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101 résultats trouvés avec une recherche vide

  • Atendimentos

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Local de Atendimento Atendimento Clínico com Hora Marcada: HT - MOEMA Endereço : R. Ubaíra, 70 - Moema São Paulo - SP - 04517-140 Telefone para Agendamento e Informações: Tel. 11- 9-93591776 ( whatsapp inclusive) ou tel. 11- 55435236 ( com Srta. Cris ) 1/1 SOBRE MIM: Graduado em em Odontologia pela Unicamp em 2001 e tendo escolhido a área de Cirurgia Buco Maxilo Facial , concluí minha Residência Médica Hospitalar em 2005. Em paralelo ao estudo e prática odontológica sempre me interessei pelos fenômenos da mente e do psiquismo e seus mistérios. Em busca desse aperfeiçoamento pessoal, concluí minha especialização em MEDICINA COMPORTAMENTAL E HIPNOSE CLÍNICA pela UNIFESP em paralelo com a especialização em HIPNOSE ERICKSONIANA . Alguns anos mais tarde, dei início à inha formação em PSICOLOGIA JUNGUIANA através de uma nova especialização, sempre em busca ao Conhecimento. Atualmente me dedico à pós graduação na área de FILOSOFIA . Meu intuito principal sempre foi o de auto-conhecimento. Desde então venho atuando clinicamente como Hipnoterapeuta Clínico em consultório particular e também ministrando cursos na área de Hipnose Clínica voltados para Profissionais de Saúde e Palestras na área de Reengenharia Humana com ênfase em Filosofia para a vida prática. Em acréscimo procuro desenvolver um projeto pessoal de divulgação de técnicas próprias de relaxamento e auto-hipnose que pude desenvolver nesses anos, numa nova abordagem desta maravilhosa ciência que denomino HIPNOSE TRANSCENDENTAL . Trata-se de uma nova roupagem na qual associo metodologias diversas como Visualização Criativa, Estados Alterados de Consciência, Filosofia Clínica, Hipnose Ericksoniana, Reengenharia Humana e Psicanálise Junguiana. Meu único objetivo é promover e levar um maior bem estar às pessoas e uma maior qualidade de vida. Assim como foi comigo, espero que a sua riqueza pessoal advenha também da compreensão de quem você realmente é. Conte comigo nessa busca interior. Espero seu contato. Abraços Fraternais - Paz Profunda Marcelo Martins Moreira

  • Navalha de Ockham

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A Navalha de Ockham. A navalha de Ockham é um princípio filosófico que afirma que, entre duas explicações igualmente válidas para um fenômeno, a mais simples é a mais provável. Em outras palavras, se duas hipóteses podem explicar os mesmos fatos, devemos escolher a hipótese com o menor número de suposições ou entidades. A navalha de Ockham foi formulada pelo filósofo escolástico inglês Guilherme de Ockham, no século XIV. Ela foi inspirada na ideia de que Deus é um ser simples e perfeito, e que, portanto, o mundo criado por ele também deve ser simples e perfeito. A navalha de Ockham tem sido aplicada em diversos campos do conhecimento, incluindo a filosofia, a ciência, a teologia e a política. Na filosofia, ela é usada para avaliar a validade de teorias e argumentos. Na ciência, ela é usada para simplificar modelos e explicar fenômenos naturais. Na teologia, ela é usada para interpretar textos sagrados. Na política, ela é usada para avaliar políticas públicas. A navalha de Ockham também pode ser usada como um exercício da vida diária moderna. Por exemplo, se você está tentando decidir entre duas opções, você pode aplicar a navalha de Ockham para escolher a opção mais simples. Aqui estão alguns exemplos práticos de como a navalha de Ockham pode ser usada na vida diária: - Se você está procurando um presente para um amigo, você pode escolher o presente mais simples que ainda seja significativo. - Se você está tentando resolver um problema, você pode começar com a solução mais simples e ver se ela funciona. - Se você está tentando tomar uma decisão, você pode pesar os prós e os contras de cada opção e escolher a opção com o menor número de desvantagens. O nome “navalha de Ockham” é uma tradução do termo latino lex parsimoniae, que significa “lei da parcimônia”. Ockham acreditava que Deus é um ser simples e perfeito, e que, portanto, o mundo criado por ele também deve ser simples e perfeito. Essa ideia inspirou o princípio da parcimônia, que afirma que, entre duas explicações igualmente válidas para um fenômeno, a mais simples é a mais provável. A tradução “navalha de Ockham” é uma analogia à ideia de que a simplicidade é preferível à complexidade. A navalha é uma ferramenta que é usada para cortar coisas, e a ideia é que a simplicidade “corta” a complexidade desnecessária. A navalha de Ockham é uma ferramenta útil para simplificar a vida e tomar decisões mais acertadas.

  • HT - Sabedoria do Silêncio Interior

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Sabedoria do Silêncio Interno Pense no que vai dizer antes de abrir a boca. Seja breve e preciso, já que cada vez que deixa sair uma palavra, deixa sair uma parte do seu Chi (energia). Assim, aprenderá a desenvolver a arte de falar sem perder energia. Nunca faça promessas que não possa cumprir. Não se queixe, nem utilize palavras que projetem imagens negativas, porque se reproduzirá ao seu redor tudo o que tenha fabricado com as suas palavras carregadas de Chi. Se não tem nada de bom, verdadeiro e útil a dizer, é melhor não dizer nada. Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia. O Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu, porque aceita, sem condições, os nossos pensamentos, emoções, palavras e ações, e envia-nos o reflexo da nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam nas nossas vidas. Se se identifica com o êxito, terá êxito. Se se identifica com o fracasso, terá fracasso. Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo da nossa conversa interna. Aprenda a ser como o universo, escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem preconceitos. Porque, sendo como um espelho, com o poder mental tranquilo e em silêncio, sem lhe dar oportunidade de se impor com as suas opiniões pessoais, e evitando reações emocionais excessivas, tem oportunidade de uma comunicação sincera e fluída. Não se dê demasiada importância, e seja humilde, pois quanto mais se mostra superior, inteligente e prepotente, mais se torna prisioneiro da sua própria imagem e vive num mundo de tensão e ilusões. Seja discreto, preserve a sua vida íntima. Desta forma libertar-se-á da opinião dos outros e terá uma vida tranquila e benevolente invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o TAO. Não entre em competição com os demais, a terra que nos nutre dá-nos o necessário. Ajude o próximo a perceber as suas próprias virtudes e qualidades, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos. Tenha confiança em si mesmo. Preserve a sua paz interior, evitando entrar na provação e nas trapaças dos outros. Não se comprometa facilmente, agindo de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação. Tenha um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta e só então tome uma decisão. Assim desenvolverá a confiança em si mesmo e a Sabedoria. Se realmente há algo que não sabe, ou para que não tenha resposta, aceite o fato. Não saber é muito incômodo para o ego, porque ele gosta de saber tudo, ter sempre razão e dar a sua opinião muito pessoal. Mas, na realidade, o ego nada sabe, simplesmente faz acreditar que sabe. Evite julgar ou criticar. O TAO é imparcial nos seus juízos: não critica ninguém, tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade. Cada vez que julga alguém, a única coisa que faz é expressar a sua opinião pessoal, e isso é uma perda de energia, é puro ruído. Julgar é uma maneira de esconder as nossas próprias fraquezas. O Sábio tolera tudo sem dizer uma palavra. Tudo o que o incomoda nos outros é uma projeção do que não venceu em si mesmo. Deixe que cada um resolva os seus problemas e concentre a sua energia na sua própria vida. Ocupe-se de si mesmo, não se defenda. Quando tenta defender-se, está a dar demasiada importância às palavras dos outros, a dar mais força à agressão deles. Se aceita não se defender, mostra que as opiniões dos demais não o afetam, que são simplesmente opiniões, e que não necessita de os convencer para ser feliz. O seu silêncio interno torna-o impassível. Faça uso regular do silêncio para educar o seu ego, que tem o mau costume de falar o tempo todo. Pratique a arte de não falar. Tome algumas horas para se abster de falar. Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado, em vez de tentar explicar o que é o TAO. Progressivamente desenvolverá a arte de falar sem falar, e a sua verdadeira natureza interna substituirá a sua personalidade artificial, deixando aparecer a luz do seu coração e o poder da sabedoria do silêncio. Graças a essa força, atrairá para si tudo o que necessita para a sua própria realização e completa libertação. Porém, tem que ter cuidado para que o ego não se infiltre… O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio. Se o ego se impõe e abusa desse Poder, este converter-se-á num veneno, que o envenenará rapidamente. Fique em silêncio, cultive o seu próprio poder interno. Respeite a vida de tudo o que existe no mundo. Não force, manipule ou controle o próximo. Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser. Por outras palavras, viva seguindo a via sagrada do TAO. (Texto Taoísta)

  • Como ajudar alguém com depressão

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa 5 maneiras de ajudar um amigo que sofre com depressão. A depressão é a principal causa de incapacidade no mundo. Nos Estados Unidos, cerca de 10% dos adultos lutam contra a depressão. Mas como é uma doença mental, pode ser muito mais difícil de entender do que, digamos, o colesterol alto. Uma das principais fontes de confusão é a diferença entre ter depressão e sentir-se deprimido. Quase todos se sentem de tempos em tempos, mas a depressão clínica é diferente. É um distúrbio médico e não desaparece só porque você quer. Permanece por pelo menos duas semanas consecutivas e interfere significativamente na capacidade de trabalhar, brincar ou amar. É provável que você conheça alguém que sofre de depressão. Aqui estão algumas maneiras que você pode ajudar. 1. Ajude a encontrar ajuda: Se você conhece alguém que está sofrendo de depressão, incentive-os - gentilmente - a procurar ajuda. Você pode até se oferecer para ajudar em tarefas específicas, como procurar por terapeutas na área ou fazer uma lista de perguntas para consultar um médico. Para alguém com depressão, esses primeiros passos podem parecer intransponíveis. 2. Ser informado: Se eles se sentem culpados ou envergonhados, ressalte que a depressão é uma condição médica como a asma ou o diabetes. Não é uma fraqueza ou um traço de personalidade, e eles não devem esperar que “simplesmente superem isso” mais do que poderiam superar um braço quebrado. Quanto mais você souber sobre doença mental, melhor será capaz de entender o que eles estão passando e apoiá-los. 3. Não subestime: se você não sofreu depressão por si mesmo, evite compará-lo a momentos em que se sentiu deprimido - comparando o que ele está vivenciando ao normal, sentimentos temporários de tristeza podem fazê-los sentirem-se culpados por lutarem. 4. Elimine o estigma: mesmo falar abertamente sobre depressão pode ajudar. Por exemplo, pesquisas mostram que perguntar a alguém sobre pensamentos suicidas realmente reduz seu risco de suicídio. Conversas abertas sobre doenças mentais ajudam a corroer o estigma e facilitam as pessoas a pedir ajuda. E quanto mais os pacientes procurarem tratamento, mais os cientistas aprenderão sobre depressão e melhor os tratamentos. 5. Continue a conversa: Como os sintomas da depressão são intangíveis, é difícil saber quem pode parecer bem, mas na verdade está com dificuldades. Só porque seu amigo pode parecer bem um dia, não assuma que "melhorou". Permaneça de suporte. Traduzido do Original: https://blog.ed.ted.com

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A hipnose funciona? Sim. Mas como ela funciona? E até que ponto pode ser usada para controlar melhor a sua própria mente? A hipnose começou a ser praticada no século 18, quando o médico alemão Franz Anton Mesmer defendeu sua tese de doutorado na Universidade de Viena. Mesmer propunha uma ideia estapafúrdia: a atração gravitacional entre a Terra e outros corpos celestes afetava a saúde das pessoas, sendo responsável por vários tipos de doença mental. Por incrível que pareça, a tese foi aceita e Mesmer recebeu o diploma em 1766. Logo ele começou a desenvolver outra ideia – o corpo humano estava cheio de fluidos magnéticos, cujo desequilíbrio era nocivo e deveria ser corrigido. No tratamento, o paciente ficava sentado numa cadeira enquanto Mesmer olhava em seus olhos, pedia que se concentrasse ou tocava em seus braços e mãos – técnicas similares às da hipnose moderna. Em 1778, depois que não conseguiu curar uma pianista acometida de cegueira nervosa, Mesmer foi expulso de Viena e se instalou em Paris. Mais ousado, ele passou a andar vestido de violeta e a usar uma varinha de condão (objeto que ele inventou). Sua clínica foi o maior sucesso, e em 1784 o rei Luis 16 formou uma comissão de cientistas notáveis, que incluía Antoine Lavoisier e Benjamin Franklin, para estudar os poderes de Mesmer. Eles concluíram que se tratava de um charlatão (a teoria dos fluidos magnéticos, claro, era pura bobagem), mas que tinha alguns poderes: ele representava um perigo para a sociedade, porque supostamente era capaz de “mesmerizar” – palavra que se tornou um sinônimo de enfeitiçar – as pessoas contra a vontade delas. As técnicas de Mesmer foram proibidas, e a hipnose começou a se transformar em show circense. Mas alguns discípulos continuaram a acreditar na sua eficácia como tratamento. Um deles era o médico escocês James Braid. Em 1843, ele resolveu trocar o nome da mesmerização para torná-la mais aceitável. E cunhou o termo “hipnose” – que vem de Hypnos, a deusa grega do sono. Braid adotou uma abordagem mais científica, e a partir daí a hipnose passou a ser estudada por gente mais séria – como o francês Jean-Martin Charcot (1825-1893), considerado o pai da neurologia, o psicólogo russo Ivan Pavlov (1849-1936) e o próprio Freud, que chegou a hipnotizar seus pacientes no começo da carreira. Mesmo assim, a hipnose só começou a ser aceita pela ciência em 1997, quando o psiquiatra americano Henry Szechtman fez uma experiência com 8 voluntários. Eles foram vendados e ouviram uma gravação que repetia a seguinte frase: “O homem não fala muito. Mas, quando ele fala, vale a pena ouvir o que diz”. Szechtman desligou o som e pediu aos voluntários que tentassem imaginar a frase. Em seguida, hipnotizou todo mundo e disse que iria tocar a fita novamente. Era mentira; não havia som nenhum. Mesmo assim, os voluntários disseram ter ouvido a gravação – eles sofreram uma alucinação auditiva por causa da hipnose. Monitorando o cérebro dos voluntários, o cientista descobriu o seguinte. Durante a alucinação e quando a gravação estava tocando de verdade, a atividade do cérebro era idêntica. Já quando as pessoas apenas imaginavam o som, a atividade era diferente. Outros estudos comprovaram esse efeito, e permitiram chegar a uma conclusão definitiva: a hipnose existe, não é fingimento e tem um efeito característico sobre o cérebro – é uma simulação perfeita da realidade, muito mais forte que a imaginação ou a autossugestão. Uma pessoa hipnotizada pode literalmente ver, ouvir e sentir o que é sugerido pelo hipnotizador. Mas como isso acontece? A resposta começou a aparecer num teste feito pelo neurocientista Pierre Rainville, da Universidade de Montreal. Ele pediu que voluntários mergulhassem a mão em tigelas com água muito quente (a 47 oC). Como estavam hipnotizadas, as cobaias não sentiam dor. Rainville observou o cérebro daquelas pessoas e descobriu algo estranho. O sistema límbico, que é um pedaço primitivo do cérebro que nós herdamos dos répteis e processa os sinais que vêm do corpo, como a dor, estava operando normalmente. Mas o neocórtex, uma região cerebral que só existe nos mamíferos avançados e é responsável pela nossa consciência, ignorava os sinais do sistema límbico. É como se, durante a hipnose, o “cérebro humano” parasse de se comunicar com o “cérebro reptiliano”. É por isso que a hipnose tem efeitos tão profundos. A pessoa não fica dormindo. Fica acordada, consciente e sabendo que está sendo hipnotizada. A diferença é que, como o neocórtex é privado das informações fornecidas pelo sistema límbico (que além de processar a dor também controla a memória e reações como desconfiança, vergonha, medo, fome, iniciativa, prazer e desejo sexual), a consciência fica sem reservas nem referências – e, por isso, totalmente vulnerável às sugestões do hipnotizador. Esse poder pode servir para obrigar uma pessoa a imitar uma galinha, mas também tem uso terapêutico. O Conselho Federal de Odontologia regulamentou o uso da hipnose – os dentistas devidamente qualificados podem utilizá-la como complemento da anestesia. E o Conselho Federal de Medicina já reconhece a hipnose como ferramenta no tratamento de dores crônicas (o Hospital das Clínicas, em São Paulo, oferece a hipnoterapia como opção para tratar as dores de pacientes de câncer) e em várias formas de psicoterapia – há estudos comprovando que ela é eficaz contra o tabagismo, a ansiedade, a depressão e outros transtornos psíquicos. Pesquisas recentes também constataram, de maneira surpreendente, efeitos fisiológicos da hipnose: há indícios de que possa ajudar no tratamento de hipertensão e de problemas gastrointestinais e no sistema imunológico. Tudo isso depende, claro, do seu grau de sensibilidade. Por que algumas pessoas podem ser completamente tomadas pela hipnose, enquanto outras são imunes a ela? E como técnicas tão banais, como balançar um reloginho na frente de uma pessoa, podem ter tanta força sobre a mente? A hipnose é muito mais comum do que se imagina. Você já deve ter se auto-hipnotizado milhares de vezes e nem percebeu. Um exemplo: sabe quando você está indo para algum lugar, mas acaba se distraindo com os próprios pensamentos e ao chegar nem se lembra do caminho que fez? É uma forma fraquinha de hipnose. O estado hipnótico é parecido com o que acontece quando você fica absorto, lendo um livro ou vendo um filme. É um estado de grande atenção, em que o cérebro foca em uma coisa e se desliga do resto. Mas não tem nada de extraordinário; é um mecanismo que faz parte do funcionamento normal do cérebro. Existem vários métodos de hipnotizar, mas todos seguem a mesma lógica. Tanto faz se o hipnólogo balança um objeto ou diz palavras suaves – o que conta é prender a atenção da pessoa e reduzir seu grau de inibição. Se essas duas condições forem atendidas, pronto: você conseguiu calar o sistema límbico e cativar o neocórtex, e a pessoa está hipnotizada. Para o psicólogo americano Michael Nash, autor de dezenas de estudos sobre hipnose e organizador do maior livro sobre o assunto, o Oxford Handbook of Hypnosis, nossa suscetibilidade à hipnose pode ser obra da seleção natural. Ao longo da evolução da humanidade, em que as situações de dor eram muito mais comuns do que hoje (a anestesia como a conhecemos só foi inventada no século 19), quem tinha mais capacidade de ignorar o próprio sistema límbico e suportar o sofrimento físico levou vantagem na vida. Viveu mais e gerou mais descendentes, que foram espalhando essa característica pela humanidade. É por isso que, hoje, 80% da população mundial é hipnotizável em algum grau. Mas como medir o grau de sensibilidade à hipnose? Os métodos mais famosos são a Escala Grupal de Harvard, criada em 1962, e a Escala Stanford, de 1959. Este último, individual, é o mais usado pelos pesquisadores. Consiste num teste de mais ou menos 50 minutos, com 3 sessões de 12 exercícios que testam habilidades hipnóticas cada vez mais difíceis – como regressar mentalmente à infância, ficar sem poder abrir os olhos, obedecer a uma sugestão pós-hipnótica (pular da cadeira sempre que ouvir determinado som, por exemplo), tornar-se incapaz de sentir odores fortes e desagradáveis, e o exercício mais difícil de todos, esquecer tudo o que aconteceu durante a sessão. Esses testes foram aplicados em milhares de pessoas, ao longo de várias décadas, e descobriram várias coisas. A sensibilidade à hipnose se mantém estável durante a vida (é a mesma na infância, na idade adulta e na velhice), não tem relação com o sexo, a escolaridade ou a inteligência das pessoas. E é hereditária. Existe um teste rápido que você mesmo pode fazer. Leia a frase a seguir: “Quando o carro vermelho buzinou, o cachorro preto latiu e chegou ao portão da casa amarela”. Agora feche os olhos e responda: quais são as cores das palavras desta frase? Não estou perguntando os nomes escritos; quero saber as cores da tinta que usamos para imprimir as palavras em destaque. Se o seu cérebro é um pouco hipnotizável, como o de 80% das pessoas, você terá alguma dificuldade para responder – porque sua mente aprendeu e sabe, instintivamente, que o significado das palavras é mais importante que a cor delas. Já se você for extremamente hipnotizável, como 15% da população, respondeu no ato e sem problemas. Isso se deve a uma diferença estrutural no cérebro. Pesquisas feitas na Universidade de Virgínia, nos EUA, revelaram que o cérebro das pessoas altamente hipnotizáveis possui duas características marcantes. É mais assimétrico – a divisão de tarefas entre os dois hemisférios do cérebro é mais intensa do que em pessoas comuns. E seu corpo caloso, estrutura que conecta o hemisfério esquerdo ao direito, é em média 31,8% maior. Os cientistas especulam que a superconexão faça as informações fluir mais facilmente dentro do neocórtex (que se divide entre os dois hemisférios do cérebro). E por isso o cérebro tenha maior facilidade em suprimir, ou ignorar, a atuação do sistema límbico. A hipnose é uma ferramenta poderosa, que já vem embutida no cérebro e pode ser usada de maneira positiva. Por esse motivo, em meus 20 anos de estudos pessoais na área a denominei de Hipnose Transcendental. Ela é um mecanismo anterior ( ‘a priori’ ) à sua própria escolha consciente e faz parte do seu dia a dia inconsciente. Nesse sentido também é naturalista. O pior que pode acontecer é ela não funcionar com você. Mas calma… você é pelo menos um pouquinho hipnotizável, não é? Eu sei que sim...

  • Silêncio Interior

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Silêncio Interior Um tapete de silêncio é tudo que precisamos criar para adentrar o nosso castelo interior - uma exigência muito pesada para a maioria das pessoas de hoje em dia. Qual lugar o silêncio ocupa em sua vida diária? Hoje em dia o silêncio é considerado estranho quando as pessoas não sabem o que dizer em uma confraternização ou quando estão entre desconhecidos dentro de um elevador. Esse silêncio perturbador incomoda a maioria. Por outro lado, há o silêncio consolador: o silêncio de nossos filhos quando estão dormindo, o silêncio nas montanhas e até mesmo a tranquilidade dentro de locais de oração. Assim como acontece com o silêncio, há os sons bons e os ruins. O tipo ruim se chama barulho. Barulho incessante cria estresse e nos priva de nosso sono reparador, e em certos casos pode se tornar um tipo de tortura. E há ainda um certo tipo de som procurado como música alta que é tocada em shows para um público pagante que o denomina como o 'som do momento'. Pode ser barulho para muitos, mas para outros é o ápice do prazer. Mesmo dentro de um simples elevador, uma música suave de fundo às vezes se faz presente, de fundo, para manter o barulho de fora distante. Positivamente, a música clássica pode ser usada em salas de aula ou em ambientes de estudo para ajudar o estudante a se concentrar. Em resumo, o tipo errado de ruído nos incomoda e o certo, nos ajuda. O desafio nos dias atuais é encontrar o silêncio positivo em plena rotina de uma cidade grande, no mesmo cenário onde a maioria vive. Mas o maior desafio das pessoas é encontrar dentro delas o silêncio positivo. Na construção de nosso castelo interior, as pessoas descobrem que os maiores obstáculos estão dentro delas mesmas. Costumam ser diferentes e com degraus distintos para cada um. Aquele com o qual a maioria se defronta, são os que chamamos de 'vozes na minha cabeça': os pensamentos correndo em todas as direções. Nas palavras de Rumi, poeta e teólogo sufi persa so século XIII: " Quando se aquietam os lábios, mil línguas ferem o coração" Esvaziar a cabeça de todos os pensamentos, palavras e imagens é quase impossível, mas de alguma forma, esse ruído interno estressante precisa tornar-se um som interno um pouco mais gentil, para que você possa ter a paz necessária para a construção de seu castelo, que será sua fortaleza inabalável. Para enfrentar esse passo das vozes em sua cabeça, primeiro devemos ponderar como cada um de nós tenta evitar o silêncio, para depois descobrir como podemos criar tempos de silêncio em nossa vida, de forma que o silêncio possa se tornar uma rotina saudável. Uma forma de se criar o silêncio interno é deixar crescer o silêncio externo. Diminuir todas as distrações, barulhos, interrupções fazendo com que o silêncio externo possa levar ao silêncio interno. Todos os antigos monges dominavam essa sabedoria há séculos. Em alguns monastérios, ainda hoje, há normas específicas para se quebrar o silêncio apenas durante a comunicação de trabalhos ou na recepção de convidados. Alguns promovem o 'fundo de silêncio' fazendo suas refeições assim, enquanto um monge lê em voz alta passagens bíblicas. Esse silêncio externo não é um fim em si mesmo, está ali para deixar o silêncio externo crescer no monge de forma que a vida interior possa florescer. A metáfora do jardim pode nos ajudar: se não estamos acostumados ao silêncio, umas das primeiras coisas que vamos notar aos ficarmos quietos são as distrações dentro de nós: as ervas daninhas. Mesmo que tentemos arrancá-las elas voltam a crescer e prejudicar o brotamento das flores. Hoje em dia a nossa erva daninha se chama celular. Conversar ou ouvir música são os meios mais comuns de ser evitar o silêncio contemplativo. Também a leitura de livros, embora saudável, também pode ser um meio de fuga, uma distração em relação ao que o silêncio pode oferecer por si mesmo. Uma das regras de Bento de Núrsia, fundador da Ordem Beneditina, fala especificamente sobre conter também a necessidade de falar. Deveríamos, segundo ele, tentar omitir 'vulgaridades e bisbilhotices' de nossas conversar e observar o que acontece. Assim teríamos mais tempo para escutar o que importa na vida das pessoas e na nossa própria vida. Sua regra mais elevada e simples: "ao discípulo compete calar e ouvir": tarefa dificílima de auto-controle na atual moda das redes sociais... Existem momentos clássicos para você desfrutar do silêncio: de manhã bem cedo e à noite. Isso não importa. Você deve construir seu próprio tempo de silêncio em sua rotina. Uma grande ajuda é possuir no lugar onde você vive um pequeno sanctum ou local sagrado. Não precisa ser nada elaborado, pode ser simples e só conter uma foto, ou um texto, ou qualquer objeto que você considere sagrado. A disciplina de parar seus afazeres por alguns minutos e visitar esse local é de extrema valia para se criar o hábito de silenciar em seu castelo interior. Posteriormente, com o hábito, você sentirá necessidade de fazer um retiro de algumas horas em silêncio e até mesmo de se fazer um retiro de um dia ou mais, a fim de experimentar o silêncio mais profundamente. Não tenha pressa. Tudo vem no seu próprio tempo. Embarcar na tarefa de construir seu silêncio particular é muito difícil, principalmente numa cultura que oferece uma versão consumista para tudo ( "Para paz e quietude, experimente nosso Spa", ou que julga qualquer esforço nesse sentido como esquisitice ou loucura, mas preencher seu castelo interior com esse silêncio é necessário para construção da sua autarquéia, do poder sobre si mesmo. O silêncio se tornará então o Silêncio do Sagrado, uma característica do seu castelo interior, nos transportando aos mundos do infinito, numa elevação ascética de elevação espiritual, de tentativa constante de superação do si-mesmo. Na procura do transcendente a contemplação exige silêncio, não só aquele que nos rodeia mas o silêncio interior, condição para o alheamento do mundo, da abstração da realidade, exercício da pura intelectualidade, alienação dos sentidos até que se consiga a união com o numinoso. Que o silêncio seja o próprio ar que você respira. Boa Semana. Paz Profunda.

  • Hipnose Transcendental?

    Hipnose Clínica - Hipnose Ericksoniana , Psicoterapia Junguiana, Psicanálise, Atendimentos Individualizados, Palestras e Cursos em Reengenharia Humana, Filosofia e Equilíbrio Emocional. O que é hipnose clínica? A hipnose clínica é uma técnica terapêutica que utiliza o estado de hipnose para promover mudanças positivas na vida das pessoas. O estado de hipnose é um estado de consciência focalizada e atenção seletiva, caracterizado por uma maior capacidade de resposta à sugestão. Na hipnose clínica, o paciente é conduzido pelo terapeuta a um estado de relaxamento e concentração, no qual ele se torna mais receptivo às sugestões do terapeuta. Essas sugestões podem ser utilizadas para acessar o inconsciente, onde estão armazenadas as memórias, emoções e crenças que influenciam nosso comportamento. As aplicações da hipnose clínica na moderna psicoterapia são diversas, incluindo: Tratamento de transtornos mentais: a hipnose pode ser eficaz no tratamento de diversos transtornos mentais, como ansiedade, depressão, fobias, estresse pós-traumático e transtornos alimentares. Alívio da dor: a hipnose pode ser utilizada para reduzir a dor física, seja ela aguda ou crônica. Melhoria do desempenho: a hipnose pode ser utilizada para melhorar o desempenho em atividades físicas, acadêmicas ou profissionais. Autoconhecimento: a hipnose pode ser utilizada para promover o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. A hipnose clínica é uma ferramenta eficaz e segura, que pode ser utilizada para promover mudanças positivas na vida das pessoas. No entanto, é importante ressaltar que a hipnose não é uma panaceia e deve ser utilizada sob a orientação de um profissional qualificado. O que acontece durante a hipnose clínica? Durante a hipnose clínica, o paciente é conduzido pelo terapeuta a um estado de relaxamento e concentração. O terapeuta pode utilizar diferentes técnicas para induzir o estado de hipnose, como: Sugestão verbal: o terapeuta utiliza palavras e frases para guiar o paciente a um estado de relaxamento e concentração. Imagens: o terapeuta pode utilizar imagens ou metáforas para ajudar o paciente a relaxar e se concentrar. Toque: o terapeuta pode utilizar o toque para ajudar o paciente a relaxar e se concentrar. Uma vez que o paciente atinge o estado de hipnose, o terapeuta pode utilizar as sugestões para acessar o inconsciente e promover mudanças positivas na vida do paciente. Como a hipnose clínica funciona? A hipnose clínica funciona por meio da amplificação da atenção e da concentração. No estado de hipnose, o paciente fica mais focado no momento presente e mais receptivo às sugestões do terapeuta. As sugestões do terapeuta podem ser utilizadas para acessar o inconsciente, onde estão armazenadas as memórias, emoções e crenças que influenciam nosso comportamento. Ao acessar essas informações, o paciente pode trabalhar nelas para promover mudanças positivas em sua vida. A hipnose clínica é segura? A hipnose clínica é uma ferramenta segura e eficaz. No entanto, é importante ressaltar que a hipnose não é uma panaceia e deve ser utilizada sob a orientação de um profissional qualificado. O terapeuta deve ser um profissional formado em hipnose clínica e com experiência no tratamento de transtornos mentais ou outros problemas que possam ser tratados com hipnose. Quem pode se beneficiar da hipnose clínica? A hipnose clínica pode ser benéfica para pessoas que sofrem de diversos transtornos mentais ou outros problemas, incluindo: Ansiedade: a hipnose pode ser eficaz no tratamento de diversos transtornos de ansiedade, como transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico e fobias. Depressão: a hipnose pode ser eficaz no tratamento da depressão, principalmente quando combinada com outros tratamentos, como a terapia cognitivo-comportamental. Estresse pós-traumático: a hipnose pode ser eficaz no tratamento do estresse pós-traumático, ajudando o paciente a lidar com as memórias e emoções traumáticas. Transtornos alimentares: a hipnose pode ser eficaz no tratamento de transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar. Alívio da dor: a hipnose pode ser eficaz no alívio da dor física, seja ela aguda ou crônica. Melhoria do desempenho: a hipnose pode ser utilizada para melhorar o desempenho em atividades físicas, acadêmicas ou profissionais. Autoconhecimento: a hipnose pode ser utilizada para promover o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. Se você está pensando em utilizar a hipnose clínica, é importante consultar um profissional qualificado para avaliar se a hipnose é a melhor opção para você.

  • MindStream - Biblioteca Jung

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Acesso Exclusivo para Membros Biblioteca Carl G. Jung e afins Parte 1 somente Go to link 1/1 Biblioteca Marie Louise Von Franz Biblioteca Edward Edinger Biblioteca Sigmund Freud Biblioteca James Hillman 1/1 Biblioteca Joseph Campbell 1/1 Biblioteca Connie Zweig Biblioteca Jolande Jacobi Biblioteca Robert A. Johnson Biblioteca Barbara Hanah Biblioteca James Hollis Biblioteca Erich Neumann

  • Fuga de Nós Mesmos.

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A Fuga de Nós Mesmos Quantas vezes não nos preocupamos com a vida alheia só para fugir de nós mesmos? A preocupação com a vida alheia pode ser uma forma de distração, uma maneira de evitarmos confrontar nossos próprios problemas e desafios. Quando nos preocupamos com os outros, estamos colocando nossa atenção no exterior, no que está acontecendo fora de nós. Isso pode nos ajudar a evitar pensar em nossos próprios problemas, mas também pode nos impedir de crescer e nos desenvolver como indivíduos. Até a preocupação com a política não raro serve a isso. A política pode ser uma fonte de grande ansiedade e estresse. Quando nos preocupamos com a política, estamos nos concentrando em algo que está fora de nosso controle. Isso pode nos deixar nos sentindo impotentes e frustrados. As redes sociais, a tempestade de notícias e a sobrecarga de divertimentos disponíveis permitem que se quisermos jamais prestemos atenção no nosso próprio guia interior. Elas são todas fontes de distração. Elas nos bombardeiam com informações e estímulos, o que pode nos deixar sobrecarregados e agitados. Quando estamos distraídos, é mais difícil prestar atenção em nós mesmos e em nossos próprios pensamentos e sentimentos. O centro de nossa consciência que a única parte de nós capaz de prestar atenção na nossa complexidade moral, em Deus e no próximo. O centro de nossa consciência, ou Self, é a parte de nós que está conectada com nosso propósito, nossos valores e nossa essência. É a parte de nós que é capaz de nos guiar para uma vida mais plena e significativa. Quando vivemos em fuga de nós mesmos, estamos vivendo uma vida superficial e sem sentido. Estamos vivendo como animais, simplesmente reagindo aos estímulos externos sem pensar nas consequências de nossas ações. Precisamos ter paciência com os desvios inevitáveis e toda vez que notarmos isso, sem culpa, sem censura, tentar voltar ao centro de nós mesmos. O retorno ao Self é um processo contínuo. É um processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento. É um processo que vale a pena percorrer.

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O Lado Sério da Hipnose A ciência explica como a técnica tem ajudado pacientes a deixar de fumar, perder peso, combater estresse e tratar dores crônicas. A psicóloga Lina Schlachter ouve gritos vindos da emergência do centro médico da Universidade de Tennessee, nos Estados Unidos, e se apressa. No corredor do setor de traumas, depara-se com um mecânico de 42 anos urrando de dor. Ele teve a perna direita destroçada após um acidente em uma das fábricas da região e está imobilizado, suando muito. Após encontrar com Lina, pouco a pouco, os gritos do paciente se transformam em gemidos, cada vez mais baixos. Dez minutos depois, ele relata que a dor, antes insuportável, não o incomoda mais. No lugar, diz haver apenas um formigamento. Tudo isso, sem nenhum sedativo. A cearense Lina, doutora em psicologia clínica pela Universidade do Tennessee, não faz mágica. “Foram exercícios de respiração e uma série de sugestões para que ele se concentrasse, pensasse no lugar de que mais gosta de passear e começasse a relaxar”, diz. O caso do acidente, apresentado em uma conferência médica nos Estados Unidos em 2008, é um exemplo de como a medicina tradicional tem se aliado a certas técnicas de hipnose para combater diversos problemas de saúde. Ele se soma a uma série de pesquisas publicadas em alguns dos periódicos científicos mais rigorosos do mundo, como Science, The Lancet e Proceedings of the National Academy. E o que esses estudos afirmam? Que dá, sim, para tratar dores crônicas, insônia, enxaqueca, obesidade, vícios, fobias, doenças de pele, entre outros males, com hipnose. Mas não é aquela hipnose de estalar dedos e fazer com que o problema desapareça. São sessões com método definido, em tratamentos que podem levar meses. Não à toa, há cada vez mais cientistas e pesquisadores “hipnotizados” pelo tema. O número de estudos publicados por ano sobre o assunto cresceu 50% na última década, chegando a 280 só em 2009 (último ano com números fechados), segundo o banco de dados científico Pubmed. Entre as pesquisas recentes, destaca-se levantamento com 124 mulheres realizado em 2010 na Universidade de Stanford que constatou que a prática da hipnose pode atenuar o sofrimento de pacientes com câncer de mama. Outro trabalho, feito em 2008 na Universidade da Califórnia, avaliou fumantes que usaram a técnica para largar o cigarro — o grupo de hipnotizados teve 50% mais sucesso no tratamento em relação ao outro time. Quem hipnotiza hoje não são showmen com ar sombrio, jeito de ilusionista e papo de charlatão. Os novos hipnotizadores têm diploma de médico, psicólogo ou dentista, e preferem ser chamados de hipnólogos. Não se encontram em programas de variedades, mas em locais como o Hospital das Clínicas, o A.C. Camargo e o São Camilo, todos em São Paulo, além de clínicas médicas renomadas. “A prática vem crescendo bastante no Brasil, principalmente contra problemas de somatização, quando uma doença se manifesta ou se agrava por causa de algum distúrbio emocional. Os conselhos federais de medicina, psicologia, odontologia e fisioterapia já a aprovam”, diz a psicóloga Miriam Pontes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose, que conta com 2 mil profissionais associados em todo o Brasil. BISTURI SEM ANESTESIA > Ao saber que teria de arrancar um nódulo mamário no seio, a diarista Andreia Peres Maranhão, 34 anos, ficou com medo de não conseguir mais amamentar. Ela havia acabado de ter um bebê e, com o efeito dos anestésicos, o leite poderia ser comprometido. Quando a anestesista Cristiane Hikiji lhe contou sobre a possibilidade de realizar anestesia por hipnose, Andreia decidiu experimentar. Foram 12 sessões preparatórias até a cirurgia. “Já tinha tirado outro tumor no seio e foi difícil recuperar, mas com a hipnose foi rapidinho, não doeu em nenhum momento” COMO FUNCIONA Olhe fixamente nos meus olhos e esqueça toda aquela ideia de pêndulo, comer cebola achando que é maçã, cocoricar feito um galo e outras pirotecnias. Cientificamente falando, a hipnose é um estado em que a percepção, a memória e as ações de alguém podem ser alteradas por sugestão de outra pessoa. Alguns têm facilidade imensa em serem hipnotizados; outros, raramente conseguem. “O indivíduo fica consciente, mas o cérebro temporariamente suprime as tentativas de confirmar as informações vindas dos sentidos. O senso crítico baixa e há uma atenção maior no que o hipnotizador sugere”, diz Osmar Colás, coordenador do Grupo de Estudos da Hipnose da Escola Paulista de Medicina. Trabalhada adequadamente, essa hiperatenção pode, por exemplo, fazer com que a gente ignore sensações enviadas pelo corpo. É como um jogador de futebol quando sofre uma pancada forte na perna durante a final do campeonato, mas continua jogando, só sentindo a dor depois do término da partida. No cérebro, já descobrimos algumas das regiões onde esse fenômeno ocorre. Estudos com neuroimagens mostram que o giro do cíngulo anterior direito, uma área responsável por levar informações dos sentidos até a nossa parte racional, é atingido pela hipnose. “A sugestão chega a essa região intermediária, que é quem vai decidir para onde vai a atenção, como se inoculasse um pensamento na cabeça da pessoa”, diz Mohamad Bazzi, médico brasileiro que estuda hipnose há duas décadas. É ali que pesquisadores acreditam que a “autentificação” falha. Foi provavelmente o que aconteceu com o mecânico citado no começo desta reportagem quando, após as repetidas sugestões, deixou de se focar na informação de dor da perna destroçada. O caso dele, no entanto, não é regra: apenas 10% da população mundial é altamente suscetível à hipnose (veja como isso é medido no quadro abaixo). Para pessoas menos passíveis, leva-se tempo até chegar a um transe profundo — e, ainda assim, não há garantia de que ela consiga atingir esse estado. A diarista Andreia Peres Maranhão, 34 anos, por exemplo, precisou passar por 12 sessões durante um mês até estar pronta para uma cirurgia de retirada de um nódulo mamário, feita em transe hipnótico. “Já tinha tido uma experiência ruim com anestesia antes e estava amamentando [a amamentação teria de ser interrompida por conta do uso do sedativo]”, diz. Durante as sessões, a anestesista Cristiane Hikiji Nogueira fazia com que Andreia treinasse seu cérebro a desviar a dor. No começo, girava uma caneta em frente aos olhos da paciente, que começava a relaxar. Então, passava a espetar Andreia com agulhas finas e dizia que aquela região não seria mais sentida. Nas sessões seguintes, conforme ela ia conseguindo ignorar a dor, o diâmetro das agulhas aumentava até se aproximar do tamanho que seria equivalente ao bisturi. Os anestésicos tradicionais também foram preparados na operação, para o caso de emergências, mas se mostraram desnecessários. “Já fiz mais de 30 cirurgias só com hipnose e nunca tive problemas”, afirma Cristiane, que hipnotizou Andreia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Como toda essa preparação é demorada, a hipnose na maioria das vezes acaba sendo a segunda opção, usada principalmente quando o paciente tem pavor ou alergia à anestesia. Também é possível juntar as duas coisas: hipnose e anestésicos. Foi o que fez a professora paulistana Gabriela Talarico, 32 anos, ao retirar dois dentes do siso. Gabriela, que tinha medo demais de anestesia, estava em pânico quando chegou ao consultório do dentista Marcelo Martins. Com repetidas sugestões de relaxamento, Martins fez Gabriela entrar em transe, ficando menos suscetível às reações de dor, e administrou apenas um terço da quantidade normal de anestésico. “Como não houve preparação, a hipnose não foi tão profunda, mas foi o suficiente para acalmá-la e obter melhorias de cicatrização e de controle de sangramento”, afirma. No Centro de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo, técnicas mais longas são ensinadas para lidar com dores crônicas como enxaqueca e fibromialgia. “Ensinamos exercícios de auto-hipnose para que os pacientes repitam em suas casas”, diz Adriana Loduca, psicóloga do hospital. Uma das técnicas começa com exercícios de respiração em seis etapas e depois evolui para concentração em algum tipo de imagem, para que o cérebro se desvie da dor. TERAPIA CONTRA O FUMO > Acostumado a fumar um maço de cigarros por dia, o auxiliar de enfermagem Anderson Soares da Silva, 34 , tentou usar adesivos e remédios para parar. "Ficava irritado demais.” Ele se livrou do vício no fim de 2009, quando experimentou a hipnose aliada à psicoterapia por três meses. Nas sessões, o médico Luiz Velloso pedia para que ele imaginasse o cheiro forte do cigarro na sala vazia até se tornar algo incômodo. Depois, sugeria imagens de praias paradisíacas e mensagens metafóricas para reforçar sua força de vontade em largar o fumo. “Nunca mais senti vontade”, afirma. A CIÊNCIA DA HIPNOSE Apesar de impressionantes, exemplos desse tipo eram antes encarados com ceticismo por acadêmicos. Como provar que não se tratava de efeito placebo, ou que alguns desses casos não eram forjados? A maior parte dessas dúvidas caiu em 1998, quando os cientistas com Ph.D. Stephen Kosslyn, da Universidade de Harvard, e David Spiegel, de Stanford, usaram o PET (tomografia por emissão de pósitrons, um exame de imagem sofisticado) para “fotografar” a hipnose. Eles sugestionaram indivíduos a enxergarem cores em um painel preto e branco e constataram que os cérebros agiam como se realmente existissem cartazes coloridos na frente. “O fluxo sanguíneo no cérebro repetiu o padrão de quando a pessoa enxerga colorido. Ou seja, o cérebro estava realmente ‘vendo’ aquilo”, diz Spiegel, que estuda hipnose desde os anos 1970. Considerado um divisor de águas, o estudo gera frutos até hoje. Tanto que, em 2010, o pesquisador Devin Terhune, de Oxford, usou um princípio parecido para mostrar como a hipnose poderia ser usada para um feito antes tido como impossível: reverter a sinestesia. A doença rara leva a uma confusão de sentidos no cérebro, como, por exemplo, enxergar imagens inexistentes ao ouvir determinados sons. No caso da voluntária tratada pelo experimento, cores fortes surgiam no seu cérebro todas as vezes em que ela via um rosto. Induzindo o transe, Terhune desviou o “caminho cerebral” durante o fenômeno fazendo com que ela ignorasse as cores que apareceriam em sua mente. Um eletroencefalograma confirmou o efeito. “Ela relatou que não tinha mais espasmos de cor ao ver faces e, ao mesmo tempo, a área ligada à confusão mental no cérebro reduziu sua atividade elétrica”, afirma Terhune. O pesquisador ressalva que tudo isso só funcionou porque a voluntária era altamente hipnotizável. RETIRADA DE SISO DURANTE O TRANSE > Toda vez que ouvia falar em anestesia no dentista, a professora Gabriela Talarico, 32 anos, sentia a espinha arrepiar. Quando soube que teria que arrancar dois sisos, não conseguiu disfarçar a tensão. Para acalmá-la, o odontologista Marcelo Martins pediu para fazer alguns exercícios de hipnose e teve uma resposta positiva. “Não doeu nada na hora ou depois", diz Gabriela. "Senti uma calma fora do comum.” As sugestões hipnóticas, segundo Martins, ainda fizeram a cicatrização ser três dias mais rápida e potencializaram o efeito do anestésico, usado em um terço da quantidade habitual PSICOLOGIA A MAIS Atacar a dor é o efeito mais conhecido dessa reorganização mental, mas está longe de ser o único. A maior parte das possibilidades está na área de distúrbios psicossomáticos e comportamentais. Males como insônia, fobias, hipertensão e obesidade muitas vezes estão bastante relacionados a fatores psicológicos. É nesses casos — e não em todos — que a hipnose pode dar uma boa ajuda. Foi o que mostrou em 1995 Irving Kirsch, um dos maiores especialistas em hipnose clínica do mundo e Ph.D. em psicologia pela University of Southern California. Em uma grande revisão de estudos, Kirsch constatou que a prática melhorava, em 70% dos casos, os efeitos positivos das terapias baseadas em psicologia cognitivo-comportamental, que é a forma mais popular e difundida de tratamento para esses problemas. A relações-públicas Simone Araújo, 35 anos, comprovou esse benefício. Ela sofre de dermatite atópica, uma doença incurável que provoca descamação, coceira e manchas avermelhadas pelo corpo, e que piora em momentos de estresse. Após tentar uma série de tratamentos e tomar dezenas de remédios, ela conseguiu uma grande melhoria do problema usando hipnose aliada à psicoterapia. “Era minha última esperança. Antes, estava difícil até mesmo abraçar meus filhos porque eu sentia muita dor com a pele machucada. Hoje abraço, beijo e levo até beliscão”, diz Simone. Ela trabalhou sua ansiedade nas sessões de hipnose. Fazia uma série de exercícios de respiração que estimulavam o seu relaxamento até entrar em transe. Esse estado era realçado por instruções para imaginar situações de tranquilidade. “Amenizava a ansiedade, era como uma boa noite de sono. Sentia uma melhora grande até a próxima sessão.” O humor de Simone melhorava e, depois do segundo mês, as manchas também. Se ajuda na parte psicológica, a hipnose também tem efeito contra vícios como o tabaco e pode ser usada contra transtornos obsessivos compulsivos. Para o auxiliar de enfermagem Anderson Soares da Silva, 34 anos, a hipnose foi o componente que faltava em seus tratamentos. Antes, ele havia tentado largar o cigarro com adesivos e até antidepressivos, mas ficava no máximo dois dias sem fumar. “Só deu certo quando juntei hipnose a outros remédios. Foi um processo de dois a três meses até conseguir parar definitivamente”, diz Anderson Soares, que conta um ano sem cigarros. SEM ESTRESSE > Logo depois que terminou a faculdade, a publicitária carioca Fabríssia Lima, de 23 anos, passou a enfrentar crises de ansiedade devido às pressões do trabalho. “Sentia muita angústia, ficava asfixiada, não conseguia frequentar lugares fechados, nem andar de metrô.” Por sugestão de uma conhecida, procurou a psicóloga Miriam Pontes para tentar dar uma aliviada no estresse e na tensão. Em menos de quatro meses, com uma sessão de hipnose por semana, Fabríssia notou grandes melhorias no humor e na sua capacidade de concentração PERDER PESO Imagine se alguém lhe dissesse que, para emagrecer, não seria necessário fazer cirurgia de estômago, mas apenas fingir ter feito uma? Pois é mais ou menos esse o tratamento já vendido a 500 pacientes por cerca de R$ 3.400 na clínica de hipnose Elite, em Málaga, Espanha. A terapia também diz usar esse efeito psicológico da hipnose. “O paciente é sugestionado a pensar que passou por uma cirurgia de redução de estômago”, diz o hipnólogo espanhol Martin Shirran, sócio da empresa. Para aumentar o poder de persuasão, é armada uma espécie de teatrinho, simulando no ambiente cheiro, tato e sons típicos de um procedimento em uma sala de cirurgia. No final, diz Shirran, o paciente fica com uma imagem no inconsciente de que o estômago está menor, uma espécie de alucinação, e sente que não suporta muita comida. O tratamento virou febre no Reino Unido depois de ter sido usado pela cantora Lily Allen e pela ex-Spice Girl Geri Halliwell. O arquiteto Felipe Caribe diz ter obtido sucesso com uma experiência parecida em Curitiba. Após várias outras tentativas, ele diz ter emagrecido 14 quilos em três meses de sessões de psicoterapia somadas à hipnose. “Fui sugestionado a sentir que existe um balão inflado dentro do meu estômago que me impede de comer muito”, diz Caribe, que ainda tem 103 quilos e 1,80 m. Apesar da ideia extravagante, há estudos sérios mostrando que a hipnose pode, sim, em casos relacionados à ansiedade, ajudar na redução de peso — embora nenhum cite esse tipo de “cirurgia hipnótica”. FUTURO DAS PESQUISAS Um dos próximos passos da ciência da hipnose se aproxima um pouco do teatrinho da clínica espanhola. Há um grupo de cientistas ingleses da Universidade de Greenwich estudando como um ambiente de realidade virtual pode potencializar os efeitos da prática. Outra frente de pesquisadores tenta entender as características genéticas que levam algumas pessoas a serem mais hipnotizáveis que outras. Pelo menos quatro estudos já mostraram que um gene chamado COMT está relacionado à suscetibilidade, mas sua ação exata ainda não é totalmente compreendida. Há também vários grupos de estudo que desejam simular doenças por meio de hipnose para entendê-las melhor. Um dos líderes dessa corrente é o britânico David Oakley, Ph.D. em psicologia clínica e professor da University College London. Ele publicou uma revisão de iniciativas na área em 2009, em que reúne experimentos nos quais pessoas são hipnotizadas para sentir alucinações auditivas, calor e tipos diferentes de dor, fazendo com que o cérebro simule algo imaginário. Esses estados cerebrais induzidos poderiam ser usados em um ambiente controlado para entender melhor como algumas doenças afetam as pessoas. Uma que já está sendo pesquisada é o transtorno de conversão, que pode gerar paralisia, cegueira e dificuldades motoras. Outros estudos interessantes são desenvolvidos pelo neurocientista israelense Avi Mendelsohn, que mostrou como o cérebro de pessoas suscetíveis ao esquecimento após a hipnose (10% da população) pode bloquear a ativação da memória. Seus estudos também apontam a possibilidade de criar lembranças falsas. “No futuro acredito que muitos poderão usar a hipnose para bloquear as memórias que estão perturbando suas vidas, ou ao menos suprimir emoções ruins ligadas a essas recordações”, afirma. Texto Original Adaptado: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI198264-17773,00-O+LADO+SERIO+DA+HIPNOSE.html

  • Arquétipo do Herói

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Arquétipo do Herói O grande armazém da mitologia mundial foi a fonte para os insights de Jung em relação ao inconsciente coletivo e à prova das hipóteses dele, já que os mitologemas - esses temas comuns que permeiam as lendas e os contos folclóricos das mais diversas culturas - eram visto por Jung como pistas de aspectos permanentes na mitologia, independente da cultura ou do período, é o herói, uma figura tão central para as lendas de quase toda cultura, que, às vezes, é quase como se as lendas heroicas fossem a própria definição de mitologia. Enquanto a universalidade da figura do herói é certamente interessante sociológica e antropologicamente, Jung pesquisava, como sempre, a importância psicológica dessa figura onipresente no cenário da imaginação do mundo. Ao examinar várias lendas heroicas, consequentemente, Jung se deparou com elementos idênticos na história do herói: seu nascimento divino; sua 'nekyia', ou descida para o submundo; as ações heroicas que ele deve empreender, como batalhas com monstros terríveis ou tarefas perigosas a serem executadas; a presença de companheiros auxiliadores, às vezes masculinos, às vezes femininos, às vezes teriomórficos ( ex. forma animal ); a ideia recorrente de derrota, morte e renascimento. Jung via nesses temas em comum que o herói poderia ser compreendido como um arquétipo dentro da psique coletiva e, mais ainda, que esse arquétipo era o que mais frequentemente se identificava com a consciência do ego que lentamente emerge na humanidade. A aparência histórica da consciência humana, nossa consciência de estarmos conscientes, tem um toque divino, um 'algo vindo do nada' mágico com grande efeito transformativo, tudo se refletindo na ascendência sobrenatural e no nascimento incomum da figura do herói. Tornar-se consciente do domínio de escuridão sombria, a região do inconsciente que está por trás do senso luminoso, que temos de nós mesmos, é como a descida do herói ao submundo, uma tarefa inevitável repleta de perigo, que deve ser cumprida para que cresçamos e prosperemos como indivíduos. Manter nossa integridade e nossa autoconsciência é frequentemente uma batalha contra as maiores improbabilidades, envolvendo trabalho pesado que parece requerer esperteza, a ajuda, a sorte e a perseverança de uma figura maior do que a vida. Devido a nossas limitações humanas, essa batalha pela consciência de nós mesmos e dos outros, consciente e inconsciente, geralmente ocorre em círculos que seguem paralelos o ciclo da derrota e recuperação descrito nas lendas heroicas. Por mais importante que fosse a consciência do eu e por mais bem simbolizado que ela fosse pelo herói arquetípico, Jung, contudo, tinha noção do efeito letal de qualquer identificação que ocorre quando o eu encontra o arquétipo: a inflação psíquica da consciência, que é o resultado do contato com a esfera transpessoal do inconsciente coletivo. Apesar de muitas das ideias de Jung a respeito do herói terem sido desenvolvidas mais extensivamente por seus seguidores, especialmente Erich Neumann e Joseph Campbell , o profundo reconhecimento de Jung do poder e da potencialidade do inconsciente o levaram a suspeitar de qualquer supervalorização da consciência do eu heroico, enxergando a capacidade humana e sua luta pela autoconsciência como apenas uma etapa na evolução da consciência coletiva, uma etapa talvez agora em seu fim e precisando de transformação. Para Jung, os conceitos clássicos de 'hybris' e de orgulho presunçoso se aplicam tanto à nossa fé contemporânea em nossa habilidade de produzir, agir e conquistar quanto se aplicava na época de Sófocles ou de Homero. Identificar-nos com o herói é flertar com o desastre psicológico e, atualmente, até literalmente. Ademais, Jung viu que o herói, como uma manifestação do masculino arquetípico, não precisa ser sempre um símbolo de consciência do eu. Para as mulheres, o 'animus', ou o lado masculino inconsciente, geralmente se encaixa no molde arquetípico de uma figura heroica lutando contra a consciência e afetividade, uma luta com toda a tempestuosidade e o estresse de tantos mitos. Similarmente, para os homens, o herói não precisa apenas simbolizar o estado de alerta ou a conquista, mas pode também significar uma separação da mãe, aquela autonomia difícil de ganhar que pode ser uma tarefa heroica e para a vida toda, e da qual a relação verdadeira de um com o outro pode emergir. A Apresentação mais extensa que Jung fez do arquétipo do herói está em 'Símbolos da Transformação'. Como quase toda a segunda parte dessa obra é dedicada a traçar o desenvolvimento pessoal e coletivo do herói como um símbolo da libido, é recomendada em "Para Começar", apesar de requerer uma boa parecla de raciocínio e estudo. Em "Para Aprofundar" , estão listados escritos que explicam melhor o símbolo arquetípico do herói e o conceito de personalidade-mana, junto com as análises de sonhos e as discussões sobre a figura do herói nos sonhos de americanos negros, que para Jung, tinham uma relação mais íntima com a 'mentalidade primitiva' do que os americanos brancos. Discussões sobre dinâmicas da psicologia geral que esclarecem a posição do herói na psique dos indivíduos modernos estão listadas em "Obras Relacionadas". Para começar: - "Símbolos da Transformação", OC 5, parte 2, esp. ca. 4, "O nascimento do herói", 251-299; cap. 5, "Símbolos da mãe e do renascimento", §300-418 e cap. 6, " A luta pela libertação da mãe ", § 419-463. Para aprofundar: - " O Eu e o Inconsciente", OC 7/2, esp. parte 2, cap. 3, " A técnica de diferenciação entre o o eu e as figuras do inconsciente", § 341-373, e cap. 4, " A personalidade-mana", § 374-406. - " Alma e terra", OC 10/3, § 49-103. - " Fundamentos da psicologia analítica ( Tavistock lectures ), OC 18/1, esp. segunda conferência, §74-144, e terceira conferência, § 145-227. Obras Relacionadas: - " Consciência, inconsciente e individuação", OC 9/1, § 489-524. - " Da formação da personalidade ", OC 17, § 284-323. Fontes Secundárias: - " O Herói com Mil Faces " de Joseph Campbell. - " Além do Herói " de Allan B. Chinen - " A Lenda do Graal " - Emma Jung e Marie Louise Von Franz - " História da Origem da Consciência "- Erich Neumann Para Complementar : - Box Peter Jackson - Filmes: Trilogia O Senhor dos Anéis - Explicação Psicológica da "Jornada do Héroi" - Ted Talks Texto adaptado de Guia para Obra Completa de C.G.Jung - Robert H. Hopcke

  • Sincronicidades

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Contos de Fada e Psicoterapia A psicoterapia, de um jeito geral, busca entender e ajudar a pessoa com seus conflitos internos e externos. Na Psicologia Analítica, criada por Carl Jung, uma ideia central é a do inconsciente coletivo e dos arquétipos. E é aí que os contos de fada, mitos e outras histórias tradicionais se tornam super importantes. Eles funcionam como chaves para decifrar a nossa mente mais profunda e podem ajudar a elaborar coisas que estão no nosso inconsciente. O que é o Inconsciente Coletivo e os Arquétipos? Jung propôs a existência de um inconsciente coletivo. Pense nele como uma camada da nossa mente que é universal, compartilhada por toda a humanidade. Diferente do inconsciente pessoal (que guarda as nossas experiências esquecidas ou reprimidas), o coletivo é feito de padrões inatos de pensamento e comportamento, que Jung chamou de arquétipos. Os arquétipos não são imagens prontas, mas sim "modelos vazios", uma tendência da nossa psique para organizar a experiência. Eles aparecem através de símbolos e temas que se repetem nos nossos sonhos, na religião, na arte e, claro, nos mitos e contos de fada. Exemplos de arquétipos são o Herói, a Grande Mãe, o Sábio, a Sombra (aquela parte que a gente esconde), entre outros. Eles representam as experiências mais básicas do ser humano. Por que Contos de Fada e Mitos são Tão Legais para a Terapia? A importância dessas histórias para a clínica é enorme. Jung e seus seguidores, como Marie-Louise von Franz, enxergam os contos de fada como a expressão mais pura e simples de como o inconsciente coletivo funciona. Diferente dos sonhos, que são muito pessoais e às vezes confusos, os contos de fada foram sendo lapidados por gerações. Eles mostram, de forma simbólica e fácil de entender, os problemas universais que todo mundo enfrenta e as possíveis soluções. Eles falam da nossa jornada de crescimento, dos desafios e das transformações que a gente precisa passar para amadurecer. Na Prática, Como os Contos de Fada Ajudam? - Amplificam o Inconsciente: Se um paciente chega com um sonho ou um sentimento difícil de explicar, o terapeuta pode lembrar de um conto de fada que tenha uma temática parecida. Isso ajuda a pessoa a entender que sua experiência não é só dela, mas faz parte de um padrão humano universal. Dá um "click" na cabeça. - Identificação e Projeção: A gente se identifica com os personagens. O paciente pode se ver no herói da jornada, na vítima que precisa se salvar, ou até no vilão, que pode representar um lado sombrio que ele não quer encarar. Isso facilita muito falar sobre emoções e conflitos. - Mostram Caminhos para Resolver Problemas: A estrutura do conto de fada é simples: tem um problema, uma luta e uma solução. Essas histórias oferecem modelos simbólicos de como enfrentar dificuldades e integrar partes da nossa personalidade. Isso pode inspirar o paciente a achar suas próprias soluções. - Acesso a Forças Internas: Ao se conectar com os arquétipos das histórias, a pessoa pode "acordar" recursos que estavam adormecidos dentro dela. A figura do Herói pode trazer coragem à tona; a do Sábio, pode ajudar a encontrar uma sabedoria interior. - Falam a Língua do Inconsciente: Nossa mente profunda entende melhor símbolos do que lógica pura. Como os contos de fada são cheios de simbolismo, eles "conversam" direto com o inconsciente, driblando a nossa resistência racional. Eles criam uma ponte entre o mundo consciente e o inconsciente. Conclusão Resumindo, usar contos de fada e mitos na terapia, principalmente na linha junguiana, é uma ferramenta poderosa. Essas histórias não são só para criança! Elas são um baú de sabedoria antiga que reflete a estrutura da nossa mente. Trabalhar com esse material ajuda o paciente a se entender melhor, a juntar os pedaços da sua história e a encontrar um sentido mais autêntico para a vida. É como ter um mapa simbólico para a jornada de se conhecer e enfrentar os desafios que aparecem.

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