, mas dar crédito, dando-lhe a oportunidade de cooperar com a consciência, em vez de perturbá-lo automaticamente. Essa cooperação do inconsciente está relacionada ao princípio auto-regulador da psique , um conceito fundamental na perspectiva junguiana. A psique é como um sistema dinâmico de forças opostas (consciente-inconsciente, progressão-progressão da libido, matéria-logos), com uma tendência intrínseca de manter um equilíbrio. Este mecanismo de auto-regulação implica uma interação permanente de compensação e complementaridade entre os componentes psíquicos. O estado de equilíbrio psíquico é alterado de forma regular por estímulos provenientes da labilidade do mundo interno e externo. Esta alteração requer modificações que tendem a se adaptar aos novos requisitos, promovendo na psique uma transformação para etapas cada vez mais complexas e integrais. Os sintomas neuróticos (obsessões, depressão, ansiedade, acidentes, somatizações, repetição de padrões de relacionamento, auto-sabotagem) são expressões de uma tentativa da psique inconsciente na busca desse estado de equilíbrio mais elevado. Uma tentativa de criar consciência dos tropeços. O diálogo com a psique inconsciente através da imaginação permite que o mecanismo de auto-regulação da psique atue sem ter que recorrer a fenômenos sintomáticos. De alguma forma, antecipa os acontecimentos e evita essa sentença junguiana pela qual, "tudo o que não é feito consciente será vivido no exterior como um destino". O mecanismo de auto-regulação da psique é chamado pelo analista James Hillman como nosso 'daimon' interno . Com este conceito helênico, ele tenta aludir a essa força que nos leva ao bem e ao mal para expressar nossa vocação, nossa chamada particular . A imaginação e a criatividade são então um meio para interpretar as piscadelas do destino, os sinais do nosso daimon. O desenvolvimento da atitude simbólica destinada a promover a psicoterapia junguiana através da imaginação, nos permite escapar da estreita literalidade dos fatos. Isso nos dá acesso a lógicas subalternas paradoxais. Ele nos liga à polissemia profunda dos eventos através de símbolos, analogias e correspondências. A atitude simbólica também amplia nossa sensibilidade e vontade de responder de forma construtiva a toda a diversidade de vida que reúne e integra e coexiste com nossos aspectos sombrios. O diálogo com o inconsciente nos permite tornar-nos co-criadores de nossa realidade e não simplesmente escravos ou vítimas de circunstâncias. Referências Bibliográficas Hillman, J. (1998). O código da alma. Barcelona, Martínez Roca. Jung, CG (1981). Arquetipos e inconsciente coletivo. Barcelona, Paidos. Jung, CG (1993) Estrutura e dinâmica da psique. Editorial Paidós Jung, CG (2008). Os complexos e o inconsciente. Madrid, Alliance.

  • Navalha de Ockham

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Marcelo M. Moreira Pesquisador Independente | Curador Editorial | Palestrante | Psicoterapeuta Analítico Graduado em Filosofia • Psicologia Analítica • Hipnose Clínica • Medicina Comportamental 🧠 Quem Sou Sou graduado em Filosofia, especialista em Medicina Comportamental pela Unifesp, pesquisador independente, palestrante e psicoterapeuta analítico. Minha atuação concentra-se na interseção entre filosofia, psicologia analítica, hipnose clínica e medicina comportamental, articulando essas áreas na pesquisa e na prática clínica. Minha trajetória reúne formação acadêmica, pesquisa contínua e prática clínica, sempre orientadas pela investigação da consciência, dos processos simbólicos e da transformação psicológica. Busco integrar a tradição filosófica, a psicologia profunda e os conhecimentos contemporâneos sobre mente, comportamento e desenvolvimento humano. Ao longo de mais de uma década de estudos e prática clínica, desenvolvi a Hipnose Transcendental, uma proposta interdisciplinar que articula filosofia da mente, metafísica, psicologia analítica, hipnose clínica e estratégias de mudança comportamental. Mais do que uma metodologia terapêutica, a Hipnose Transcendental constitui um campo permanente de pesquisa sobre a natureza da consciência, do simbolismo e das possibilidades de transformação da experiência humana. "Tenho especial interesse em compreender como imagens, símbolos, narrativas e estados ampliados de consciência atuam como mediadores da transformação psicológica, tanto na clínica quanto na experiência existencial." 🎓 Formação e Áreas de Atuação Formação • Graduação em Filosofia - UCB • Formação em Psicoterapia Analítica Junguiana - Facis • Formação em Hipnose Clínica - Psicobiologia - Unifesp • Formação em Medicina Comportamental - Unifesp Educação, Formação e Difusão do Conhecimento • Filosofia da Consciência • Psicologia Analítica • Estados Alterados de Consciência • Arquétipos e Simbolismo • História da Hipnose • Desenvolvimento Humano • Relações entre Mente, Corpo e Comportamento Hipnose Transcendental Uma proposta interdisciplinar para compreender a mente humana. A Hipnose Transcendental nasceu da integração entre diferentes campos do conhecimento que convergem para uma compreensão mais ampla da experiência humana. Sua estrutura fundamenta-se em quatro eixos complementares: Filosofia — especialmente a filosofia da mente e a metafísica, como base para compreender a consciência e a experiência subjetiva. Psicologia Analítica — os conceitos desenvolvidos por Carl Gustav Jung, como arquétipos, inconsciente coletivo, complexos e individuação. Hipnose Clínica — utilizada de forma ética e baseada em evidências para favorecer processos de mudança emocional e comportamental. Medicina Comportamental — estratégias voltadas à autorregulação, à promoção da saúde e ao desenvolvimento humano. 📚 Pesquisa e Curadoria Editorial Grande parte do meu trabalho é dedicada à pesquisa independente e à curadoria editorial de obras relacionadas à filosofia, psicologia profunda, consciência, hipnose, religião comparada, simbolismo e história das ideias. Mantenho um dos mais expressivos perfis brasileiros no Academia.edu, reunindo milhares de leitores interessados em filosofia, psicologia analítica, hipnose clínica e estudos da consciência. Essa curadoria constitui uma extensão natural da minha atividade intelectual e serve de base para artigos, palestras, cursos e projetos de formação continuada. Temas de pesquisa • Filosofia da Consciência • Filosofia da Mente • Psicologia Analítica • Arquétipos e Simbolismo • História da Hipnose • Medicina Comportamental • Estados Alterados de Consciência • Individuação • Espiritualidade e Experiência Simbólica 🎤 Palestras e Formação Realizo palestras, cursos, workshops e programas de formação destinados ao público em geral, profissionais da saúde, educadores e instituições. Meu objetivo é tornar acessíveis conceitos complexos da filosofia, da psicologia analítica e da hipnose clínica, promovendo uma compreensão integrada da mente humana e da experiência simbólica. Também estou disponível para palestras presenciais e on-line, programas de treinamento e projetos acadêmicos e institucionais. 📬 Contato Se você deseja agendar uma consulta, participar de cursos, organizar uma palestra ou estabelecer uma parceria acadêmica ou institucional, será um prazer conversar. E-mail ✉ marcelomartinsmoreira@gmail.com Localização 📍 São Paulo - SP - Brasil

  • HT - Quer felicidade? Compre experiências.

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Quer felicidade? Compre experiências, não coisas. Felicidade pode significar coisas muito diferentes para pessoas diferentes. Como conseguir isso é uma questão vital para a maioria de nós. Nossas religiões e políticas oferecem suas próprias receitas. Mas o que a ciência tem a dizer sobre isso? O professor de psicologia Thomas Gilovich, da Cornell University, fez quatro estudos sobre o assunto ao longo de décadas e chegou à conclusão de que a felicidade é derivada de experiências, não de coisas . Em particular, Gilovich se concentrou nas compras que as pessoas fazem, comparando como elas se sentiam gastando dinheiro em posições materiais versus compras experienciais. Ele descobriu que as pessoas eram muito mais felizes como resultado das experiências. "As pessoas geralmente pensam que gastar dinheiro em uma experiência não é um investimento tão sábio quanto gastar em uma posse material. Eles acham que a experiência virá e passará num piscar de olhos, e eles ficarão com pouco em comparação a possuir um item. Mas, na realidade, nos lembramos de experiências muito tempo depois, enquanto nos acostumamos às nossas posses. Ao mesmo tempo, também aproveitamos a antecipação de ter uma experiência mais do que a antecipação de possuir uma posse ”. De fato, a antecipação de uma experiência pode ser muito mais prazerosa do que esperar por uma posse material. Você pode ficar empolgado em comprar um carro novo, mas, a menos que você seja um verdadeiro engenheiro de mecânico, é provável que esteja mais empolgado com os lugares que pode entrar naquele carro e com a maneira como as pessoas olham para você naquele carro. O estudo de Gilovich de 2014 descobriu que as experiências são a cola de nossas vidas sociais , importando muito mais do que o último gadget porque: - As compras experienciais melhoram as relações sociais mais prontamente e efetivamente do que bens materiais. - As compras experienciais formam uma parte maior da identidade de uma pessoa. - As compras experienciais são avaliadas mais em seus próprios termos e evocam menos comparações sociais do que as compras de materiais. Mas por que as posses materiais não nos dão muita alegria? Gilovich explica : "Um dos inimigos da felicidade é a adaptação. Nós compramos coisas para nos fazer felizes, e conseguimos. Mas só por um tempo. Novas coisas são excitantes para nós no começo, mas depois nos adaptamos a elas." Um estudo de 2012 de Gilovich descreveu como as pessoas tendem a ter mais arrependimentos pela inação por experiências do que por cargos. Você se arrepende mais de não ir a um concerto com amigos do que não comprar uma nova mesa. Uma grande razão pela qual as experiências são mais importantes para nós do que objetos materiais é que elas são inerentemente sociais. Você geralmente tem uma experiência com amigos ou familiares. Isso os torna muito mais valiosos. As experiências também geralmente resultam em narrativas e conversas e, certamente, inúmeras postagens no facebook de suas fotos de férias. As experiências também refletem mais de quem realmente somos. Eles estão mais próximos de nosso eu interior, como somos, segundo Gilovich, "a soma total de todas as nossas experiências". E como tal, quando são compartilhadas, as experiências nos permitem nos aproximar dos outros de uma maneira impossível com objetos inanimados que podemos comprar. À medida que avançamos como sociedade, buscando coletivamente a felicidade, faria sentido considerarmos o que essa felicidade pode ser. Uma sociedade que trabalhe mais e mais horas e tenha menos tempo para lazer e experiências, provavelmente não será feliz. Fontes: http://psych.colorado.edu/~vanboven/research/publications/vb_gilo_2003.pdf https://static1.squarespace.com/static/5394dfa6e4b0d7fc44700a04/t/547d589ee4b04b0980670fee/1417500830665/Gilovich+Kumar+Jampol+(in+press)+A

  • MindStream - O Elo Perdido

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O Elo Perdido - A Estranha Conexão entre a Mente Humana e a Física Quântica

  • Imaginação Ativa

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Imaginação Ativa Imaginação Ativa: Uma Exploração do Inconsciente por Carl G. Jung A Imaginação Ativa é uma técnica psicoterapêutica e de autoconhecimento profundamente associada ao psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), fundador da psicologia analítica. Embora Jung tenha se inspirado em práticas antigas, como as dos alquimistas, ele reinventou e integrou essa abordagem em seu sistema psicológico como um método para dialogar diretamente com o inconsciente. Ao contrário da interpretação de sonhos ou da associação livre, a Imaginação Ativa não busca apenas decifrar simbolicamente os conteúdos inconscientes, mas sim estabelecer uma interação dinâmica com eles. A técnica consiste em focar em um estado de ânimo, imagem espontânea ou figura onírica e permitir que ela se desenvolva autonomamente, como se tivesse vida própria. O indivíduo, então, entra conscientemente nesse cenário imaginal, dialogando e interagindo com as figuras e elementos que emergem. Essa interação não é passiva; exige um engajamento ativo do ego, que questiona, responde e se posiciona frente às manifestações do inconsciente. Jung via a Imaginação Ativa como um meio poderoso para ativar o que ele denominou de "função transcendente". Esta função representa a capacidade da psique de unir opostos – consciente e inconsciente, racional e irracional – gerando uma nova síntese ou perspectiva que transcende a unilateralidade anterior. Ao confrontar e integrar os conteúdos sombrios, arquetípicos ou desconhecidos que emergem durante a Imaginação Ativa, o indivíduo promove o processo de individuação, ou seja, o caminho para se tornar um "si-mesmo" mais completo e integrado, a totalidade da psique. A criação e o desenvolvimento da Imaginação Ativa por Jung ocorreram no âmbito de sua própria jornada interior e de sua prática clínica. Ele percebeu que, para além da análise intelectual, era necessário um método que permitisse uma vivência direta e um confronto ético com as forças do inconsciente. Embora Jung tenha descrito e utilizado extensivamente a técnica em seus escritos e trabalho terapêutico, a sistematização mais formal do método em passos práticos foi realizada posteriormente por outros autores junguianos, como Robert A. Johnson. Em suma, a Imaginação Ativa, conforme concebida por Jung, é um convite a um mergulho corajoso nas profundezas da psique, não como um observador distante, mas como um participante ativo no drama interior. É um método que visa a integração psíquica e o desenvolvimento pessoal através do diálogo consciente com as imagens e energias que habitam o inconsciente, buscando a reconciliação dos opostos e a emergência de uma consciência mais ampla e unificada. A Imaginação Ativa é um tipo de Meditação ? Sim, podemos afirmar que a técnica de imaginação ativa criada por Jung possui semelhanças com certas formas de meditação, embora com características distintivas importantes. As semelhanças incluem: A necessidade de um estado mental receptivo e contemplativo, onde a atenção crítica é temporariamente suspensa, criando o que Jung chamou de "vácuo na consciência". A observação passiva inicial de conteúdos que emergem espontaneamente da psique, sem interferência direta da vontade consciente. A prática regular e disciplinada, que requer dedicação e tempo para desenvolver proficiência. A busca por uma transformação interior e ampliação da consciência. No entanto, a imaginação ativa difere de muitas formas tradicionais de meditação nos seguintes aspectos: Enquanto muitas práticas meditativas buscam esvaziar a mente ou observar pensamentos sem se envolver com eles, a imaginação ativa evolui para um diálogo ativo e engajamento com as figuras e imagens que emergem. Jung enfatiza a importância de tratar as figuras que surgem "como algo que existe", estabelecendo um diálogo real com elas, diferente da observação distanciada comum em algumas práticas meditativas. A imaginação ativa tem um componente dialético explícito, onde o ego consciente mantém sua perspectiva enquanto interage com os conteúdos inconscientes. O objetivo final não é apenas a tranquilidade mental ou o desapego, mas a integração de conteúdos inconscientes e a individuação. A imaginação ativa junguiana fundamenta-se em quatro elementos meditativos essenciais: primeiro, a criação de um "vácuo na consciência", estado receptivo onde a mente crítica é temporariamente suspensa, permitindo o acesso a conteúdos mais profundos; segundo, uma fase inicial de observação passiva, onde o indivíduo simplesmente testemunha o surgimento espontâneo de imagens e conteúdos psíquicos sem manipulá-los conscientemente; terceiro, o desenvolvimento de uma prática consistente e disciplinada, que exige dedicação contínua para aperfeiçoamento, similar a qualquer prática contemplativa; e quarto, o propósito transformador que visa não apenas o autoconhecimento, mas uma verdadeira expansão da consciência e integração psíquica. Estes elementos constituem a base meditativa sobre a qual se desenvolve o aspecto dialógico distintivo da técnica junguiana. A Imaginação Ativa seria um tipo de Hipnose ? Embora existam algumas semelhanças superficiais, seria impreciso caracterizar a imaginação ativa junguiana como um tipo de auto-hipnose. Vejamos as diferenças fundamentais: Na imaginação ativa: A consciência permanece ativa e participativa durante todo o processo. O ego mantém sua autonomia e capacidade crítica, dialogando com os conteúdos inconscientes. Há um engajamento dialético entre consciência e inconsciente, onde ambos mantêm suas perspectivas. O praticante permanece orientado e ciente do ambiente externo. O objetivo é a integração de conteúdos inconscientes à consciência. Na hipnose: Busca-se um estado alterado de consciência com redução da capacidade crítica. A sugestibilidade é aumentada e a autonomia do ego é temporariamente diminuída. Frequentemente envolve um estreitamento do foco de atenção. Pode incluir uma dissociação temporária da consciência normal. Geralmente visa implantar sugestões ou acessar memórias. Jung enfatizava a importância de manter a perspectiva consciente durante o diálogo com as figuras do inconsciente. Ele não buscava um estado de transe ou sugestibilidade aumentada, mas sim um diálogo genuíno entre diferentes aspectos da psique. A imaginação ativa requer um equilíbrio delicado: receptividade suficiente para permitir que os conteúdos inconscientes emerjam, mas também presença consciente suficiente para engajar-se ativamente com esses conteúdos. Este equilíbrio difere significativamente do estado hipnótico, onde a consciência crítica é deliberadamente reduzida.

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Documentários 1/3 O Guia para a Felicidade 1/1 Clique Aqui para Documentários Seja Membro e tenha acesso completo:

  • Eudaimonia

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Eudaimonia A palavra principal para a vivência da felicidade no grego antigo é Eudaimonia. Eudaimon é o adjetivo para “feliz”. Na etimologia, eudaimonia significa “(eu) bem disposto; (daimon) que tem um poder divino”. Assim, pode-se ver que no pensamento grego antigo a felicidade é um dom. Usufruir dos daimones – poderes divinos – é condição essencial para que alguém seja feliz. À felicidade humana, portanto, é conferida uma força espiritual além do controle dos homens, uma dádiva que depende unicamente dos humores dos deuses. No pensamento grego, um homem feliz (eudaimon) era aquele favorecido por um bom daimon, o mesmo que ter sorte. Logo, a eudaimonia requeria a boa sorte. No entanto, a felicidade, por ser uma concessão dos deuses, era débil, frágil, transitória…pois, ao ser dada aos homens, tornava-se suscetível aos contratempos próprios da vulnerabilidade humana, isto é, às vicissitudes do tempo e à ação dos elementos. Nesse sentido, o significado original da palavra eudaimonia carrega consigo uma contradição: ao mesmo tempo em que a felicidade é um dom, sua manutenção depende da vida que o feliz vive! Para Aristóteles, a eudaimonia significa atingir o potencial pleno de realização de cada um. Segundo Aristóteles, a felicidade é a meta da vida humana, tudo o que fazemos tem como motivo principal a busca da eudaimonia. Para ele, as atitudes amigáveis e a boa vontade que ofertamos a uma pessoa, não tem por objetivo agradar a essa pessoa mas, sim, promover a nossa própria eudaimonia. Portanto, mais do que um sentimento, a felicidade aristotélica está relacionada com o que uma pessoa faz de si e de sua vida, sendo uma expressão da virtude, a conseqüência natural de se fazer o que vale a pena ser feito.

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