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  • Fuga de Nós Mesmos.

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A Fuga de Nós Mesmos Quantas vezes não nos preocupamos com a vida alheia só para fugir de nós mesmos? A preocupação com a vida alheia pode ser uma forma de distração, uma maneira de evitarmos confrontar nossos próprios problemas e desafios. Quando nos preocupamos com os outros, estamos colocando nossa atenção no exterior, no que está acontecendo fora de nós. Isso pode nos ajudar a evitar pensar em nossos próprios problemas, mas também pode nos impedir de crescer e nos desenvolver como indivíduos. Até a preocupação com a política não raro serve a isso. A política pode ser uma fonte de grande ansiedade e estresse. Quando nos preocupamos com a política, estamos nos concentrando em algo que está fora de nosso controle. Isso pode nos deixar nos sentindo impotentes e frustrados. As redes sociais, a tempestade de notícias e a sobrecarga de divertimentos disponíveis permitem que se quisermos jamais prestemos atenção no nosso próprio guia interior. Elas são todas fontes de distração. Elas nos bombardeiam com informações e estímulos, o que pode nos deixar sobrecarregados e agitados. Quando estamos distraídos, é mais difícil prestar atenção em nós mesmos e em nossos próprios pensamentos e sentimentos. O centro de nossa consciência que a única parte de nós capaz de prestar atenção na nossa complexidade moral, em Deus e no próximo. O centro de nossa consciência, ou Self, é a parte de nós que está conectada com nosso propósito, nossos valores e nossa essência. É a parte de nós que é capaz de nos guiar para uma vida mais plena e significativa. Quando vivemos em fuga de nós mesmos, estamos vivendo uma vida superficial e sem sentido. Estamos vivendo como animais, simplesmente reagindo aos estímulos externos sem pensar nas consequências de nossas ações. Precisamos ter paciência com os desvios inevitáveis e toda vez que notarmos isso, sem culpa, sem censura, tentar voltar ao centro de nós mesmos. O retorno ao Self é um processo contínuo. É um processo de autoconhecimento e autodesenvolvimento. É um processo que vale a pena percorrer.

  • Arquétipo do Herói

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Arquétipo do Herói O grande armazém da mitologia mundial foi a fonte para os insights de Jung em relação ao inconsciente coletivo e à prova das hipóteses dele, já que os mitologemas - esses temas comuns que permeiam as lendas e os contos folclóricos das mais diversas culturas - eram visto por Jung como pistas de aspectos permanentes na mitologia, independente da cultura ou do período, é o herói, uma figura tão central para as lendas de quase toda cultura, que, às vezes, é quase como se as lendas heroicas fossem a própria definição de mitologia. Enquanto a universalidade da figura do herói é certamente interessante sociológica e antropologicamente, Jung pesquisava, como sempre, a importância psicológica dessa figura onipresente no cenário da imaginação do mundo. Ao examinar várias lendas heroicas, consequentemente, Jung se deparou com elementos idênticos na história do herói: seu nascimento divino; sua 'nekyia', ou descida para o submundo; as ações heroicas que ele deve empreender, como batalhas com monstros terríveis ou tarefas perigosas a serem executadas; a presença de companheiros auxiliadores, às vezes masculinos, às vezes femininos, às vezes teriomórficos ( ex. forma animal ); a ideia recorrente de derrota, morte e renascimento. Jung via nesses temas em comum que o herói poderia ser compreendido como um arquétipo dentro da psique coletiva e, mais ainda, que esse arquétipo era o que mais frequentemente se identificava com a consciência do ego que lentamente emerge na humanidade. A aparência histórica da consciência humana, nossa consciência de estarmos conscientes, tem um toque divino, um 'algo vindo do nada' mágico com grande efeito transformativo, tudo se refletindo na ascendência sobrenatural e no nascimento incomum da figura do herói. Tornar-se consciente do domínio de escuridão sombria, a região do inconsciente que está por trás do senso luminoso, que temos de nós mesmos, é como a descida do herói ao submundo, uma tarefa inevitável repleta de perigo, que deve ser cumprida para que cresçamos e prosperemos como indivíduos. Manter nossa integridade e nossa autoconsciência é frequentemente uma batalha contra as maiores improbabilidades, envolvendo trabalho pesado que parece requerer esperteza, a ajuda, a sorte e a perseverança de uma figura maior do que a vida. Devido a nossas limitações humanas, essa batalha pela consciência de nós mesmos e dos outros, consciente e inconsciente, geralmente ocorre em círculos que seguem paralelos o ciclo da derrota e recuperação descrito nas lendas heroicas. Por mais importante que fosse a consciência do eu e por mais bem simbolizado que ela fosse pelo herói arquetípico, Jung, contudo, tinha noção do efeito letal de qualquer identificação que ocorre quando o eu encontra o arquétipo: a inflação psíquica da consciência, que é o resultado do contato com a esfera transpessoal do inconsciente coletivo. Apesar de muitas das ideias de Jung a respeito do herói terem sido desenvolvidas mais extensivamente por seus seguidores, especialmente Erich Neumann e Joseph Campbell , o profundo reconhecimento de Jung do poder e da potencialidade do inconsciente o levaram a suspeitar de qualquer supervalorização da consciência do eu heroico, enxergando a capacidade humana e sua luta pela autoconsciência como apenas uma etapa na evolução da consciência coletiva, uma etapa talvez agora em seu fim e precisando de transformação. Para Jung, os conceitos clássicos de 'hybris' e de orgulho presunçoso se aplicam tanto à nossa fé contemporânea em nossa habilidade de produzir, agir e conquistar quanto se aplicava na época de Sófocles ou de Homero. Identificar-nos com o herói é flertar com o desastre psicológico e, atualmente, até literalmente. Ademais, Jung viu que o herói, como uma manifestação do masculino arquetípico, não precisa ser sempre um símbolo de consciência do eu. Para as mulheres, o 'animus', ou o lado masculino inconsciente, geralmente se encaixa no molde arquetípico de uma figura heroica lutando contra a consciência e afetividade, uma luta com toda a tempestuosidade e o estresse de tantos mitos. Similarmente, para os homens, o herói não precisa apenas simbolizar o estado de alerta ou a conquista, mas pode também significar uma separação da mãe, aquela autonomia difícil de ganhar que pode ser uma tarefa heroica e para a vida toda, e da qual a relação verdadeira de um com o outro pode emergir. A Apresentação mais extensa que Jung fez do arquétipo do herói está em 'Símbolos da Transformação'. Como quase toda a segunda parte dessa obra é dedicada a traçar o desenvolvimento pessoal e coletivo do herói como um símbolo da libido, é recomendada em "Para Começar", apesar de requerer uma boa parecla de raciocínio e estudo. Em "Para Aprofundar" , estão listados escritos que explicam melhor o símbolo arquetípico do herói e o conceito de personalidade-mana, junto com as análises de sonhos e as discussões sobre a figura do herói nos sonhos de americanos negros, que para Jung, tinham uma relação mais íntima com a 'mentalidade primitiva' do que os americanos brancos. Discussões sobre dinâmicas da psicologia geral que esclarecem a posição do herói na psique dos indivíduos modernos estão listadas em "Obras Relacionadas". Para começar: - "Símbolos da Transformação", OC 5, parte 2, esp. ca. 4, "O nascimento do herói", 251-299; cap. 5, "Símbolos da mãe e do renascimento", §300-418 e cap. 6, " A luta pela libertação da mãe ", § 419-463. Para aprofundar: - " O Eu e o Inconsciente", OC 7/2, esp. parte 2, cap. 3, " A técnica de diferenciação entre o o eu e as figuras do inconsciente", § 341-373, e cap. 4, " A personalidade-mana", § 374-406. - " Alma e terra", OC 10/3, § 49-103. - " Fundamentos da psicologia analítica ( Tavistock lectures ), OC 18/1, esp. segunda conferência, §74-144, e terceira conferência, § 145-227. Obras Relacionadas: - " Consciência, inconsciente e individuação", OC 9/1, § 489-524. - " Da formação da personalidade ", OC 17, § 284-323. Fontes Secundárias: - " O Herói com Mil Faces " de Joseph Campbell. - " Além do Herói " de Allan B. Chinen - " A Lenda do Graal " - Emma Jung e Marie Louise Von Franz - " História da Origem da Consciência "- Erich Neumann Para Complementar : - Box Peter Jackson - Filmes: Trilogia O Senhor dos Anéis - Explicação Psicológica da "Jornada do Héroi" - Ted Talks Texto adaptado de Guia para Obra Completa de C.G.Jung - Robert H. Hopcke

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O Lado Sério da Hipnose A ciência explica como a técnica tem ajudado pacientes a deixar de fumar, perder peso, combater estresse e tratar dores crônicas. A psicóloga Lina Schlachter ouve gritos vindos da emergência do centro médico da Universidade de Tennessee, nos Estados Unidos, e se apressa. No corredor do setor de traumas, depara-se com um mecânico de 42 anos urrando de dor. Ele teve a perna direita destroçada após um acidente em uma das fábricas da região e está imobilizado, suando muito. Após encontrar com Lina, pouco a pouco, os gritos do paciente se transformam em gemidos, cada vez mais baixos. Dez minutos depois, ele relata que a dor, antes insuportável, não o incomoda mais. No lugar, diz haver apenas um formigamento. Tudo isso, sem nenhum sedativo. A cearense Lina, doutora em psicologia clínica pela Universidade do Tennessee, não faz mágica. “Foram exercícios de respiração e uma série de sugestões para que ele se concentrasse, pensasse no lugar de que mais gosta de passear e começasse a relaxar”, diz. O caso do acidente, apresentado em uma conferência médica nos Estados Unidos em 2008, é um exemplo de como a medicina tradicional tem se aliado a certas técnicas de hipnose para combater diversos problemas de saúde. Ele se soma a uma série de pesquisas publicadas em alguns dos periódicos científicos mais rigorosos do mundo, como Science, The Lancet e Proceedings of the National Academy. E o que esses estudos afirmam? Que dá, sim, para tratar dores crônicas, insônia, enxaqueca, obesidade, vícios, fobias, doenças de pele, entre outros males, com hipnose. Mas não é aquela hipnose de estalar dedos e fazer com que o problema desapareça. São sessões com método definido, em tratamentos que podem levar meses. Não à toa, há cada vez mais cientistas e pesquisadores “hipnotizados” pelo tema. O número de estudos publicados por ano sobre o assunto cresceu 50% na última década, chegando a 280 só em 2009 (último ano com números fechados), segundo o banco de dados científico Pubmed. Entre as pesquisas recentes, destaca-se levantamento com 124 mulheres realizado em 2010 na Universidade de Stanford que constatou que a prática da hipnose pode atenuar o sofrimento de pacientes com câncer de mama. Outro trabalho, feito em 2008 na Universidade da Califórnia, avaliou fumantes que usaram a técnica para largar o cigarro — o grupo de hipnotizados teve 50% mais sucesso no tratamento em relação ao outro time. Quem hipnotiza hoje não são showmen com ar sombrio, jeito de ilusionista e papo de charlatão. Os novos hipnotizadores têm diploma de médico, psicólogo ou dentista, e preferem ser chamados de hipnólogos. Não se encontram em programas de variedades, mas em locais como o Hospital das Clínicas, o A.C. Camargo e o São Camilo, todos em São Paulo, além de clínicas médicas renomadas. “A prática vem crescendo bastante no Brasil, principalmente contra problemas de somatização, quando uma doença se manifesta ou se agrava por causa de algum distúrbio emocional. Os conselhos federais de medicina, psicologia, odontologia e fisioterapia já a aprovam”, diz a psicóloga Miriam Pontes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hipnose, que conta com 2 mil profissionais associados em todo o Brasil. BISTURI SEM ANESTESIA > Ao saber que teria de arrancar um nódulo mamário no seio, a diarista Andreia Peres Maranhão, 34 anos, ficou com medo de não conseguir mais amamentar. Ela havia acabado de ter um bebê e, com o efeito dos anestésicos, o leite poderia ser comprometido. Quando a anestesista Cristiane Hikiji lhe contou sobre a possibilidade de realizar anestesia por hipnose, Andreia decidiu experimentar. Foram 12 sessões preparatórias até a cirurgia. “Já tinha tirado outro tumor no seio e foi difícil recuperar, mas com a hipnose foi rapidinho, não doeu em nenhum momento” COMO FUNCIONA Olhe fixamente nos meus olhos e esqueça toda aquela ideia de pêndulo, comer cebola achando que é maçã, cocoricar feito um galo e outras pirotecnias. Cientificamente falando, a hipnose é um estado em que a percepção, a memória e as ações de alguém podem ser alteradas por sugestão de outra pessoa. Alguns têm facilidade imensa em serem hipnotizados; outros, raramente conseguem. “O indivíduo fica consciente, mas o cérebro temporariamente suprime as tentativas de confirmar as informações vindas dos sentidos. O senso crítico baixa e há uma atenção maior no que o hipnotizador sugere”, diz Osmar Colás, coordenador do Grupo de Estudos da Hipnose da Escola Paulista de Medicina. Trabalhada adequadamente, essa hiperatenção pode, por exemplo, fazer com que a gente ignore sensações enviadas pelo corpo. É como um jogador de futebol quando sofre uma pancada forte na perna durante a final do campeonato, mas continua jogando, só sentindo a dor depois do término da partida. No cérebro, já descobrimos algumas das regiões onde esse fenômeno ocorre. Estudos com neuroimagens mostram que o giro do cíngulo anterior direito, uma área responsável por levar informações dos sentidos até a nossa parte racional, é atingido pela hipnose. “A sugestão chega a essa região intermediária, que é quem vai decidir para onde vai a atenção, como se inoculasse um pensamento na cabeça da pessoa”, diz Mohamad Bazzi, médico brasileiro que estuda hipnose há duas décadas. É ali que pesquisadores acreditam que a “autentificação” falha. Foi provavelmente o que aconteceu com o mecânico citado no começo desta reportagem quando, após as repetidas sugestões, deixou de se focar na informação de dor da perna destroçada. O caso dele, no entanto, não é regra: apenas 10% da população mundial é altamente suscetível à hipnose (veja como isso é medido no quadro abaixo). Para pessoas menos passíveis, leva-se tempo até chegar a um transe profundo — e, ainda assim, não há garantia de que ela consiga atingir esse estado. A diarista Andreia Peres Maranhão, 34 anos, por exemplo, precisou passar por 12 sessões durante um mês até estar pronta para uma cirurgia de retirada de um nódulo mamário, feita em transe hipnótico. “Já tinha tido uma experiência ruim com anestesia antes e estava amamentando [a amamentação teria de ser interrompida por conta do uso do sedativo]”, diz. Durante as sessões, a anestesista Cristiane Hikiji Nogueira fazia com que Andreia treinasse seu cérebro a desviar a dor. No começo, girava uma caneta em frente aos olhos da paciente, que começava a relaxar. Então, passava a espetar Andreia com agulhas finas e dizia que aquela região não seria mais sentida. Nas sessões seguintes, conforme ela ia conseguindo ignorar a dor, o diâmetro das agulhas aumentava até se aproximar do tamanho que seria equivalente ao bisturi. Os anestésicos tradicionais também foram preparados na operação, para o caso de emergências, mas se mostraram desnecessários. “Já fiz mais de 30 cirurgias só com hipnose e nunca tive problemas”, afirma Cristiane, que hipnotizou Andreia no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Como toda essa preparação é demorada, a hipnose na maioria das vezes acaba sendo a segunda opção, usada principalmente quando o paciente tem pavor ou alergia à anestesia. Também é possível juntar as duas coisas: hipnose e anestésicos. Foi o que fez a professora paulistana Gabriela Talarico, 32 anos, ao retirar dois dentes do siso. Gabriela, que tinha medo demais de anestesia, estava em pânico quando chegou ao consultório do dentista Marcelo Martins. Com repetidas sugestões de relaxamento, Martins fez Gabriela entrar em transe, ficando menos suscetível às reações de dor, e administrou apenas um terço da quantidade normal de anestésico. “Como não houve preparação, a hipnose não foi tão profunda, mas foi o suficiente para acalmá-la e obter melhorias de cicatrização e de controle de sangramento”, afirma. No Centro de Dor do Hospital das Clínicas de São Paulo, técnicas mais longas são ensinadas para lidar com dores crônicas como enxaqueca e fibromialgia. “Ensinamos exercícios de auto-hipnose para que os pacientes repitam em suas casas”, diz Adriana Loduca, psicóloga do hospital. Uma das técnicas começa com exercícios de respiração em seis etapas e depois evolui para concentração em algum tipo de imagem, para que o cérebro se desvie da dor. TERAPIA CONTRA O FUMO > Acostumado a fumar um maço de cigarros por dia, o auxiliar de enfermagem Anderson Soares da Silva, 34 , tentou usar adesivos e remédios para parar. "Ficava irritado demais.” Ele se livrou do vício no fim de 2009, quando experimentou a hipnose aliada à psicoterapia por três meses. Nas sessões, o médico Luiz Velloso pedia para que ele imaginasse o cheiro forte do cigarro na sala vazia até se tornar algo incômodo. Depois, sugeria imagens de praias paradisíacas e mensagens metafóricas para reforçar sua força de vontade em largar o fumo. “Nunca mais senti vontade”, afirma. A CIÊNCIA DA HIPNOSE Apesar de impressionantes, exemplos desse tipo eram antes encarados com ceticismo por acadêmicos. Como provar que não se tratava de efeito placebo, ou que alguns desses casos não eram forjados? A maior parte dessas dúvidas caiu em 1998, quando os cientistas com Ph.D. Stephen Kosslyn, da Universidade de Harvard, e David Spiegel, de Stanford, usaram o PET (tomografia por emissão de pósitrons, um exame de imagem sofisticado) para “fotografar” a hipnose. Eles sugestionaram indivíduos a enxergarem cores em um painel preto e branco e constataram que os cérebros agiam como se realmente existissem cartazes coloridos na frente. “O fluxo sanguíneo no cérebro repetiu o padrão de quando a pessoa enxerga colorido. Ou seja, o cérebro estava realmente ‘vendo’ aquilo”, diz Spiegel, que estuda hipnose desde os anos 1970. Considerado um divisor de águas, o estudo gera frutos até hoje. Tanto que, em 2010, o pesquisador Devin Terhune, de Oxford, usou um princípio parecido para mostrar como a hipnose poderia ser usada para um feito antes tido como impossível: reverter a sinestesia. A doença rara leva a uma confusão de sentidos no cérebro, como, por exemplo, enxergar imagens inexistentes ao ouvir determinados sons. No caso da voluntária tratada pelo experimento, cores fortes surgiam no seu cérebro todas as vezes em que ela via um rosto. Induzindo o transe, Terhune desviou o “caminho cerebral” durante o fenômeno fazendo com que ela ignorasse as cores que apareceriam em sua mente. Um eletroencefalograma confirmou o efeito. “Ela relatou que não tinha mais espasmos de cor ao ver faces e, ao mesmo tempo, a área ligada à confusão mental no cérebro reduziu sua atividade elétrica”, afirma Terhune. O pesquisador ressalva que tudo isso só funcionou porque a voluntária era altamente hipnotizável. RETIRADA DE SISO DURANTE O TRANSE > Toda vez que ouvia falar em anestesia no dentista, a professora Gabriela Talarico, 32 anos, sentia a espinha arrepiar. Quando soube que teria que arrancar dois sisos, não conseguiu disfarçar a tensão. Para acalmá-la, o odontologista Marcelo Martins pediu para fazer alguns exercícios de hipnose e teve uma resposta positiva. “Não doeu nada na hora ou depois", diz Gabriela. "Senti uma calma fora do comum.” As sugestões hipnóticas, segundo Martins, ainda fizeram a cicatrização ser três dias mais rápida e potencializaram o efeito do anestésico, usado em um terço da quantidade habitual PSICOLOGIA A MAIS Atacar a dor é o efeito mais conhecido dessa reorganização mental, mas está longe de ser o único. A maior parte das possibilidades está na área de distúrbios psicossomáticos e comportamentais. Males como insônia, fobias, hipertensão e obesidade muitas vezes estão bastante relacionados a fatores psicológicos. É nesses casos — e não em todos — que a hipnose pode dar uma boa ajuda. Foi o que mostrou em 1995 Irving Kirsch, um dos maiores especialistas em hipnose clínica do mundo e Ph.D. em psicologia pela University of Southern California. Em uma grande revisão de estudos, Kirsch constatou que a prática melhorava, em 70% dos casos, os efeitos positivos das terapias baseadas em psicologia cognitivo-comportamental, que é a forma mais popular e difundida de tratamento para esses problemas. A relações-públicas Simone Araújo, 35 anos, comprovou esse benefício. Ela sofre de dermatite atópica, uma doença incurável que provoca descamação, coceira e manchas avermelhadas pelo corpo, e que piora em momentos de estresse. Após tentar uma série de tratamentos e tomar dezenas de remédios, ela conseguiu uma grande melhoria do problema usando hipnose aliada à psicoterapia. “Era minha última esperança. Antes, estava difícil até mesmo abraçar meus filhos porque eu sentia muita dor com a pele machucada. Hoje abraço, beijo e levo até beliscão”, diz Simone. Ela trabalhou sua ansiedade nas sessões de hipnose. Fazia uma série de exercícios de respiração que estimulavam o seu relaxamento até entrar em transe. Esse estado era realçado por instruções para imaginar situações de tranquilidade. “Amenizava a ansiedade, era como uma boa noite de sono. Sentia uma melhora grande até a próxima sessão.” O humor de Simone melhorava e, depois do segundo mês, as manchas também. Se ajuda na parte psicológica, a hipnose também tem efeito contra vícios como o tabaco e pode ser usada contra transtornos obsessivos compulsivos. Para o auxiliar de enfermagem Anderson Soares da Silva, 34 anos, a hipnose foi o componente que faltava em seus tratamentos. Antes, ele havia tentado largar o cigarro com adesivos e até antidepressivos, mas ficava no máximo dois dias sem fumar. “Só deu certo quando juntei hipnose a outros remédios. Foi um processo de dois a três meses até conseguir parar definitivamente”, diz Anderson Soares, que conta um ano sem cigarros. SEM ESTRESSE > Logo depois que terminou a faculdade, a publicitária carioca Fabríssia Lima, de 23 anos, passou a enfrentar crises de ansiedade devido às pressões do trabalho. “Sentia muita angústia, ficava asfixiada, não conseguia frequentar lugares fechados, nem andar de metrô.” Por sugestão de uma conhecida, procurou a psicóloga Miriam Pontes para tentar dar uma aliviada no estresse e na tensão. Em menos de quatro meses, com uma sessão de hipnose por semana, Fabríssia notou grandes melhorias no humor e na sua capacidade de concentração PERDER PESO Imagine se alguém lhe dissesse que, para emagrecer, não seria necessário fazer cirurgia de estômago, mas apenas fingir ter feito uma? Pois é mais ou menos esse o tratamento já vendido a 500 pacientes por cerca de R$ 3.400 na clínica de hipnose Elite, em Málaga, Espanha. A terapia também diz usar esse efeito psicológico da hipnose. “O paciente é sugestionado a pensar que passou por uma cirurgia de redução de estômago”, diz o hipnólogo espanhol Martin Shirran, sócio da empresa. Para aumentar o poder de persuasão, é armada uma espécie de teatrinho, simulando no ambiente cheiro, tato e sons típicos de um procedimento em uma sala de cirurgia. No final, diz Shirran, o paciente fica com uma imagem no inconsciente de que o estômago está menor, uma espécie de alucinação, e sente que não suporta muita comida. O tratamento virou febre no Reino Unido depois de ter sido usado pela cantora Lily Allen e pela ex-Spice Girl Geri Halliwell. O arquiteto Felipe Caribe diz ter obtido sucesso com uma experiência parecida em Curitiba. Após várias outras tentativas, ele diz ter emagrecido 14 quilos em três meses de sessões de psicoterapia somadas à hipnose. “Fui sugestionado a sentir que existe um balão inflado dentro do meu estômago que me impede de comer muito”, diz Caribe, que ainda tem 103 quilos e 1,80 m. Apesar da ideia extravagante, há estudos sérios mostrando que a hipnose pode, sim, em casos relacionados à ansiedade, ajudar na redução de peso — embora nenhum cite esse tipo de “cirurgia hipnótica”. FUTURO DAS PESQUISAS Um dos próximos passos da ciência da hipnose se aproxima um pouco do teatrinho da clínica espanhola. Há um grupo de cientistas ingleses da Universidade de Greenwich estudando como um ambiente de realidade virtual pode potencializar os efeitos da prática. Outra frente de pesquisadores tenta entender as características genéticas que levam algumas pessoas a serem mais hipnotizáveis que outras. Pelo menos quatro estudos já mostraram que um gene chamado COMT está relacionado à suscetibilidade, mas sua ação exata ainda não é totalmente compreendida. Há também vários grupos de estudo que desejam simular doenças por meio de hipnose para entendê-las melhor. Um dos líderes dessa corrente é o britânico David Oakley, Ph.D. em psicologia clínica e professor da University College London. Ele publicou uma revisão de iniciativas na área em 2009, em que reúne experimentos nos quais pessoas são hipnotizadas para sentir alucinações auditivas, calor e tipos diferentes de dor, fazendo com que o cérebro simule algo imaginário. Esses estados cerebrais induzidos poderiam ser usados em um ambiente controlado para entender melhor como algumas doenças afetam as pessoas. Uma que já está sendo pesquisada é o transtorno de conversão, que pode gerar paralisia, cegueira e dificuldades motoras. Outros estudos interessantes são desenvolvidos pelo neurocientista israelense Avi Mendelsohn, que mostrou como o cérebro de pessoas suscetíveis ao esquecimento após a hipnose (10% da população) pode bloquear a ativação da memória. Seus estudos também apontam a possibilidade de criar lembranças falsas. “No futuro acredito que muitos poderão usar a hipnose para bloquear as memórias que estão perturbando suas vidas, ou ao menos suprimir emoções ruins ligadas a essas recordações”, afirma. Texto Original Adaptado: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI198264-17773,00-O+LADO+SERIO+DA+HIPNOSE.html

  • Sincronicidades

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Contos de Fada e Psicoterapia A psicoterapia, de um jeito geral, busca entender e ajudar a pessoa com seus conflitos internos e externos. Na Psicologia Analítica, criada por Carl Jung, uma ideia central é a do inconsciente coletivo e dos arquétipos. E é aí que os contos de fada, mitos e outras histórias tradicionais se tornam super importantes. Eles funcionam como chaves para decifrar a nossa mente mais profunda e podem ajudar a elaborar coisas que estão no nosso inconsciente. O que é o Inconsciente Coletivo e os Arquétipos? Jung propôs a existência de um inconsciente coletivo. Pense nele como uma camada da nossa mente que é universal, compartilhada por toda a humanidade. Diferente do inconsciente pessoal (que guarda as nossas experiências esquecidas ou reprimidas), o coletivo é feito de padrões inatos de pensamento e comportamento, que Jung chamou de arquétipos. Os arquétipos não são imagens prontas, mas sim "modelos vazios", uma tendência da nossa psique para organizar a experiência. Eles aparecem através de símbolos e temas que se repetem nos nossos sonhos, na religião, na arte e, claro, nos mitos e contos de fada. Exemplos de arquétipos são o Herói, a Grande Mãe, o Sábio, a Sombra (aquela parte que a gente esconde), entre outros. Eles representam as experiências mais básicas do ser humano. Por que Contos de Fada e Mitos são Tão Legais para a Terapia? A importância dessas histórias para a clínica é enorme. Jung e seus seguidores, como Marie-Louise von Franz, enxergam os contos de fada como a expressão mais pura e simples de como o inconsciente coletivo funciona. Diferente dos sonhos, que são muito pessoais e às vezes confusos, os contos de fada foram sendo lapidados por gerações. Eles mostram, de forma simbólica e fácil de entender, os problemas universais que todo mundo enfrenta e as possíveis soluções. Eles falam da nossa jornada de crescimento, dos desafios e das transformações que a gente precisa passar para amadurecer. Na Prática, Como os Contos de Fada Ajudam? - Amplificam o Inconsciente: Se um paciente chega com um sonho ou um sentimento difícil de explicar, o terapeuta pode lembrar de um conto de fada que tenha uma temática parecida. Isso ajuda a pessoa a entender que sua experiência não é só dela, mas faz parte de um padrão humano universal. Dá um "click" na cabeça. - Identificação e Projeção: A gente se identifica com os personagens. O paciente pode se ver no herói da jornada, na vítima que precisa se salvar, ou até no vilão, que pode representar um lado sombrio que ele não quer encarar. Isso facilita muito falar sobre emoções e conflitos. - Mostram Caminhos para Resolver Problemas: A estrutura do conto de fada é simples: tem um problema, uma luta e uma solução. Essas histórias oferecem modelos simbólicos de como enfrentar dificuldades e integrar partes da nossa personalidade. Isso pode inspirar o paciente a achar suas próprias soluções. - Acesso a Forças Internas: Ao se conectar com os arquétipos das histórias, a pessoa pode "acordar" recursos que estavam adormecidos dentro dela. A figura do Herói pode trazer coragem à tona; a do Sábio, pode ajudar a encontrar uma sabedoria interior. - Falam a Língua do Inconsciente: Nossa mente profunda entende melhor símbolos do que lógica pura. Como os contos de fada são cheios de simbolismo, eles "conversam" direto com o inconsciente, driblando a nossa resistência racional. Eles criam uma ponte entre o mundo consciente e o inconsciente. Conclusão Resumindo, usar contos de fada e mitos na terapia, principalmente na linha junguiana, é uma ferramenta poderosa. Essas histórias não são só para criança! Elas são um baú de sabedoria antiga que reflete a estrutura da nossa mente. Trabalhar com esse material ajuda o paciente a se entender melhor, a juntar os pedaços da sua história e a encontrar um sentido mais autêntico para a vida. É como ter um mapa simbólico para a jornada de se conhecer e enfrentar os desafios que aparecem.

  • Kenose e Ágape

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Kenose e Ágape Ágape é o amor de Deus. Filosoficamente assim como ‘Eros’ é o amor segundo Platão, amor este marcado pelo desejo, pela potência do desejo e na intensidade do desejo. Assim como ‘Philia’ é o amor segundo Aristóteles ou Espinosa, marcado pela presença do objeto amado, pela alegria da sua companhia, Ágape é o amor segundo Yeshua Hamashia (Jesus) e pela filósofa , mística e ativista política francesa do século XX, Simone Weil. Quando ela procura pensar esse amor, ela começa quase sempre citando uma frase do historiador grego Tucídides que escreveu o seguinte: “Em se tratando dos humanos, que sempre, por uma necessidade natural, todo ser tende à dominação, onde quer que suas forças prevaleçam.” Todas as pessoas, todos os seres tenderão ao máximo a exercer ao máximo seu poder, sua força vital, seu conatus. É a lógica do ‘conatus’ de Thomas Hobbes que impera: todo ser tende a perseverar em seu ser, isto é, a existir o mais e o melhor possível. É a lógica da vontade de potência em Nietzsche: sempre e em toda parte, por uma necessidade natural, todo ser tende a afirmar o máximo da sua potência. É a lógica da potência. Também é a lógica da alegria pois para o filósofo holandês Baruch Espinosa a alegria é a passagem para um estado mais potente do próprio ser. É a passagem para uma perfeição maior. E consequentemente para uma realidade mais perfeita. Pois para ele, perfeição e realidade são uma mesma coisa. Ser feliz é existir mais. Assim como ser triste é existir menos, um passo mais perto da morte física. Mas é aí que Simone Weil se separa de Espinosa. A potência e a alegria não podem ser suficientes, pois há no mundo alegrias más e potências injustas. A potência da Rússia quando arrasa a cidade de Kiev e massacra a população civil não é sinônimo de alegria. A alegria do ditador Putin também não pode ser considerada também uma alegria moralmente digna. Simone cita Tucídides (“sempre, por uma necessidade natural, todos comandam onde quer que tenham o poder de fazê-lo”), mas depois acrescenta em substância: salvo quando há o amor em caridade. O que é o amor de Caridade? O que é Ágape? É um amor que renuncia a exercer o máximo da sua potência; é um amor que contraria Tucídides, ou antes, que é exceção, quase super-natural. Deus é justamente esse amor que renuncia a exercer ao máximo sua potência. Se Deus tivesse querido exercer ao máximo sua potência, não teria havido mais que Deus. Tudo seria Deus. Não haveria espaço para nada ser diferente dele. Para que Deus crie outra coisa além dele, ele teve que consentir em não ser tudo. Deus tem de ‘se retirar’, escreve Simone Weil, reencontrando aqui, um velho tema místico judaico, que se chama “tzimtzum”, doutrina do místico judeu do século XVI, Isaac Luria, que preconiza que Deus iniciou o processo de criação contraindo sua Luz Infinita para permitir um "espaço conceitual" no qual reinos aparentemente independentes pudessem existir. Na interpretação da Kabbalah Judaica, tzimtzum dá origem ao paradoxo da presença e ausência divinas simultâneas dentro do vácuo e da Criação que daí resultaram. Os cristãos chamarão de quenose ou exinanição, que é o movimento pelo qual Deus se retira, se esvazia da sua divindade, enfim, renuncia a tudo para que outra coisa possa existir. O quê? O mundo, conosco nele e todas as contingências que advêm disso, incluindo o mal físico, metafísico e moral segundo as categorias de mal elencadas pelo filósofo alemão Leibniz no século XVII. Por isso que existe o mal no mundo, segundo Weil, dando assim uma espécie de solução muito original e profunda ao célebre problema do mal. Se não houvesse o mal no mundo, o mundo seria perfeito, o mundo seria Deus, tudo seria Deus, não haveria mais que Deus, e não haveria mundo. Deus só poderia criar algo que fosse diferente dele. Senão, seria Ele mesmo. Deus não pode criar outra coisa que não seja ele, a não ser que aceite não ser tudo; e, como Deus é todo o bem possível, ele só pode criar o ‘menos bem’ que Ele: Deus só poderia criar o mal. Ideia extremamente assustadora e ao mesmo tempo bela. Muito longe de ser uma prova contra a realidade de Deus, ou em termos vulgares, contra qualquer tipo de ateísmo, revela a Sua verdade. A sua ausência, a sua distância, a sua espera, que é o tempo, posto que vive Ele vive em Eternidade e nós somos presos ao tempo. Revela a verdade que é o seu amor, porém em retirada. A criação é da parte de Deus não um ato de expansão de si, mas de retirada, de renúncia e todas as criaturas são menos do que só Deus. A partir do momento em que Deus se retirou, apareceu uma outra coisa que não é Deus, e portanto bem menos que Deus, que é o mundo, com todas as suas imperfeições, com o mal nele e conosco juntos. Deus aceitou essa diminuição. Ele esvaziou de si uma parte de seu ser. E esse esvaziamento, essa kenose, essa contrição já é um ato de sua divindade e de sua sabedoria. Deus permitiu que existissem coisas que não Ele e que valem infinitamente menos que Ele. Porquê? Por amor. Por amor e para o amor. Deus criou o amor e os meios do amor. Deus no entanto, não carece de nada, não pode existir mais em si mesmo ou passar para uma perfeição maior e superior. Esse amor que se retira não é éros nem philia: é um amor de caridade (ágape). Deus consente em não ser tudo. Ele se retira. O que restou? A ausência de Deus: o mundo, isto é, o mal, como nos ensina outro filósofo alemão Immanuel Kant. O mundo que vemos é mais ou menos quando andamos numa praia, na areia molhada, com a maré baixa: quando o pé se retira, só resta na areia a marca do pé ausente. Pois bem, o mundo é a marca do Deus ausente. É no retraimento e não na manifestação do poder que está a maior grandeza do amor. "Deus absconditus - mysterium tremendum” - O Sagrado - Rudolf Otto Mas não é um amor que quer existir mais, nem afirmar ao máximo sua potência; ao contrário, é um amor de renúncia a exercer sua máxima potência, que consente em existir menos para que outra coisa que não ele possa existir. Amor de Caridade. Amor Àgape. "ho theos agape estin" - Deus é amor Primeira Carta de São João, 4:16 A mais bela formulação dessa ideia foi dada no século XX pelo filósofo alemão Theodor Adorno em sua obra Minima moralia. Adorno escreve o seguinte: “Serás amado quando puderes mostrar a tua fraqueza sem que o outro sirva-se dela para afirmar sua força.” Amor de Caridade - Amor de Ternura - Amor Ágape É isso a caridade: a parte da doçura, um pouco de compaixão, como dizem os orientais, de retirada, como diria Simone Weil, que vem temperar não apenas a violência do amor desejo ou da falta (éros), com a potência e a alegria que sozinhas teriam uma força desproporcional: trata-se de consentir em existir um pouco menos para que o outro possa existir um pouco mais. Pois o eu que ama mais a si mesmo que o outro é egoísta. Retrato da pós-modernidade em que vivemos, as pessoas são narcísicas demais para amar o outro, são prisioneiras da própria imagem, do seu 'euzinho' adorado, apaixonadas pelas ilusões que têm sobre si. Tomás de Aquino já no século XIII distinguia também dois tipos de amor: o amor de concupiscência e o amor de benevolência. O primeiro é o ato de amar o outro para o nosso bem. Já o segundo consiste em amar o outro para o bem dele. Quando se ama verdadeiramente o outro para o bem dele e não mais para o nosso próprio bem. Um amor sem egoísmo, sem possessividade, sem pertencimento, sem fronteiras. Esse é o amor de Deus por nós.

  • Sincronicidades

    Reengenharia Humana & Desenvolvimento Pessoal Sincronicidades "Os fenômenos sincronísticos são a prova da presença simultânea de equivalências significativas em processos heterogêneos sem ligação causal; em outros termos, eles provam que um conteúdo percebido pelo observador pode ser representado, ao mesmo tempo, por um acontecimento exterior, sem nenhuma conexão causal. Daí se conclui: ou que a psique não pode ser localizada espacialmente, ou que o espaço é psiquicamente relativo." Carl Gustav Jung, Sincronicidades, OC, Vol. 8/3, § 986 - Os fenômenos sincronísticos são a prova da presença simultânea de equivalências significativas em processos heterogêneos sem ligação causal - Fenômenos Sincronísticos: Jung introduziu o conceito de sincronicidade para descrever eventos que ocorrem juntos de forma significativa, mas sem uma relação de causa e efeito aparente. Não se trata de coincidência aleatória, mas de uma conexão que tem um sentido profundo para o indivíduo que a experiência. Equivalências Significativas: Refere-se à correspondência de sentido entre um evento interno (como um pensamento, sentimento, sonho ou premonição) e um evento externo. Essa correspondência não é fortuita, mas carrega um significado particular para o observador, criando uma sensação de 'conexão' ou 'alinhamento'. Processos Heterogêneos sem ligação causal: Significa que os eventos envolvidos na sincronicidade são de naturezas diferentes (por exemplo, um pensamento e um evento físico) e não estão ligados por uma relação de causa e efeito linear. Um não provoca o outro no sentido tradicional da física. A conexão é de significado, não de causalidade. Em outros termos, eles provam que um conteúdo percebido pelo observador pode ser representado, ao mesmo tempo, por um acontecimento exterior, sem nenhuma conexão causal. Conteúdo percebido pelo observador: Isso se refere a um estado psíquico interno do indivíduo – pode ser um pensamento, uma emoção intensa, uma imagem mental, um sonho, ou até mesmo uma premonição. É algo que está na consciência ou no inconsciente do observador. Representado, ao mesmo tempo, por um acontecimento exterior: Significa que, no exato momento em que o conteúdo interno é experienciado, um evento no mundo externo ocorre e espelha ou simboliza esse conteúdo interno. A simultaneidade é crucial aqui. Não é que o evento externo cause o conteúdo interno, nem vice-versa; eles simplesmente acontecem juntos, e essa coincidência é carregada de significado. Sem nenhuma conexão causal: Reforça a ideia central da sincronicidade: aausência de uma relação de causa e efeito direta. A ligação entre o evento interno e o externo não é mecânica ou linear, mas sim de sentido, de significado. É comose o universo estivesse 'respondendo' ou 'refletindo' o estado interno doindivíduo de uma forma simbólica. Daí se conclui: ou que a psique não pode ser localizada espacialmente, ou que o espaço é psiquicamente relativo.' Implicações da Sincronicidade: Se eventos internos e externos podem se alinhar significativamente sem causalidade, isso desafia nossa compreensão convencional de tempo e espaço. Jung propõe duas possibilidades: 1- A psique não pode ser localizada espacialmente: Se a psique (a mente, a alma, o inconsciente) pode se manifestar ou se conectar com eventos externos em qualquer lugar, isso sugere que ela não está restrita a um ponto específico no espaço (como o cérebro, por exemplo). Ela transcende as limitações espaciais que normalmente atribuímos à matéria. 2- O espaço é psiquicamente relativo: Alternativamente, a sincronicidade pode indicar que o espaço, como o percebemos, não é uma entidade absoluta e fixa, mas pode ser influenciado ou moldado pela psique. Isso significa que a realidade espacial pode ser mais fluida e interconectada com a experiência subjetiva do que se supõe, permitindo que eventos distantes no espaço se conectem por meio de um significado compartilhado, em vez de proximidade física. Em essência, a sincronicidade sugere uma realidade onde a mente e o mundo externo estão intrinsecamente ligados por um princípio de significado, desafiando as fronteiras da causalidade linear e da localização espacial.

  • Hipnose Transcendental?

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Hipnose Transcendental? É um modelo terapêutico criado e desenvolvido por mim e baseado em mais de 25 anos de experiência clínica em hipnoterapia clássica somado ao estudo de terapias diversas de acesso ao inconsciente. Trata-se de um conjunto de novas técnicas de uso dos estados alterados de consciência sempre utilizadas com finalidade terapêutica, onde mesclam-se os conceitos da Psicologia Profunda de Carl G. Jung, a Utilização Terapêutica de Conceitos e Escolas Filosóficas Clássicas e a Hipnoterapia de Milton Erickson. Como funciona na prática? Através de sessões individuais e personalizadas, inicialmente centradas nas demandas psicológicas relatadas pelo paciente na avaliação inicial, traçamos um plano de sessões que podem variar de 5 a 10 incialmente, onde o paciente é exposto a um mix de terapias alternativas, incluindo Técnicas Cognitivo- Comportamentais, Técnicas de Imaginação Ativa, Meditação, Respiração, Psicanálise Junguiana e Regressão Ericksoniana, possibilitando assim, um mergulho profundo no Inconsciente e suas necessidades. Com o decorrer das sessões que podem ter duração de 60 a 90 minutos, vai-se avaliando o progresso do paciente frente à sua problemática inicial, possibilitando a qualquer tempo, um ajuste de abordagem conforme o avanço positivo ou negativo dos tratamentos aplicados. A quem se destina ? Todos aqueles que buscam um maior conhecimento da causa de seus problemas no mundo da vida, àqueles que se sentem impotentes frentes às vicissitudes, e a todos que queiram um maior aprendizado das causas ocultas das aflições diárias, incluindo Ansiedade, Estresse Crônico, Estados Depressivos, Mudança de Hábitos, Problemas de Relacionamento Interpessoal, Perda de Foco Profissional e Medos de qualquer instância, dentre outros.

  • Psicoterapia

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O que é Psicoterapia Analítica Profunda? Dentro das diferentes escolas psicanalíticas e psicoterapêuticas que emergiram das abordagens de Sigmund Freud e que às vezes estão incluídas sob o termo de psicologia profunda ( psicologia analítica junguiana), existe a premissa da existência de um substrato psíquico contendo fatores inconscientes que condicionam e determinam as formas de pensar, sentir e agir de indivíduos. Para a psicanálise freudiana, o inconsciente é um conglomerado de fantasias e desejos reprimidos pelo indivíduo em seu processo de adaptação à esfera social . Portanto, refere-se a conteúdos relacionados à história pessoal do indivíduo, dando especial importância à memória para se relacionar com as figuras parentais. O psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, está em parte de acordo com esta ideia, mas argumenta que, além do conteúdo biográfico, no inconsciente também é possível identificar elementos que fazem parte da história filogenética da humanidade. Propor, então, que, além do inconsciente pessoal, existe um inconsciente coletivo composto de protótipos de experiências e comportamentos compartilhados por todos os seres humanos como uma espécie. O psiquiatra suíço Carl Jung, criador da psicologia analítica, está em parte de acordo com este orçamento, mas argumenta que, além do conteúdo biográfico, no inconsciente também é possível identificar elementos que fazem parte da história filogenética da humanidade . Propor, então, que, além do inconsciente pessoal, existe um inconsciente coletivo composto de protótipos de experiências e comportamentos compartilhados por todos os seres humanos como uma espécie. Esses padrões de comportamento que Jung chamou de arquétipos , estão intimamente relacionados aos instintos, na medida em que eles operam como estímulos que nos obrigam a realizar certos comportamentos e promover reações típicas a várias circunstâncias de nossas vidas (emancipar-se dos pais , formar uma família, ter prole, buscar sustento, apropriar-se de um território, participar do coletivo, transformar a ordem social, a morte). Ao contrário dos instintos, que são unidades com um circuito de realização relativamente fechado e concreto, os arquétipos se comportam de forma aberta e simbólica ; No entanto, a não realização também é uma fonte de desconforto e frustração. Jung argumenta que é possível inferir a existência de arquétipos de suas manifestações, uma das quais são as imagens e estruturas dramáticas típicas que podem ser encontradas, com diferentes roupas culturais, nas narrativas mitológicas e fantásticas de diferentes lugares e tempos. . Os mitos nos mostram como a humanidade enfrentou diferentes situações críticas e, embora algumas delas tenham milhares de anos, continuam a ressoar e ter um impacto na nossa psique como os desafios que eles aludem para continuar a acompanhar-nos. Jung enfatiza que não é possível em muitas ocasiões induzir contato direto ou indireto entre os povos para explicar as semelhanças estruturais dos mitos. Também é relevante que esses dramas e personagens típicos também surjam espontaneamente em delírios e alucinações psicóticas, bem como em estados alterados de consciência como efeito de práticas meditativas ou pela ingestão de substâncias psicodélicas. Alguns sonhos cujo conteúdo não pode ser relacionado a aspectos biográficos também podem ser uma expressão de imagens arquetípicas. Freud e Jung não só distanciaram-se por suas diferentes concepções quanto ao inconsciente, mas também por suas abordagens à natureza da energia fundamental que move os seres humanos : a libido . Como é sabido, a libido é, segundo Freud, de natureza sexual, enquanto que para Jung, a sexualidade é apenas uma das manifestações de uma energia vital muito mais abrangente e abrangente. Jung descreve a libido então como uma energia criativa, que é a origem e o motor do universo . Essa energia se manifesta nos seres humanos como um desejo de transcendência, de realização, de ampliação da consciência. Jung descobriu que esse processo de manifestação e desdobramento da energia vital manifesta-se míticamente através do arquétipo do herói solar. Este arquétipo que é o protótipo de muitas histórias antigas e contemporâneas em que a transformação do herói é narrada ( The Odyssey , Star Wars , The Lord of the Rings ) Através de uma série de jornadas e aventuras (para empreender uma jornada, lutar com o dragão, descida ao submundo, morte, renascimento) e encontro e confronto com outros arquétipos (sombra, animus-anima, velho sábio, a grande mãe ) o herói entra em relação com as forças do submundo (o inconsciente), encontra o tesouro procurado e retorna ao seu local de origem para compartilhar a "luz", a sabedoria, com seu povo. Jung propõe entender esta estrutura mítica, como uma projeção de um processo psíquico de transformação e evolução ao qual somos todos chamados. Cada alma humana é forçada a enfrentar uma série de circunstâncias que o levam a manifestar sua vocação, seu chamado particular, seu contributo singular para o coletivo, para o mundo. Ele se manifesta como um desejo de conhecimento, de superação, de totalidade. Este caminho evolutivo, chamou de processo de individuação e também é considerado como um símbolo da transformação gradual do ego em seu confronto e adaptação às forças do inconsciente e do mundo externo. Os arquétipos são humanizados em indivíduos no que Jung chamou de complexos afetivos pessoais . Os complexos, além de serem imbuídos pelos arquétipos, são alimentados por nossas experiências pessoais . Eles podem ser considerados como um conjunto de imagens e representações, carregadas emocionalmente, em torno de um tema comum (relacionamento com o pai ou mãe, poder, erotismo, etc.) Diferentes circunstâncias da nossa vida constelam, isto é, tornam-se complexos e mais importantes. Um complexo constelado altera nossa percepção e vontade consciente, matizando-a com os traços dos arquétipos correspondentes adicionados às experiências anteriores em relação ao mesmo tema. Antigas possessões demoníacas e distúrbios de personalidade múltipla são expressões de complexos altamente constelados. Nestes casos, eles se comportam como invasões maciças do inconsciente que oprimem e anulam as funções do ego e da consciência. Os complexos são expressos em nossa psique como restrições, necessidades, pontos de vista, reações emocionais, sentimentos de admiração ou desprezo desproporcional, idéias obsessivas. Eles têm a faculdade de se personificar em nossos sonhos e de gerar eventos e circunstâncias no mundo físico com significados análogos (somatizações, acidentes, encontros com pessoas, repetição do tipo de relacionamento final). A capacidade de externalização dos arquétipos e complexos é a base do fenômeno descrito por Jung como sincronia . Os complexos afetivos são considerados as partículas constituintes da psique inconsciente, portanto, não só eles fazem parte do escopo da psicopatologia . Eles funcionam como se em nossa casa vivessem animais de estimação, que, se os ignorarmos ou ignorássemos, mais cedo ou mais tarde acabarão contra nós, causando vários estragos. A alternativa é entrar em contato com eles, prestar atenção às suas necessidades, de modo que, com o tempo e o esforço, conseguimos domesticá-los, podendo mesmo fazer uso de seus recursos potenciais. O inconsciente, quer queira ou não, vai agir em nós, então o mais apropriado é entrar em seus mistérios Este diálogo com nossos complexos, com nossos personagens interiores, que, como vimos, é a expressão do drama para a realização do nosso eu mais profundo, requer a implantação de uma atitude simbólica através da imaginação e da criatividade. A imaginação é reconhecida como a propriedade simbólica de unir e reconciliar polaridades; para expressar, sugerir e evocar o incontrolável; para abordar de forma abrangente os fenômenos não classificáveis através do conceito e da racionalidade. O analista James Hillman propõe a imaginação como a língua da alma . O imaginário manifesta-se espontaneamente nos sonhos e é por isso que sua interpretação é uma parte fundamental da psicoterapia junguiana. Também é possível induzir artificialmente o imaginário no espaço terapêutico através da técnica da imaginação ativa . Isso consiste em dar a oportunidade de se expressar ao conteúdo do inconsciente, fazendo uso de sua capacidade de personificação. Em seguida, propõe-se entrar em contato com nossos personagens interiores, ouvi-los com atenção e rigor, interagindo e conversando com eles como se fossem entidades reais. Nossos personagens internos podem ser evocados através da imagem de um sonho, uma emoção intensa, um sintoma. Cada um de nós tem uma modalidade que facilita essa comunicação. Há pessoas que podem ouvir vozes, ou percebem imagens interiores, algumas são expressas através dos movimentos do corpo em uma espécie de dança. Para outros, o contato com o inconsciente é possível através da escrita automática, uma técnica usada pelos surrealistas. Jung diferencia as fantasias ociosas com a imaginação ativa, enfatizando que, no último, o ego assume uma atitude ativa, isto é, não aceita passivamente e submissivamente as vozes e imagens do inconsciente , mas sim as interpela . A atitude ativa implica apoiar e manter a tensão com o inconsciente, permitindo o que ele chama de função transcendente, ou seja, um novo nascimento, o surgimento de uma nova atitude, produto desse confronto. A função transcendente da psique é o que torna possível a conciliação de opostos aparentemente irreconciliáveis. É o surgimento de um terceiro elemento ou perspectiva, que inclui e integra os elementos em disputa. É um processo de conflito, negociação e acordos transitórios. A técnica da imaginação ativa é freqüentemente usada em estágios avançados de análise, uma vez que requer um ego estruturado que suporte a tensão dos opostos e não sucumbir a uma dissociação ou identificação com alguns dos conteúdos do inconsciente. Jung enfatiza que levar o inconsciente a sério não significa levá-lo literalmente, mas dar crédito, dando-lhe a oportunidade de cooperar com a consciência, em vez de perturbá-lo automaticamente. Essa cooperação do inconsciente está relacionada ao princípio auto-regulador da psique , um conceito fundamental na perspectiva junguiana. A psique é como um sistema dinâmico de forças opostas (consciente-inconsciente, progressão-progressão da libido, matéria-logos), com uma tendência intrínseca de manter um equilíbrio. Este mecanismo de auto-regulação implica uma interação permanente de compensação e complementaridade entre os componentes psíquicos. O estado de equilíbrio psíquico é alterado de forma regular por estímulos provenientes da labilidade do mundo interno e externo. Esta alteração requer modificações que tendem a se adaptar aos novos requisitos, promovendo na psique uma transformação para etapas cada vez mais complexas e integrais. Os sintomas neuróticos (obsessões, depressão, ansiedade, acidentes, somatizações, repetição de padrões de relacionamento, auto-sabotagem) são expressões de uma tentativa da psique inconsciente na busca desse estado de equilíbrio mais elevado. Uma tentativa de criar consciência dos tropeços. O diálogo com a psique inconsciente através da imaginação permite que o mecanismo de auto-regulação da psique atue sem ter que recorrer a fenômenos sintomáticos. De alguma forma, antecipa os acontecimentos e evita essa sentença junguiana pela qual, "tudo o que não é feito consciente será vivido no exterior como um destino". O mecanismo de auto-regulação da psique é chamado pelo analista James Hillman como nosso 'daimon' interno . Com este conceito helênico, ele tenta aludir a essa força que nos leva ao bem e ao mal para expressar nossa vocação, nossa chamada particular . A imaginação e a criatividade são então um meio para interpretar as piscadelas do destino, os sinais do nosso daimon. O desenvolvimento da atitude simbólica destinada a promover a psicoterapia junguiana através da imaginação, nos permite escapar da estreita literalidade dos fatos. Isso nos dá acesso a lógicas subalternas paradoxais. Ele nos liga à polissemia profunda dos eventos através de símbolos, analogias e correspondências. A atitude simbólica também amplia nossa sensibilidade e vontade de responder de forma construtiva a toda a diversidade de vida que reúne e integra e coexiste com nossos aspectos sombrios. O diálogo com o inconsciente nos permite tornar-nos co-criadores de nossa realidade e não simplesmente escravos ou vítimas de circunstâncias. Referências Bibliográficas Hillman, J. (1998). O código da alma. Barcelona, Martínez Roca. Jung, CG (1981). Arquetipos e inconsciente coletivo. Barcelona, Paidos. Jung, CG (1993) Estrutura e dinâmica da psique. Editorial Paidós Jung, CG (2008). Os complexos e o inconsciente. Madrid, Alliance.

  • Hipnose Transcendental

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Imaginação Ativa A imaginação ativa foi uma técnica desenvolvida por Jung para aumentar e desenvolver o relacionamento com o material inconsciente, especialmente com figuras interiores que aparecem em sonhos e fantasias. Com a imaginação ativa, Jung pretendia que o indivíduo assumisse um papel não só receptivo, mas também ativo para encontrar-se e confrontar-se com vários elementos arquetípicos inconscientes em sua psique. A atividade da imaginação ativa contrasta com o sonho, que, na opinião de Jung, simplesmente ocorre. Contudo, a imaginação ativa não é nenhuma fantasia diretiva na qual o indivíduo persegue os pensamentos e desejos de seu próprio ego. Do modo como Jung a desenvolve, a intenção da imaginação ativa é abrir o limite entre a consciência passiva e receptiva, do material inconsciente interior e a reação ativa e opcional a esse material de qualquer forma. A definição de June Singer, em seu livro Boundaries of the Soul , dá a seu capítulo sobre a imaginação ativa o título de "Sonhando o sonho para a frente", que é talvez a melhor descrição sumária tanto de sua técnica quanto de sua intenção. À luz das ideias de Jung sobre a natureza e a função da psique, a imgainação ativa parece uma consequência natural do ponto de vista de que a totalidade é resultado de tornar o inconsciente consciente e de que a psique é um fenômeno intencional. A imaginação ativa é um modo de encarar mais diretamente as direções inconscientes de nossa vida interior, embora mantendo tão longe quanto possível nosso senso consciente do si-mesmo e nossa capacidade de ação informada e ética. Assim como acontece com vários conceitos de Jung, a imaginação ativa pode ser mais bem entendida por meio da experiência direta do que por meio da leitura sobre ela, pois Jung escreveu pouco sobre os amparos da técnica. As discussões mais úteis e focadas sobre imaginação ativa estão indicadas na lista de leituras abaixo em "Para Começar". Na primeira, o pequeno ensaio "A Função Transcendente", Jung descrece como a consciência e a inconsciência agem em série para corrigir e equilibrar a unilateralidade psíquica. Nesse contexto, Jung explica como a imaginação ativa ou a fantasia podem ajudar a transcender ou a sanar a lacuna típica entre essas duas esferas psíquicas opostas. A segunda leitura indicada é a última metade da quinta conferência de Tavistock, de Londres, em 1935. Em resposta a uma pergunta sobre sua técnica, Jung fala sobre a intenção dela e seus efeitos, e faz uma rápída apresentação do material trabalhado pela fantasia de um paciente. Para ler mais sobre esse tema, é necessário obviamente pesquisar os vários relatos da imaginação ativa que Jung tira de seu trabalho clínico, relatos que são, em geral, bem detalhados e vívidos o bastante para tornar claro precisamente como Jung tenciona que sua técnica seja usada e para que fim. Certamente o que mais claramente se manifesta nesse material todo é o valor que Jung dava à fantasia e a alta consideração que tinha por sua fantasia curadora. As fontes secundárias são de dois notáveis junguianos. O livro de Hannah trata da imaginação ativa, ao passo que o livro de Adler é principalmente um relato de caso de uma análise em que a imaginação ativa tem uma parte simplesmente crucial. Se lidos ao mesmo tempo, ambos servem como uma introdução completa a essa técnica vital no municiamento da análise junguiana, completados pelas obras mais recentes sobre o tópico, escritas por Robert Johnson e Verena Kast. Para começar: - "A função transcendente", OC 8/2 , § 131-193. - "Fundamentos da Psicologia Analítica ( Tavistock Lectures )", OC 18/1 , Quinta Conferência, § 304-415. Para aprofundar: - " Estudo empírico do processo de individuação", OC 9/1 § 525-626 - " Mandalas", OC 9/1 , § 713-718 - " Psicologia e Alquimia", OC 12 , esp. parte II , § 44-331. Obras Relacionadas: - " Freud e a psicanálise" , OC 4, esp. capítulo 8, " Princípios terapêuticos da psicanálise" , § 407-457. Fontes Secundárias: - ADLER,G. " The living symbol: a case study in the process of individuation, New York: Pantheon, 1961 -- HANNAH, B. " Encounters with the soul active Iamgination as Developed by C.G. Jung. Santa Monica: Sigo Press, 1981. - JOHNSON, R. " Inner Work: Using dreams and active imagination for personal growth. São Francisco: Harper and Row, 1986 A Chave do Reino Interior , São Paulo: Mercurio, 1989. KAST, V. - " Imagination as Space of Freedom: Dialogue between the Ego and the Unconscious"- New York: Fromm, 1993 A Imaginação como espaço de liberdade. São Paulo, Loyola, 1997. Texto adaptado de Guia para Obra Completa de C.G.Jung - Robert H. Hopcke

  • Complexos

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Complexos O conceito de complexo está estreitamente ligado ao conceito de arquétipo e de inconsciente coletivo de Jung, que ele formulou com base em evidência empírica, na qual encontrou um pouco menos controvérsia. Enquanto trabalhava no Hospital Burgholzli, em Zurique, ainda jovem, ele empreendeu o desenvolvimento de uma tese de associação de palavras como meio de detectar as raízes inconscientes da doença mental. De modelo extremamente simples, o teste consistia em apresentar ao sujeito do teste uma palavra e solicitar dele uma resposta verbal espontânea à palavra. O Exame das respostas do sujeito, tanto verbais como não verbais, parecia indicar o que Jung chamava primeiramente de 'complexos com carga emocional' ( OC 2 §167, n. 42 ) e mais tarde de 'complexo de ideias com carga emocional' ( OC 2 §733 ), que impediram o curso normal da associação de palavras e que estiveram claramente relacionados com a patologia do paciente. Esses complexos de carga emocional, mais tarde simplesmente chamados de complexos, consistem, no ponto de vista de Jung, de dois componentes: o grupo de representações psíquicas e o sentimento característico ligado a esse grupo de representações. Complexos podem ser inconscientes - reprimidos por causa da sensação dolorosa do afeto relacionado ou da inaceitabilidade das representações -, mas complexos também podem se tornar conscientes e, em última análise, parcialmente resolvidos. Qualquer complexo possui elementos relacionados com o inconsciente pessoal como também com o inconsciente coletivo. Um distúrbio no relacionamento com a própria mãe, por exemplo, pode resultar num complexo materno, isto é, um grupo de representações conscientes e inconscientes da 'mãe' com uma carga emocional específica ligada ao grupo de imagens da mãe. No entanto, o arquétipo de 'mãe' preexistente no inconsciente coletivo, comum a toda experiência humana, pode aumentar, distorcer ou modificar tanto a carga sentimental quanto o aspecto representacional do complexo de mãe dentro da própria psique. Como os arquétipos, os complexos são potencialmente tanto positivos como negativos. O conhecimento consciente do objetivo e do afeto de um complexo pode servir para modificar suas consequências negativas, quando um estímulo particular constela o complexo, isto é, ativa as imagens e sentimentos que circundam o complexo no interior de um indivíduo. Todos os complexos têm um componente arquetípico, tornando-os, nos termos de Jung, a via regia para o inconsciente pessoal e coletivo ( OC 8, §210 ). Ao dar imagem a esse conceito de complexo, poder-se ia dizer que o complexo é como uma planta: parte dela existe e floresce acima do solo, na consciência, e parte dela se estende invisível por baixo do solo, onde está ancorada e se alimenta, fora da consciência. Para começar: - "Psicanálise e o experimento de associações", OC 2, §660-727 - "O diagnóstico psicológico da ocorrência", OC 2, § 728-792 - " A importância psicopatológica do experimento de associações", OC 2 , §863-917 - "Considerações gerais sobre a teoria dos complexos", OC 8/2 , §194-219 Para aprofundar: - "Associação, sonho e sintoma do sistema histérico", OC 2, §793-862 - "A constelação familiar", OC 2, §999-1014 - "Os fundamentos psicológicos da crença nos espíritos", OC 8/2 , §570-600 Obras relacionadas: - "Considerações teóricas sobre a natureza do psíquico", OC 8/2 , § 343-442 - "A Energia Psíquica", OC 8/1 , §1-130 - " Aspectos psicológicos do arquétipo materno", OC 9/1 , §148-198. Fontes Secundárias - "Complexo, arquétipo e símbolo na psicologia de C.G.Jung" - JACOBI, J. São Paulo: Cultrix, 1995. Texto adaptado de Guia para Obra Completa de C.G.Jung - Robert H. Hopcke

  • Biblioteca Jung

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Biblioteca Carl G. Jung e afins Go to link Go to link Go to link Parte 1 somente Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Marie Louise Von Franz Biblioteca Edward Edinger Biblioteca Sigmund Freud Biblioteca James Hillman Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Joseph Campbell Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Connie Zweig Biblioteca Jolande Jacobi Biblioteca Robert A. Johnson Biblioteca Barbara Hanah Biblioteca James Hollis Biblioteca Erich Neumann

  • Sentimento Oceânico

    Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Sentimento Oceânico O conceito de “sentimento oceânico” foi cunhado pelo escritor francês Romain Rolland em uma carta de 1927 ao psicanalista Sigmund Freud. Rolland descreveu esse sentimento como uma “sensação de eternidade”, um “sentimento de ser um com o mundo externo como um todo”. Freud ficou intrigado com a descrição de Rolland e dedicou um capítulo de seu livro “O Mal-Estar na Civilização” (1930) para explorar o conceito. Freud argumentou que o sentimento oceânico, se existe, é um resquício do “sentimento primitivo do ego” que existe na infância. No início da vida, o bebê não tem um senso de si mesmo separado do mundo externo. O bebê sente-se parte de um todo indiferenciado, que Freud chamou de “ego primitivo”. Esse sentimento de unidade é gradualmente perdido à medida que o bebê desenvolve um senso de si mesmo separado. O sentimento oceânico pode ser revivido em adultos em certas situações, como quando se está em contato com a natureza, quando se está apaixonado ou quando se experimenta uma experiência religiosa. Freud acreditava que o sentimento oceânico é a fonte da experiência religiosa. Freud também acreditava que o sentimento oceânico é uma ilusão. Ele argumentou que o mundo externo é um lugar de separação e conflito, e que o sentimento de unidade é apenas uma fantasia. O conceito de sentimento oceânico foi influente na psicologia e na religião. Foi usado para explicar a experiência religiosa, a criatividade e o senso de significado na vida. Aqui estão alguns exemplos de como o sentimento oceânico pode ser experimentado: -Um indivíduo pode sentir-se conectado com a natureza ao contemplar um pôr do sol ou ao ouvir o som das ondas do oceano. -Um indivíduo pode sentir-se conectado com outra pessoa ao fazer amor ou ao compartilhar um momento de intimidade. -Um indivíduo pode sentir-se conectado com algo maior do que si mesmo ao participar de um ritual religioso ou ao meditar. O sentimento oceânico é uma experiência subjetiva que pode ser difícil de definir ou explicar. No entanto, é uma experiência que é significativa para muitas pessoas. Filosoficamente, o sentimento oceânico pode ser visto como uma expressão do conceito de cosmos do estoicismo. O sentimento oceânico é uma experiência de unidade com o universo, que é um conceito central do estoicismo. O estoicismo pode fornecer um contexto para entender o sentimento oceânico e para lhe dar um significado mais profundo. Os estoicos acreditavam que a experiência do sentimento oceânico é uma oportunidade para o indivíduo se conectar com a ordem natural do universo. O sentimento oceânico pode ser encaixado dentro das teorias de exercícios filosóficos para o bem viver como uma experiência que pode ser cultivada através da prática. Esse e outros exercícios espirituais podem nos ajudar a desenvolver uma consciência mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. Eles podem nos ajudar a ver o mundo como uma unidade holística, e a nos sentirmos conectados com algo maior do que nós mesmos. A importância prática do sentimento oceânico como exercício é que ele pode nos proporcionar uma sensação de paz, alegria e sentido de propósito. Ele pode nos ajudar a lidar com o estresse e a ansiedade, e a nos sentirmos mais conectados com os outros. Aqui estão algumas maneiras de cultivar o sentimento oceânico através da prática de exercícios espirituais: - Contemplação da natureza: Passar tempo na natureza pode nos ajudar a nos conectar com a beleza e a harmonia do mundo ao nosso redor. - Meditação: A meditação pode nos ajudar a desenvolver uma consciência mais profunda de nós mesmos e do mundo ao nosso redor. - Reflexão filosófica: A reflexão filosófica pode nos ajudar a desenvolver uma compreensão mais profunda do universo e de nosso lugar nele. É importante notar que o sentimento oceânico não é uma experiência que pode ser forçada. Ele é uma experiência que surge naturalmente quando estamos abertos a ela. Os exercícios espirituais/filosóficos podem nos ajudar a nos preparar para essa experiência, mas eles não podem garantir que ela aconteça. Esses e outros exercícios fazem parte de meu novo curso de desenvolvimento pessoal: 🔮 Hipnose Transcendental (2024) “Hipnose Transcendental: Exercícios Filosóficos para o Bem Viver.” Este curso é para todos que buscam transcender os limites da consciência e desvendar os mistérios do ser. 🌟 Maiores informações e reservas: via direct ou email. Marcelo Martins Moreira Email: marcelomartinsmoreira@gmail.com

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