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Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Série : Exercícios Filosóficos para Vida Cotidiana Silêncio Ensaios e Artigos Kenose e Ágape Eudaimonia Alma e Graça Divina em Agostinho de Hipona Jogue fora suas batatas Solipsismo A Navalha de Ockham A Fuga de Nós Mesmos O Arrependimento no Budismo O Silêncio Interior Sentimento Oceânico
- Exercícios Filosóficos - Silêncio
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Exercícios Filosóficos para a Vida Cotidiana O silêncio Marcelo Martins Moreira Pesquisador independente Introdução — Filosofia como prática de transformação É possível estudar filosofia durante anos sem que ela produza qualquer mudança perceptível em nossa maneira de viver. Podemos conhecer conceitos, escolas, autores e sistemas; discutir argumentos sofisticados e reconstruir a história das ideias. Ainda assim, quando a vida nos coloca diante da ansiedade, da perda, da raiva, da incerteza ou da necessidade de escolher, talvez continuemos reagindo exatamente como antes. A tradição filosófica antiga permite pensar uma relação diferente com o pensamento. Para muitas escolas da Antiguidade, filosofar não significava apenas construir teorias sobre a realidade, mas assumir uma determinada maneira de viver. A filosofia podia envolver exercícios de atenção, meditação, exame de si, preparação para as dificuldades, leitura, diálogo e transformação dos hábitos. O conhecimento filosófico pretendia, assim, tornar-se experiência — uma forma de presença no mundo. É nesse horizonte que se situa o trabalho de Pierre Hadot. Ao estudar a filosofia antiga, Hadot recuperou a noção de filosofia como modo de vida e chamou atenção para aquilo que denominou “exercícios espirituais”. A expressão pode causar estranhamento porque, no uso contemporâneo, “espiritual” costuma remeter imediatamente à religião. Em Hadot, porém, ela possui um alcance mais amplo: trata-se de práticas capazes de envolver não apenas o intelecto, mas a pessoa em sua totalidade, modificando sua maneira de perceber, julgar e agir . A escolha do termo “exercícios filosóficos”, nesta série, é deliberada. Procura tornar a proposta mais acessível sem abandonar a inspiração de Hadot. O objetivo não é oferecer uma coleção de técnicas de autoajuda, nem transformar a filosofia em uma receita para uma vida perfeita. Trata-se de experimentar, no cotidiano, determinadas atitudes filosóficas e observar o que elas fazem conosco. O exercício filosófico começa, portanto, quando uma ideia deixa de ser apenas algo que compreendemos e passa a ser algo que praticamos. Epicteto oferece uma imagem particularmente adequada para essa proposta: “Doravante, a matéria sobre a qual devo trabalhar é o pensamento, tal como a do carpinteiro é a madeira e a do sapateiro, o couro; meu trabalho consiste em fazer bom uso das minhas representações” . A passagem expressa uma ideia fundamental: o pensamento não é apenas aquilo que temos; ele também pode ser matéria de trabalho. Primeiro exercício: o silêncio O primeiro exercício desta série é o silêncio. A escolha não é casual. Vivemos em uma época na qual o silêncio se tornou progressivamente difícil. Há sempre alguma coisa acontecendo: mensagens, notificações, vídeos, música, conversas, notícias, publicidade, podcasts e redes sociais. Mesmo quando o ambiente externo está silencioso, continuamos frequentemente acompanhados por uma sucessão incessante de pensamentos, lembranças, preocupações e antecipações. Por isso, antes de perguntar o que devemos pensar, talvez seja necessário perguntar se ainda sabemos ficar em silêncio. O silêncio pode ser desconfortável. Em situações sociais, muitas pessoas sentem necessidade de preenchê-lo imediatamente. Um elevador silencioso parece pedir uma intervenção. Uma refeição sem conversa pode parecer estranha. Um momento sem celular pode produzir uma inquietação que rapidamente procuramos eliminar. Mas existe também outro silêncio: aquele que não produz vazio, e sim espaço. O silêncio de uma criança dormindo, de uma paisagem, de uma caminhada solitária, de uma sala de oração ou simplesmente de alguns minutos em que ninguém nos exige uma resposta. Esse silêncio pode ser uma experiência de repouso e atenção. É importante, porém, distinguir silêncio de ausência absoluta de som. O objetivo do exercício não é criar uma câmara anecoica, nem fugir de todos os estímulos. O que se busca é interromper voluntariamente, por um período determinado, a cadeia habitual de estímulos e respostas. O silêncio exterior será utilizado como condição para observar aquilo que normalmente permanece encoberto pelo ruído. Do silêncio exterior ao silêncio interior O primeiro obstáculo aparece quando finalmente nos calamos: percebemos que o barulho não estava apenas fora. Quando diminuímos as distrações, surgem as chamadas “vozes na cabeça”: pensamentos que se sucedem sem que tenhamos decidido conscientemente iniciá-los. Uma preocupação chama outra; uma lembrança conduz a uma fantasia; uma tarefa futura interrompe a percepção do presente. Tentamos permanecer quietos e descobrimos que, por dentro, continuamos falando. Não é necessário combater esses pensamentos. Aliás, tentar esvaziar completamente a mente pode transformar o exercício em mais uma tarefa de controle. O objetivo inicial é mais simples — e, talvez por isso mesmo, mais difícil: perceber. Perceber o pensamento sem imediatamente segui-lo. Perceber a vontade de pegar o celular sem pegá-lo. Perceber o impulso de preencher o silêncio com música, leitura ou conversa. Perceber o desconforto que aparece quando nada parece exigir nossa atenção. O silêncio, nesse sentido, torna-se uma espécie de laboratório da atenção. Podemos pensar esse espaço interior como um castelo, desde que não o imaginemos como uma fortaleza destinada a nos separar do mundo. Ele seria antes um lugar de recolhimento provisório, no qual a pessoa pode observar os movimentos que a atravessam antes de obedecer a cada um deles. Também podemos pensá-lo como um jardim. Quando paramos de revolver continuamente a terra, percebemos as ervas que já estavam ali. Hoje, uma dessas ervas é o hábito de recorrer ao celular a cada intervalo de silêncio. Não porque o aparelho seja, em si, um problema, mas porque a disponibilidade permanente de estímulos pode dificultar a experiência de permanecer consigo mesmo. Silêncio e escuta O silêncio filosófico não é simplesmente calar-se. É também aprender a escutar. A tradição monástica oferece exemplos históricos de práticas sistemáticas de silêncio e contenção da fala. A Regra de São Bento, especialmente em seu capítulo 6, associa a moderação da palavra à possibilidade de ouvir: “ao discípulo convém calar-se e ouvir” . Nesta série, essa tradição não será tomada como prescrição religiosa, mas como testemunho histórico de uma intuição que também pode ser investigada filosoficamente: reduzir a fala pode ampliar a capacidade de escuta. Escutar o outro sem preparar imediatamente uma resposta. Escutar uma ideia antes de julgá-la. Escutar o próprio pensamento antes de transformá-lo em discurso. Escutar aquilo que sentimos sem precisar nomeá-lo imediatamente. Há, portanto, uma dimensão ética no silêncio. Quem não suporta permanecer em silêncio pode ter dificuldade também em suportar a presença do outro sem tentar dominá-la com a própria palavra. O silêncio não é necessariamente submissão, indiferença ou ausência. Pode ser uma forma de atenção — e, em certas circunstâncias, uma forma de respeito. O exercício Não é necessário começar com longos períodos de retiro. O exercício filosófico deve ser suficientemente simples para entrar na vida cotidiana. Durante sete dias, escolha um período fixo de aproximadamente quinze minutos. Pode ser pela manhã, à noite ou em outro horário no qual você consiga permanecer sem interrupções. Durante esses quinze minutos: - desligue as notificações e coloque o celular fora do alcance imediato; - permaneça em um lugar relativamente silencioso; - não utilize música, vídeo, podcast ou leitura para preencher o período; - sente-se confortavelmente e permita que a respiração encontre seu ritmo natural; - não tente eliminar os pensamentos; observe-os quando surgirem; - quando perceber que foi levado por uma preocupação, lembrança ou fantasia, reconheça isso e retorne à experiência presente; - ao final, permaneça mais um minuto em silêncio antes de retomar suas atividades. Depois do exercício, faça uma breve anotação. Não escreva uma análise sofisticada. Registre apenas o que percebeu: o que foi difícil, quais pensamentos apareceram, qual foi sua primeira vontade, se houve inquietação, tédio, tranquilidade ou alguma outra experiência. O objetivo não é produzir um estado especial de consciência. Se você passou quinze minutos inquieto, esse também é um resultado. Se percebeu uma quantidade surpreendente de pensamentos, isso também é um resultado. Se experimentou tranquilidade, registre-a sem transformá-la em obrigação para o dia seguinte. Uma pequena disciplina A força do exercício está na repetição. Um único momento de silêncio dificilmente modifica um hábito. A prática começa a ganhar significado quando o silêncio deixa de ser um acontecimento excepcional e passa a ocupar um lugar reconhecível na rotina. Depois de algum tempo, talvez seja possível ampliar o período. Quinze minutos podem transformar-se em vinte. Uma caminhada pode ser realizada sem fones de ouvido. Uma refeição pode ser feita sem a necessidade de consultar uma tela. Uma conversa pode conter pausas sem que elas sejam imediatamente preenchidas. A finalidade não é tornar-se uma pessoa silenciosa. É adquirir maior liberdade diante da necessidade compulsiva de falar, ouvir, consumir e responder. É nesse ponto que o silêncio se torna um exercício filosófico: ele não vale por si mesmo, mas pelo tipo de relação consigo, com os outros e com o mundo que pode tornar possível. Para além do silêncio O exercício proposto aqui não pretende conduzir a uma experiência religiosa nem pressupõe uma determinada crença. A palavra “espiritual”, no horizonte de Hadot, procura justamente indicar que o exercício filosófico pode envolver mais do que a compreensão intelectual de uma proposição. Ele pode modificar nossa maneira de perceber e habitar o mundo. Por isso, nesta série, preferimos falar em Exercícios Filosóficos para a Vida Cotidiana. A expressão preserva a ideia central de que filosofar é também exercitar-se. O silêncio é apenas o primeiro exercício. Talvez, ao praticá-lo, descubramos algo bastante simples: não precisamos preencher imediatamente todo espaço vazio. Algumas vezes, é justamente quando deixamos de falar que começamos a perceber o que estava tentando ser ouvido. Referências bibliográficas HADOT, Pierre. *Exercícios espirituais e filosofia antiga*. Tradução de Flávio Fontenelle Loque e Loraine Oliveira. São Paulo: É Realizações, 2014. HADOT, Pierre. Philosophy as a Way of Life: Spiritual Exercises from Socrates to Foucault. Edited with an introduction by Arnold I. Davidson. Oxford: Blackwell, 1995. EPICTETUS. Discourses. Book III, chapter 22. In: OLD FATHER, W. A. (ed. and trans.). Epictetus: The Discourses as Reported by Arrian, the Manual, and Fragments. Cambridge, MA: Harvard University Press, Loeb Classical Library, 1925 BENEDICT OF NURSIA. RB 1980: The Rule of St. Benedict in Latin and English with Notes. Edited by Timothy Fry, O.S.B. Collegeville, MN: The Liturgical Press, 1981. Cap. 6. ARCE, Karen F. “On Silence in the Rule of St. Benedict: A Study of Chapter 6: 1–6”. Obsculta, v. 14, n. 1, p. 116–132, 2021. MOTTE, André. “Pierre Hadot, Exercices spirituels et philosophie antique”. Kernos, n. 1, 1988. DOI: 10.4000/kernos.138.
- Hipnose Transcendental - biblioteca
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Biblioteca Carl G. Jung & Freud Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/2 Biblioteca Marie-Louise von Franz Biblioteca Edward Edinger Biblioteca Sigmund Freud Biblioteca James Hillman Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Joseph Campbell Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link Go to link 1/1 Biblioteca Jolande Jacobi Biblioteca Gerhard Adler Biblioteca Connie Zweig Biblioteca Robert A. Johnson Biblioteca Barbara Hanah Biblioteca James Hollis Biblioteca Erich Neumann Biblioteca Alexander Roob Go to link Go to link 1/1
- Hipnose Transcendental
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Share A Ciência Por Trás da Hipnose - Documentário Sinopse: Seja como anestésico, analgésico ou auxiliar psicológico para pacientes, a hipnose é cada vez mais utilizada em vários campos. Hoje é reconhecida oficialmente para certos tratamentos médicos. Graças às imagens científicas e aos avanços em neurologia, houve muitas descobertas sobre como o cérebro funciona sob hipnose. Mas o que realmente sabemos sobre essa prática que foi durante tantos anos negligenciada? Diretor Pierre-François Gaudry Thierry Berrod Boa Sessão !
- Material de Apoio
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Materiais de Apoio aos Alunos A página de materiais de apoio aos alunos é um espaço dedicado a disponibilizar recursos para auxiliar os alunos nos estudos. Aqui, você encontrará filmes, documentários e cursos diversos que podem ser utilizados como complemento às aulas ou para explorar temas de interesse pessoal. Biblioteca A biblioteca reúne uma seleção de livros, artigos e outros materiais de referência que podem ser úteis para pesquisas e trabalhos acadêmicos. Os materiais estão disponíveis para download ou leitura online. Cinemateca A cinemateca apresenta uma seleção de filmes que abordam temas relacionados às aulas. Os filmes estão disponíveis para assistir online ou baixar. Documentários A seção de documentários reúne uma seleção de filmes que documentam temas relevantes para a sociedade. Os documentários estão disponíveis para assistir online ou baixar. Todos os materiais desta página foram encontrados na web e são disponibilizados sem qualquer fim lucrativo. O uso desses materiais é de responsabilidade de cada um. Observações: Os materiais são selecionados de forma a atender às necessidades dos alunos e às diretrizes pedagógicas do curso. Os materiais são atualizados periodicamente para incluir novos recursos. Os alunos são incentivados a sugerir novos materiais para inclusão na página. Como utilizar os materiais Os materiais da página de materiais de apoio aos alunos podem ser utilizados de diversas formas. Os alunos podem: Assistir aos filmes e documentários para aprender sobre novos temas ou aprofundar seus conhecimentos sobre temas abordados nas aulas. Ler os livros e artigos para obter informações e referências para pesquisas e trabalhos acadêmicos. Utilizar os materiais para desenvolver atividades de aprendizagem, como discussões, debates e projetos. Os alunos são incentivados a utilizar os materiais de forma criativa e inovadora para potencializar sua aprendizagem. Os alunos podem utilizar a página de Busca para encontrar os materiais que desejam. A página de Busca permite pesquisar por título, autor, assunto ou palavra-chave. CLIQUE NOS BOTÕES ABAIXO PARA ACESSAR OS MATERIAIS: BIBLIOTECA DOCUMENTÁRIOS CINEMATECA
- Individuação
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Individuação Share Pelo fato de o inconsciente coletivo representar a fonte do crescimento psíquico, Jung acreditava que um relacionamento funcional entre os níveis consciente e inconsciente da existência fosse vital para a saúde psíquica. Esse relacionamento funcional entre os níveis consciente e inconsciente da existência foi também concebido e descrito por Jung como o relacionamento entre o complexo individual do Eu e o arquétipo do Si-Mesmo (Self), um arquétipo de totalidade e inteireza, representado por símbolos que Jung encontrava continuamente nos sonhos e fantasias dos seus pacientes. Quando o consciente e o inconsciente, Eu e Si-Mesmo, Ego e Self, têm um relacionamento contínuo, Jung considerava que a pessoa poderia então consolidar um senso de sua individualidade única, bem como de sua conexão com uma experiência mais ampla da existência humana, tornando-a capaz de viver de um modo criativo, simbólico e individual. O processo de chegar a esse equilíbrio psíquico, Jung chama de Individuação, um princípio e um processo que ele entendia como subjacente a toda a atividade psíquica. A tendência da psique de mover-se para a totalidade e o equilíbrio é um postulado fundamental da psicologia de Jung. Chamado diferentemente de princípio teleológico, intencional, sintético, construtivo ou finalista, esse princípio de que a psique tende para a totalidade e o equilíbrio contém igualmente o postulado tipicamente junguiano de que a verdadeira vida humana consiste de opostos que precisam ser unidos dentro da alma humana. O processo e o resultado dessa união de opostos é a habilidade de a pessoa formar para si uma personalidade individual unificada, coerente e, apesar disso, singular em profundidade e riqueza. A individuação, esse processo de tornar-se um indivíduo autônomo, pode ser entendida a partir de sua etimologia, isto é, o processo de tornar-se indivisível ou de tornar-se um consigo mesmo. Um dos propósitos da análise, talvez o propósito da análise na visão de Jung, é ajudar no processo de individuação, particularmente em nível arquetípico. Jung considerava a individuação, da maneira como usava o termo, como em grande parte uma questão de desenvolvimento psicológico na segunda metade da vida, isto é, após a realização exterior da juventude e dos primeiros anos da vida adulta ter se tornado menos importante. Embora muitas coisas que não estejam estritamente centradas em facilitar a individuação, no sentido junguiano, possam ocorrer dentro da análise - por exemplo, a solução de problemas ou a simples compreensão empática - o objetivo mais alto da análise é, contudo, dar continuidade ao processo de individuação do paciente através da análise e da experiência dos símbolos e das figuras arquetípicas nos sonhos, de visões, da imaginação ativa e da vida cotidiana. Para começar: - "Adaptação, individuação e coletividade", OC 18/2, §1084-1106 - "Consciência, inconsciente e individuação", OC 9/1 , §489-524 Para aprofundar: - "Estudo empírico do processo de individuação", OC 9/1 , §525-626 - "O simbolismo da mandala" , OC 9/1 , § 627-712 - "O símbolo da transformação na missa", OC 11/3, especialmente parte IV, "Psicologia da Missa", §376-448 Obras Relacionadas - "Presente e Futuro", OC 10/1, §488-588. Texto adaptado de Guia para Obra Completa de C.G.Jung - Robert H. Hopcke
- Arrependimento no Budismo
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa O Arrependimento no Budismo É agradável imaginar uma vida sem erros, mas trata-se de algo impossível de realizar. A virtude humana profunda baseia-se em uma saudável auto-avaliação e na disposição de melhorar. Se não conseguirmos reconhecer nossas próprias transgressões, seremos simplesmente incapazes de evoluir moral e espiritualmente. Todos nós violamos alguns preceitos de quando em quando, e tais transgressões devem ser levadas a sério. Porém, é preciso entender que infringir um preceito não é o fim do mundo. Uma vez reconhecido o nosso erro, precisam os corrigi-lo e seguir em frente. Se não conseguirmos entender esse processo ou nos recusarmos a aceitá-lo, corremos o risco de nutrir uma opinião incorreta grave, acreditando que tudo o que fazemos é justificável ou que estamos de alguma maneira acima das exigências da vida moral, será impossível empreender as mudanças necessárias ao progresso espiritual. Uma vez que tenhamos reconhecido um erro e nos envergonhado de nosso comportamento, vem o momento de arrependimento, que envolve a busca do perdão e comprometimento com a não repetição do ato. De acordo com o Vinaya Sarvastivadan, o arrependimento exige de nós admitir o erro para a pessoa que ofendemos e pedir perdão a ela. Já para o Sutra da Plataforma do Sexto Patriarca, o arrependimento supõe, inicialmente, admitir que fizemos algo errado e, então, fazer o voto de não repetir o erro. O arrependimento é como a água pura que lava a mente das opiniões errôneas, do orgulho e da ignorância. Errar sem nos arrepender significa piorar muitas vezes o problema, acrescentando-lhe camadas de pretextos egoístas que nos prejudicam, anuviando a razão e fazendo-nos repetir as transgressões. O arrependimento deve se basear no sentimento de vergonha. A maioria das pessoas não gosta de sentir vergonha; no entanto, isso às vezes é necessário. Em vez de nos esconder desse sentimento perturbador é melhor dar ouvidos e ele e seguir suas sugestões profundas…. Muitos pensadores budistas dizem que o mais grave obstáculo ao crescimento espiritual é a ausência do senso de vergonha, pois sem ele, simplesmente não somos capazes de reconhecer nossos erros, muito menos de corrigí-los… Ironicamente, uma pessoa com um senso de vergonha bem desenvolvido tem mais do que se orgulhar do que a orgulhosa que nunca se envergonha. Aquela poderá se aperfeiçoar ao longo da vida, ao passo que esta ficará estagnada. Mas é necessário muita coragem para assumir a vergonha e admitir que não há saída que não seja o arrependimento. Há dois aspectos no sentimento de vergonha: -reconhecimento do mal causado a si mesmo; - reconhecimento do mal causado ao próximo. O sentimento de vergonha evita que prejudiquemos a nós mesmos e aos demais por meio de atos tolos. Os budistas dizem que o senso de vergonha constitui uma das mais importantes características de um aspirante ao desenvolvimento espiritual, pois age como um catalisador, fortalecendo todas as outras qualidades básicas que conduzem à verdade. Segundo os Discursos de Média Duração do Buda, a noção de vergonha figura entre as sete “ características santas “ essenciais para alguém alcançar a budeidade. Alguns sutras budistas comparam as pessoas que carecem da noção de vergonha a árvores cuja casca foi removida do tronco. Embora possam permanecer eretas por algum tempo, não demora muito para que definhem e morram. O Agama Samyukt diz que, se o seres humanos não fossem capazes de se envergonhar, nenhum de nós reconheceria suas obrigações para com “pais, irmãos, irmãs, mulher, marido, portanto, seríamos como animais.” Tentar levar uma vida espiritual sem dispor de um senso bem desenvolvido de vergonha é virtualmente impossível, uma vez que os chamados de nossa consciência constituem sinais de sabedoria, tanto quanto a tranquilidade que resulta de segui-los. Não conseguir reconhecer nossa própria tendência ao erro significa estarmos cegos justamente para aquela parte de nós que mais necessita de atenção espiritual. Por essa razão, o Sutra do Ensinamento Legado afirma: “O senso de vergonha é verdadeiramente magnífico”
- Solipsismo
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Solipsismo é uma doutrina filosófica que afirma que a única realidade é a consciência individual. Em outras palavras, o solipsista acredita que o mundo exterior, incluindo outras pessoas, é uma ilusão criada pela própria mente. O solipsismo é uma posição radical que é difícil de defender, pois é impossível provar ou refutar. No entanto, tem sido uma fonte de reflexão filosófica por séculos. Existem dois tipos principais de solipsismo: Solipsismo subjetivo: O solipsista subjetivo acredita que apenas sua própria consciência existe. O mundo exterior, incluindo outras pessoas, é uma ilusão. Solipsismo objetivo: O solipsista objetivo acredita que sua própria consciência é a única realidade, mas que o mundo exterior existe como uma criação dessa consciência. Alguns filósofos que defenderam o solipsismo incluem: George Berkeley (1685–1753): Berkeley acreditava que o mundo exterior é uma coleção de ideias na mente de Deus. David Hume (1711–1776): Hume argumentou que não podemos ter certeza da existência do mundo exterior, pois todas as nossas experiências são mediadas pela mente. Arthur Schopenhauer (1788–1860): Schopenhauer acreditava que o mundo exterior é uma projeção da vontade individual. O solipsismo pode ter implicações significativas para nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Se o solipsismo estiver correto, então estamos sozinhos no universo, e nossas experiências são a única realidade que existe. Isso pode levar a um sentimento de isolamento e alienação. No entanto, o solipsismo também pode ser uma fonte de inspiração. Se o mundo exterior for uma ilusão, então somos livres para criar nossa própria realidade. Isso pode nos levar a uma vida mais criativa e significativa. O solipsismo também pode ser usado como um exercício espiritual de duas maneiras principais: 1. Como uma forma de meditação: A meditação é uma prática espiritual que visa acalmar a mente e desenvolver a atenção plena. O solipsismo pode ser usado como uma forma de meditação ao nos concentrarmos na nossa própria consciência e nos questionarmos sobre a natureza da realidade. Ao nos concentrarmos em nossa própria consciência, podemos começar a perceber que a nossa experiência do mundo é limitada pela nossa própria perspectiva. Isso pode nos levar a um sentimento de humildade e abertura a novas possibilidades. 2. Como uma forma de autoconhecimento: O autoconhecimento é um dos objetivos centrais da filosofia do filósofo Pierre Hadot que defendeu a filosofia como modo de vida. O solipsismo pode ser usado como uma forma de autoconhecimento ao nos levar a questionar os nossos próprios pressupostos sobre o mundo e sobre nós mesmos. Ao nos questionarmos sobre a natureza da realidade, podemos começar a perceber que as nossas crenças sobre o mundo são baseadas em nossas próprias experiências e perspectivas. Isso pode nos levar a um maior grau de autoconsciência e a uma compreensão mais profunda de nós mesmos. O solipsismo pode ser visto como uma forma de exercício espiritual em comparação com os conceitos preconizados pelo filósofo Pierre Hadot. Ele pode nos ajudar a desenvolver além do auto-conhecimento a atenção plena, que é a capacidade de estarmos presentes no momento presente, sem julgamentos. O solipsismo pode nos ajudar a desenvolver a atenção plena ao nos concentrarmos em nossa própria consciência e nos questionarmos sobre a natureza da realidade. #hipnosetranscendental
- MindStream - Biblioteca Jung
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Acesso Exclusivo para Membros Biblioteca Carl G. Jung e afins Parte 1 somente Go to link 1/1 Biblioteca Marie Louise Von Franz Biblioteca Edward Edinger Biblioteca Sigmund Freud Biblioteca James Hillman 1/1 Biblioteca Joseph Campbell 1/1 Biblioteca Connie Zweig Biblioteca Jolande Jacobi Biblioteca Robert A. Johnson Biblioteca Barbara Hanah Biblioteca James Hollis Biblioteca Erich Neumann
- Cursos e Palestras
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Pesquisa - Ensino - Palestras Minha atuação em ensino e formação nasce da pesquisa e contempla filosofia, psicologia analítica, medicina comportamental, hipnose clínica e estudos da consciência. As atividades são direcionadas a universidades, instituições, equipes de saúde e público em geral, e podem ser adaptadas conforme os objetivos de cada evento. Dentro das áreas temáticas entram, por exemplo, filosofia da consciência, psicologia analítica, medicina comportamental, espiritualidade , hipnose clínica e, se for o caso, hipnose aplicada às diversas áreas de saúde, como um tema específico para dentistas, médicos e psicólogos. Exemplos de Atividades Desenvolvidas Recentemente: PALESTRAS : HIPNOSE CLÍNICA - DIMINUINDO A ANSIEDADE DOS PACIENTES Coordenador: Prof. Marcelo Martins Moreira (Cirurgião-Dentista Buco Maxilo Facial , Hipnólogo e Psicoterapeuta Junguiano) Natureza: Teórica/Demonstrativa Duração: 03 horas Data: a combinar HIPNOSE NA ODONTOLOGIA - ESTRATÉGIAS PARA UM ATENDIMENTO HUMANIZADO Coordenador: Prof. Marcelo Martins Moreira (Cirurgião-Dentista Buco Maxilo Facial , Especialista em Medicina Comportamental, Hipnólogo e Psicoterapeuta Junguiano) Natureza: Teórica/Demonstrativa Duração: até 03 horas Data: a combinar HIPNOSE PARA SAÚDE - UMA ABORDAGEM HOLÍSTICA (Diminuindo Stress e Ansiedade de Pacientes e Profissionais) Coordenador: Prof. Marcelo Martins Moreira (Cirurgião-Dentista Buco Maxilo Facial , Especialista em Medicina Comportamental, Hipnólogo e Psicoterapeuta Junguiano) Natureza: Teórica/Demonstrativa Duração: até 03 horas - noturno Data: a combinar CURSOS DE APERFEIÇOAMENTO : HIPNOSE CLÍNICA - DESSENSIBILIZANDO SEUS PACIENTES MÓDULO 1, 2 E AVANÇADO Coordenador: Prof. Marcelo Martins Moreira (Hipnólogo pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa) Natureza: Teórica/Demonstrativa Duração: 72 horas - a combinar Objetivo/Conteúdo Programático: Atualização do profissional da área de saúde e terapeutas naturalistas quanto à aplicação da hipnose em sua especialidade, como modalidade de apoio nos procedimentos convencionais da sua área. CURSO DE APERFEIÇOAMENTO: Hipnose Transcendental: Uma Abordagem Integrada para o Bem-Estar ( Filosofia & Auto Hipnose - Caminhos para a Transformação Interior ) Coordenador: Prof. Marcelo Martins Moreira (Hipnólogo pela Sociedade Brasileira de Psicanálise Integrativa) Natureza: Teórica/Demonstrativa Duração: 72 horas - a combinar
- Navalha de Ockham
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa A Navalha de Ockham. A navalha de Ockham é um princípio filosófico que afirma que, entre duas explicações igualmente válidas para um fenômeno, a mais simples é a mais provável. Em outras palavras, se duas hipóteses podem explicar os mesmos fatos, devemos escolher a hipótese com o menor número de suposições ou entidades. A navalha de Ockham foi formulada pelo filósofo escolástico inglês Guilherme de Ockham, no século XIV. Ela foi inspirada na ideia de que Deus é um ser simples e perfeito, e que, portanto, o mundo criado por ele também deve ser simples e perfeito. A navalha de Ockham tem sido aplicada em diversos campos do conhecimento, incluindo a filosofia, a ciência, a teologia e a política. Na filosofia, ela é usada para avaliar a validade de teorias e argumentos. Na ciência, ela é usada para simplificar modelos e explicar fenômenos naturais. Na teologia, ela é usada para interpretar textos sagrados. Na política, ela é usada para avaliar políticas públicas. A navalha de Ockham também pode ser usada como um exercício da vida diária moderna. Por exemplo, se você está tentando decidir entre duas opções, você pode aplicar a navalha de Ockham para escolher a opção mais simples. Aqui estão alguns exemplos práticos de como a navalha de Ockham pode ser usada na vida diária: - Se você está procurando um presente para um amigo, você pode escolher o presente mais simples que ainda seja significativo. - Se você está tentando resolver um problema, você pode começar com a solução mais simples e ver se ela funciona. - Se você está tentando tomar uma decisão, você pode pesar os prós e os contras de cada opção e escolher a opção com o menor número de desvantagens. O nome “navalha de Ockham” é uma tradução do termo latino lex parsimoniae, que significa “lei da parcimônia”. Ockham acreditava que Deus é um ser simples e perfeito, e que, portanto, o mundo criado por ele também deve ser simples e perfeito. Essa ideia inspirou o princípio da parcimônia, que afirma que, entre duas explicações igualmente válidas para um fenômeno, a mais simples é a mais provável. A tradução “navalha de Ockham” é uma analogia à ideia de que a simplicidade é preferível à complexidade. A navalha é uma ferramenta que é usada para cortar coisas, e a ideia é que a simplicidade “corta” a complexidade desnecessária. A navalha de Ockham é uma ferramenta útil para simplificar a vida e tomar decisões mais acertadas.
- Hipnose Transcendental
Biblioteca Digital & Serviço de Pesquisa Imaginação Ativa A imaginação ativa foi uma técnica desenvolvida por Jung para aumentar e desenvolver o relacionamento com o material inconsciente, especialmente com figuras interiores que aparecem em sonhos e fantasias. Com a imaginação ativa, Jung pretendia que o indivíduo assumisse um papel não só receptivo, mas também ativo para encontrar-se e confrontar-se com vários elementos arquetípicos inconscientes em sua psique. A atividade da imaginação ativa contrasta com o sonho, que, na opinião de Jung, simplesmente ocorre. Contudo, a imaginação ativa não é nenhuma fantasia diretiva na qual o indivíduo persegue os pensamentos e desejos de seu próprio ego. Do modo como Jung a desenvolve, a intenção da imaginação ativa é abrir o limite entre a consciência passiva e receptiva, do material inconsciente interior e a reação ativa e opcional a esse material de qualquer forma. A definição de June Singer, em seu livro Boundaries of the Soul , dá a seu capítulo sobre a imaginação ativa o título de "Sonhando o sonho para a frente", que é talvez a melhor descrição sumária tanto de sua técnica quanto de sua intenção. À luz das ideias de Jung sobre a natureza e a função da psique, a imgainação ativa parece uma consequência natural do ponto de vista de que a totalidade é resultado de tornar o inconsciente consciente e de que a psique é um fenômeno intencional. A imaginação ativa é um modo de encarar mais diretamente as direções inconscientes de nossa vida interior, embora mantendo tão longe quanto possível nosso senso consciente do si-mesmo e nossa capacidade de ação informada e ética. Assim como acontece com vários conceitos de Jung, a imaginação ativa pode ser mais bem entendida por meio da experiência direta do que por meio da leitura sobre ela, pois Jung escreveu pouco sobre os amparos da técnica. As discussões mais úteis e focadas sobre imaginação ativa estão indicadas na lista de leituras abaixo em "Para Começar". Na primeira, o pequeno ensaio "A Função Transcendente", Jung descrece como a consciência e a inconsciência agem em série para corrigir e equilibrar a unilateralidade psíquica. Nesse contexto, Jung explica como a imaginação ativa ou a fantasia podem ajudar a transcender ou a sanar a lacuna típica entre essas duas esferas psíquicas opostas. A segunda leitura indicada é a última metade da quinta conferência de Tavistock, de Londres, em 1935. Em resposta a uma pergunta sobre sua técnica, Jung fala sobre a intenção dela e seus efeitos, e faz uma rápída apresentação do material trabalhado pela fantasia de um paciente. Para ler mais sobre esse tema, é necessário obviamente pesquisar os vários relatos da imaginação ativa que Jung tira de seu trabalho clínico, relatos que são, em geral, bem detalhados e vívidos o bastante para tornar claro precisamente como Jung tenciona que sua técnica seja usada e para que fim. Certamente o que mais claramente se manifesta nesse material todo é o valor que Jung dava à fantasia e a alta consideração que tinha por sua fantasia curadora. As fontes secundárias são de dois notáveis junguianos. O livro de Hannah trata da imaginação ativa, ao passo que o livro de Adler é principalmente um relato de caso de uma análise em que a imaginação ativa tem uma parte simplesmente crucial. Se lidos ao mesmo tempo, ambos servem como uma introdução completa a essa técnica vital no municiamento da análise junguiana, completados pelas obras mais recentes sobre o tópico, escritas por Robert Johnson e Verena Kast. Para começar: - "A função transcendente", OC 8/2 , § 131-193. - "Fundamentos da Psicologia Analítica ( Tavistock Lectures )", OC 18/1 , Quinta Conferência, § 304-415. Para aprofundar: - " Estudo empírico do processo de individuação", OC 9/1 § 525-626 - " Mandalas", OC 9/1 , § 713-718 - " Psicologia e Alquimia", OC 12 , esp. parte II , § 44-331. Obras Relacionadas: - " Freud e a psicanálise" , OC 4, esp. capítulo 8, " Princípios terapêuticos da psicanálise" , § 407-457. Fontes Secundárias: - ADLER,G. " The living symbol: a case study in the process of individuation, New York: Pantheon, 1961 -- HANNAH, B. " Encounters with the soul active Iamgination as Developed by C.G. Jung. Santa Monica: Sigo Press, 1981. - JOHNSON, R. " Inner Work: Using dreams and active imagination for personal growth. São Francisco: Harper and Row, 1986 A Chave do Reino Interior , São Paulo: Mercurio, 1989. KAST, V. - " Imagination as Space of Freedom: Dialogue between the Ego and the Unconscious"- New York: Fromm, 1993 A Imaginação como espaço de liberdade. São Paulo, Loyola, 1997. Texto adaptado de Guia para Obra Completa de C.G.Jung - Robert H. Hopcke


